
*Foto: JCN
Após a onda de criminalidade ter atingido diversos bairros da costa norte de São Sebastião, com destaque para ocorrências no Pontal da Cruz e São Francisco, a Polícia Civil conseguiu capturar, na última quinta-feira, 19, integrantes de quadrilha que, de acordo com os investigadores, são os responsáveis pelos crimes cometidos na região nas últimas semanas. Ainda de acordo com a polícia, outras prisões estão em vias de ser realizadas, garantindo o desmantelamento completo do bando.
A mesma quadrilha seria responsável também pelo aumento no número de roubos de motocicletas na costa sul, até então um tipo de ocorrência rara na região, como conta Ricardo Marques, chefe de investigações da Policia Civil em São Sebastião. “Tivemos cerca de cinco veículos deste tipo furtados recentemente, e foi detectado que era esse mesmo grupo o responsável por essas ocorrências”.
Apesar da recente prisão da quadrilha que atuava na região central e norte, o município vive um aumento na insegurança também na região da costa sul, com destaque para os bairros de Boiçucanga e Maresias, nos quais uma série de assaltos a estabelecimentos – inclusive bancários – foi registrada recentemente. Receosos, empresários e moradores da praia de Maresias têm se reunido em busca de uma solução para o problema. Niuara Tedesco, vice-presidente da APHM – Associação de Pousadas e Hotéis de Maresias – disse: “Estamos cotando a implantação de um serviço de ronda privada e vigilância eletrônica no bairro, semelhante ao existente em Baleia e Juquehy, como forma de inibir a atuação dos bandidos. A ideia é dividirmos os custos entre os interessados e implantar esse serviço ainda este ano”.
Governo nega reforço policial
O prefeito de São Sebastião Ernane Primazzi declarou, na tarde da última segunda-feira, 16, que cobranças por maior efetivo policial são feitas regularmente ao governo do estado. A última, de acordo com ele, foi na semana passada, quando falou diretamente com membros da Casa Civil. Contudo, segundo Ernane, o governo do estado argumenta que as ocorrências no município não justificariam um aumento no efetivo.
Para Ernane, querer responsabilizar a Guarda Civil da cidade, como alguns populares têm feito, principalmente via internet, não seria justo, uma vez que a corporação, que conta hoje com 58 homens, trabalha com 60% do seu efetivo em operação de rua, da costa norte à costa sul. “A GCM foi criada para dar apoio às Policia Militar e Civil e, não, para substituí-las”, justificou.
Ernane explicou que 33 GCMs trabalham em regime de escala no patrulhamento ostensivo e preventivo. Os outros 25 estão distribuídos da seguinte forma: 4 na rodoviária; 1; no CREAS; 4; no Paço; 4; na base da rua da Praia; 1, no pronto-socorro; 1, na administração da própria GCM; 1, na DDM; 1, no sindicato; 1, na Câmara Municipal; 4, em férias; 1, de licença-saúde; e 2, de licença política. “É inaceitável quando dizem que não trabalham ou estão em funções administrativas”, completou o prefeito.
Outro ponto destacado foi o sistema de monitoramento. De acordo com o prefeito, hoje a cidade conta com 23 câmeras já instaladas num total de 44 contratadas, contando ainda com sistema de rádio da GCM e Samu, 33 quilômetros de fibras ópticas que serão trocadas desde a Topolândia até a costa norte, além das viaturas, como carro, motos e bicicletas. “De janeiro até o momento, foram registrados pela GCM 73 boletins de ocorrência”.
O prefeito também fez questão de frisar que, além do efetivo defasado da Policia Militar, até hoje o estado não repôs novos profissionais na Dise - Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes – que, no ano passado, teve seus investigadores presos preventivamente. “Esta situação prejudica o trabalho da própria polícia e prejudica a comunidade”. Ernane ressaltou a importância de as pessoas registrarem a ocorrência na polícia. “O estado trabalha com números. É preciso que as pessoas façam o boletim de ocorrência para justificar um aumento no efetivo policial”, concluiu.