CONTROVÉRSIAS LITORÂNEAS

Cliente diz que tomou calote e foi chamado de “velho safado” por gerente de comércio em Praia Grande

“Não foi bem assim”, diz gerente


Da redação
Publicado em 30/08/2021, às 11h53 - Atualizado às 14h30

FacebookTwitterWhatsApp

Detalhe do interior da Adega Adega Araujo - Plano Detalhe - Instagram @adegaaraujo
Detalhe do interior da Adega Adega Araujo - Plano Detalhe - Instagram @adegaaraujo


A Adega Araújo, tradicional point de Praia Grande, foi palco de uma cena diferente na última quarta-feira (25). Na ocasião, segundo a versão de um frequentador, foi o gerente quem acabou por calotear um cliente e ainda o chamou de “velho safado “.

“Fui cobrar ele e ele me chamou de velho safado”, afirmou o comerciante aposentado de 69 anos Carlos de Abreu, conhecido na região como Seu Carlos, em entrevista ao Portal Costa Norte nesta segunda-feira (30).

Erinaldo da Silva, conhecido na região como Naldo, gerente da adega, confirma o calote, mas contesta a versão do idoso. “Não foi bem assim”, declara o gerente de 33 anos.

Seu Carlos afirma que é frequentador antigo da adega, localizada na rua Jaú, Boqueirão, e, no dia 18 de junho, emprestou R$ 800 reais a Naldo, a pedido dele. O valor, relata, deveria ser pago com R$ 200 de juros depois de um mês, em 18 de julho. “Tomava uma, duas cervejinhas lá. Ele pediu pra mim. Não ofereci nada pra ele”, afirma o idoso.



Faça parte do nosso grupo no WhatsApp http://bit.ly/CostaNortesonoticiasE receba matérias exclusivas. Fique bem informado! 📲

Naldo confirma o empréstimo, mas argumenta que, apesar de ter pego o dinheiro, o responsável pelo pagamento seria seu chefe, atualmente afastado do estabelecimento em tratamento médico, segundo ele. “Meu patrão tá internado. Tudo que é dívida dele agora tá sobrando pra eu resolver. Ele [Seu Carlos] me entregou o dinheiro na minha mão, mas na verdade não fui eu que autorizei ele a entregar. Foi meu patrão. Na verdade, era uma coisa que não era nem eu o responsável”, diz.

Detalhe do interior da Adega Adega Araujo - Plano Detalhe (Imagem: Reprodução / Instagram @adegaaraujo)



O idoso, porém, afirma que não engoliu a desculpa do gerente e o acusa de sucessivos atrasos no pagamento. “Era pra ser no outro mês, ele não pagou. Aí, pagou só o juros de duzentos reais e ficou de me pagar esse mês. Esse mês também não me pagou. Não pagou nada, nem o juros”, acusa.

Caloteado, Seu Carlos afirma que decidiu ir pessoalmente à adega e cobrar Naldo na quarta-feira, mas não só não recebeu, como a cobrança quase degringolou para o desastre.



“Eu fui cobrar ele lá, ele ficou bravo. Me chamou de velho safado. Falou que ia pagar quanto ele queria e quando ele quisesse e tentou me agredir ainda. Não chegou a me agredir, mas ele veio pra cima”, acusa o idoso.

Naldo confessa que insultou o idoso, mas argumenta que foi insultado antes por ele. “Eu tenho 33 anos, não era necessário ele chegar, me chamar de moleque e falar que eu não sou homem. Apenas eu fui pra cima dele porque ele pôs o dedo na minha cara. Quem é ele pra por o dedo na minha cara e me chamar de vagabundo e de moleque?”, justifica-se o gerente, que complementa afirmando que o idoso está espalhando no bairro a notícia de que ele é caloteiro.

“A vida dele é falar na rua que a gente deve pra ele, que a gente não é homem de pagar o que a gente pega. A gente fez negócio com ele, não foi com ninguém na rua pra ele tá falando pra Deus e o mundo na rua”, reclama o gerente.



Ele afirma que antes de partir pra cima do idoso, tentou chegar a um consenso e diz que dificuldades pelas quais a adega vem passando provocaram o atraso no pagamento. “Eu ia dar o juros que ele tinha cobrado, ele falou que não queria, só queria tudo. Eu falei, tudo agora eu não tenho, espera um pouco que nós ficamos um mês fechado, teve que gastar de onde não tinha, porque a adega foi multada”.

Apesar dos argumentos, Seu Carlos condena a atitude do gerente. “A gente fica revoltado. Ele deve ter uns 20 e poucos, 30 anos. Eu vou fazer 70 anos. Tenho problema de saúde, problema na perna, tudo, não posso nem andar direito, se o cara encostar a mão eu caio”, diz Seu Carlos.

Naldo discorda. “Não é pela idade não, ele pode ter 100 anos, se me desrespeitar, também desrespeito. A gente dá o que a gente recebe”, replica, enérgico, o gerente.



Na mesma tarde do entrevero, Seu Carlos procurou o 2º DP de Praia Grande e registrou um boletim de ocorrência por injúria contra o gerente. O aposentado também afirma que desistiu de frequentar a adega e que ainda quer seu dinheiro e respeito por parte do gerente. “Agora não vou mais lá. Quero que ele me pague e que ele respeite os outros, né?”, reclama.

O gerente afirma que pretente pagar o idoso em breve. “Eu falei pra ele, dá uma segurada, deixa voltar o movimento e a gente senta e acerta, só que ele não tem paciência nenhuma”, conclui.  

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!