POLÊMICA NA PG

Mãe argentina denuncia sequestro ao ter filhos arrancados de seus braços, em Praia Grande

Conselho tutelar levou quatro crianças a um abrigo após 40 denúncias de trabalho infantil; irmãos argentinos viralizaram nas redes sociais ao venderem empadas típicas do país natal


Da redação
Publicado em 07/12/2021, às 12h10 - Atualizado às 16h23

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Quatro dos cinco filhos de Maria Belen foram levados pelo Conselho Tutelar Mãe argentina denuncia sequestro ao ter filho arrancado de seus braços, em Praia Grande - Reprodução Arquivo Pessoal
Quatro dos cinco filhos de Maria Belen foram levados pelo Conselho Tutelar Mãe argentina denuncia sequestro ao ter filho arrancado de seus braços, em Praia Grande - Reprodução Arquivo Pessoal


Denúncias de trabalho infantil levaram o Conselho Tutelar de Praia Grande a conduzir duas crianças e dois adolescentes a um abrigo da cidade. Segundo a mãe, foram 40 denúncias de trabalho infantil.

O acolhimento dos menores aconteceu há um mês, porém, ao ver os filhos machucados e alegando terem sofrido abuso sexual por funcionários do abrigo, a mãe, que é argentina, tornou o caso público, na segunda-feira (7) e ganhou o apoio de populares.

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Os irmãos mais velhos haviam se tornado conhecidos na região por venderem empanadas feitas por familiares em ruas do bairro do Gonzaga, em Santos. Uma foto divulgada nas redes sociais de um deles com olhos lacrimejados, em um bairro de Santos, após ser humilhado por um homem, fez com que a família ganhasse R$ 150 mil em uma 'vaquinha virtual' (método de arrecadação de dinheiro).



No Instagram dos filhos, Maria Belen relatou o que aconteceu no fatídico dia 12 de novembro: “Dia 12/11 eram 8 horas da manhã. A minha filha de 4 anos acordou em sobressalto. Polícia por tudo canto, 20 viaturas e 30 assistentes sociais. 'O que está acontecendo mamãe, perguntou ela com cara de choro'. Tentei acalmá-la e acalmar meus filhos. Ela continuou. 'Mamãe não deixa eles me levarem'. Eu vi o pânico nos seus olhos molhados”, escreveu Maria.

“Ainda estávamos de estômago vazio, caras de sono, vizinhos na porta das casas e prédios olhando a bagunça e escutando a sirene. Parecia que éramos traficantes. Sim, admito, somos traficantes de empanadas e bolos! É isso! Num país onde a gente só quer trabalhar e ser honesto, eles não deixam! Eu chorei, meu marido e eu pedimos e imploramos mil vezes que não levassem nossos filhos. E sem trocar roupa, sem tomar café da manhã, sem as mochilas das escolas, sem nada, sequestraram eles como se tivessem feito o pior dos crimes do mundo”, continuou.

A mãe questionou os agentes e foi informada de que 40 pessoas fizeram denúncias anônimas por trabalho infantil, a mãe se indignou com o que estava acontecendo. “Trabalho infantil? Onde? Meus filhos são adolescentes, tem 15 e 16 anos e dois metros de altura. Por isso estão levando Leandro, Alexandro, Richard e Tatiana? Pelo amor de Deus, a gente só quer crescer na vida, trabalhar e ser honesto e honrado”, lamentou a mãe das crianças.



“O assistente social falou que iriam estar melhores do que em casa. Eu com ataque de desespero, o policial arrancou minha bebê dos braços. Agora eles estão presos lá na rua Fefim, 771, em Praia Grande, sem sequer me deixam ver eles”, relembrou.

“Na terça-feira (30), quando fui ver eles e vi o Leandro tudo machucado, quase sangrando, eu fiquei louca porque nessa instituição não cuidam das crianças como prometeram. Alexandro foi assediado por uma mulher quando estava dormindo e entrou no quarto dele para "transar", e minha filha Tatiana falou que homens tocaram a p******** [órgão genital] dela na hora do banho. Sou ciente do que falo e tenho provas do que estou falando! Não dá para seguir esperando a palavra de uma juíza. Eu peço a ajuda de vocês para compartilhar! Todos juntos somos mais”, concluiu o relato.



Em nota enviada ao Portal Costa Norte, a prefeitura de Praia Grande informou que cumpre determinação judicial de dar abrigo às crianças em local que oferece tratamento adequado, humanizado e condições salubres, priorizando o bem-estar e a segurança dos acolhidos.

Sobre a denúncia da mãe referente aos machucados dos filhos e abusos de funcionários nas dependências do abrigo, a prefeitura afirma que está apurando rigorosamente.

Trabalho infantil

O trabalho infantil é todo o trabalho realizado por pessoas que tenham menos da idade mínima permitida para trabalhar. Cada país tem sua regra. No Brasil, o trabalho não é permitido sob qualquer condição para crianças e adolescentes entre zero e 13 anos.



A partir dos 14 anos pode-se trabalhar como aprendiz; já dos 16 aos 18, as atividades laborais são permitidas, desde que não aconteçam das 22h às 5h, não sejam insalubres ou perigosas e não façam parte da lista das piores formas de trabalho infantil.

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