Crianças e idosos estavam entre moradores retirados de áreas atingidas pelas enchentes; cerca de 2 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas no Vale

Famílias que ficaram ilhadas após as enchentes que atingiram Iguape, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, foram resgatadas por equipes do Comandos e Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, na quinta-feira (17). Os policiais enfrentaram a correnteza durante mais de quatro horas para chegar aos moradores isolados.
A operação ocorreu em apoio à Defesa Civil. Duas embarcações foram utilizadas para alcançar as áreas atingidas pela elevação do nível da água. Crianças e idosos estavam entre as pessoas retiradas dos locais considerados de risco.
Após o resgate, as famílias foram entregues às equipes da Defesa Civil e encaminhadas para abrigos disponibilizados pela prefeitura de Iguape, onde receberam atendimento e assistência.
A operação ocorreu dias depois do início das fortes chuvas que provocaram enchentes e transbordamentos de rios em diferentes pontos do Vale do Ribeira. Cerca de 2 mil pessoas foram afetadas na região.
As chuvas mais intensas começaram na sexta-feira (11) e se prolongaram durante o fim de semana. Entre sexta (11) e domingo (13), o grande volume de água provocou inundações e a elevação dos rios da região.
Iguape esteve entre as cidades que registraram os maiores acumulados. Até segunda-feira (14), o município havia recebido 158 milímetros de chuva em três dias.
A situação se agravou principalmente devido à elevação do rio Ribeira de Iguape, que transbordou em diferentes trechos da bacia e atingiu áreas urbanas e rurais. Em Eldorado, uma das cidades mais afetadas, o rio chegou a subir cerca de nove metros nos primeiros dias da ocorrência.
A elevação do nível da água também foi influenciada pelo aumento da vazão proveniente da represa do rio Capivari, no Paraná, cujas águas seguem em direção à bacia do Ribeira de Iguape.
Segundo balanço divulgado pelo governo de São Paulo, aproximadamente 2 mil pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas no Vale do Ribeira. No momento mais crítico, ao menos 152 famílias chegaram a permanecer em abrigos temporários no Vale do Ribeira e na região de Itapeva. Foram disponibilizados 19 abrigos provisórios para receber moradores obrigados a deixar suas casas.
A situação variou ao longo dos dias conforme o nível dos rios avançou para diferentes municípios. Na quarta-feira (16), Registro ainda contabilizava 28 famílias desabrigadas, enquanto Sete Barras tinha outras 25 famílias nessa condição. Em Ribeira, Iporanga e Eldorado, por outro lado, as águas já haviam retornado à calha do rio e moradores começaram o trabalho de limpeza dos imóveis.
Até o balanço divulgado pelo governo de São Paulo, na quarta-feira (16), não havia registro de mortes nem feridos em decorrência das ocorrências provocadas pelas chuvas nas cidades do Vale do Ribeira.
As enchentes atingiram diferentes municípios da região. Eldorado, Registro, Ribeira, Iporanga e Barra do Turvo decretaram situação de emergência. Piracaia, em outra região do estado, também adotou a medida em razão das chuvas. Eldorado esteve entre os municípios mais castigados. Dezenas de famílias precisaram deixar suas residências preventivamente ainda no início da ocorrência.
Em Registro, levantamento da Defesa Civil municipal realizado na segunda-feira (14) apontou 23 áreas ou locais afetados, sendo seis áreas urbanas e 17 estradas ou regiões rurais com pontos ou trechos alagados.
Mesmo com o recuo das águas em algumas cidades, na quarta-feira o rio Ribeira de Iguape ainda apresentava pontos de extravasamento em Sete Barras, Registro e Pariquera-Açu, principalmente em áreas rurais.
A Defesa Civil e o Fundo Social de São Paulo encaminharam mais de 7 mil itens de ajuda humanitária para atender a população atingida. A operação inclui alimentos, água, colchões, produtos de higiene e outros materiais necessários às famílias.
A Secretaria de Estado da Saúde também reforçou o envio de medicamentos e insumos para os municípios afetados. Em Eldorado, uma unidade móvel do Poupatempo passou a atender moradores que perderam documentos durante as enchentes. Na zona rural, equipes da Secretaria de Agricultura e Abastecimento começaram a levantar os prejuízos e orientar produtores sobre a retomada das atividades.
O estado também prorrogou para 2027 parcelas do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) com vencimento entre 11 de setembro e 31 de dezembro de 2026 e prepara uma linha emergencial de custeio para produtores atingidos.
As ações estaduais incluem ainda trabalhos para recuperação de estradas, pontes e travessias danificadas pelas chuvas, além do atendimento a comunidades quilombolas da região.