PRESERVAÇÃO

Praia da Desertinha: usada para pesquisas científicas e educação ambiental em Peruíbe

Situada dentro de estação ecológica, praia conta com areia fina e firme e ondas médias, mas não pode ser utilizada para atividades esportivas

Praia da Desertinha: usada para pesquisas científicas e educação ambiental em Peruíbe
Desertinha tem 319 metros de extensão (última à direita) - Divulgação/Prefeitura de Peruíbe


A Praia da Desertinha, em Peruíbe, possui 319 metros de extensão e está situada integralmente dentro da Estação Ecológica Jureia Itatins (EEJI). A faixa de areia é caracterizada por ser fina e firme, com mar de ondas médias que atrai atenção durante períodos de swell.

No entanto, por integrar uma Unidade de Conservação de proteção integral, a área é destinada exclusivamente a atividades de pesquisa científica e programas de educação ambiental. Segundo a Fundação Florestal, o ecossistema local é sensível e abriga remanescentes preservados de Mata Atlântica e vegetação de restinga.

A Praia da Desertinha está inserida em um dos núcleos mais preservados da Estação Ecológica Jureia-Itatins (EEJI), unidade de proteção integral gerida pela Fundação Florestal. Por estar em uma zona de preservação rigorosa, o ambiente serve como um laboratório natural para o monitoramento de espécies endêmicas da Mata Atlântica. A paisagem é composta por costões rochosos e uma vegetação de restinga densa que chega até a linha da areia.
Em relação à balneabilidade, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) não realiza coletas semanais de rotina diretamente na Praia da Desertinha devido ao seu isolamento e restrição de uso público. No entanto, o monitoramento é feito em praias próximas, como a do Guaraú.



De acordo com o histórico da fundação, as águas da reserva mantêm altos níveis de pureza pela ausência de urbanização e fontes poluidoras. Especialistas recomendam que o visitante consulte o mapa de qualidade das águas da Cetesb antes de planejar atividades de campo na região.
A geologia local apresenta areia compacta e de granulação fina, o que facilita a caminhada em pesquisas de campo, mas exige atenção quanto às marés. Em dias de ressaca, a faixa de areia pode ser totalmente coberta, tornando o trânsito entre os costões perigoso. A fauna local inclui a presença de aves marinhas e, ocasionalmente, o registro de pegadas de mamíferos terrestres que utilizam a praia como corredor ecológico entre os fragmentos de mata.

Como chegar à Praia da Desertinha

O acesso para a Praia da Desertinha exige planejamento. O trajeto a partir do centro de Peruíbe é feito por uma via asfaltada de 8 km que leva ao bairro do Guaraú. Em seguida, o visitante deve percorrer 14 km em estrada de terra até a Praia do Caramborê.

A partir do canto esquerdo do Caramborê, o acesso final ocorre por uma trilha de mata fechada com percurso de aproximadamente 30 minutos. Por não possuir sinalização oficial e apresentar trechos de difícil navegação, a recomendação da administração da reserva é que o trajeto seja realizado apenas com guias credenciados pela prefeitura ou monitores da Estação Ecológica.



Regras e restrições na unidade de conservação

O uso da Praia da Desertinha é regido pelo Plano de Manejo da Estação Ecológica Jureia Itatins. Diferente de praias urbanas, o local possui restrições severas para garantir a integridade da biodiversidade. É proibido o desembarque de lanchas ou motos aquáticas na areia.

Não é permitido acampar, acender fogueiras ou levar animais domésticos, conforme a Lei Estadual 14.982 de 2013. A ausência de quiosques e infraestrutura urbana exige que o pesquisador ou estudante leve seus próprios suprimentos, sendo obrigatória a retirada de todo o resíduo gerado ao final da visitação.

Prática de naturismo e normas de conduta

A Praia da Desertinha é frequentemente associada à prática do naturismo em fóruns de viagens devido ao seu isolamento geográfico. No entanto, a Prefeitura de Peruíbe informa que não existe legislação municipal que regulamente o nudismo no local.



Por estar inserida em uma Unidade de Conservação de proteção integral, as normas de conduta são estabelecidas pelo Plano de Manejo da Fundação Florestal.

O acesso é restrito a atividades de educação ambiental e pesquisa científica. O descumprimento das regras de uso público na reserva pode acarretar em sanções administrativas conforme as diretrizes da Estação Ecológica Jureia-Itatins.

Monitoramento e visitação

A entrada na Praia da Desertinha para fins de educação ambiental deve seguir protocolos rígidos estabelecidos pelo Plano de Manejo da EEJI. O agendamento deve ser realizado com antecedência mínima junto à administração da reserva. Grupos escolares ou de pesquisadores precisam apresentar plano de trabalho detalhado e estar acompanhados por monitores ambientais credenciados.

Os guias autorizados para conduzir visitantes na região da Jureia possuem treinamento específico sobre a ecologia local e segurança em trilhas de mata fechada. Segundo a Prefeitura, o uso de guias não certificados é passível de fiscalização e impede o acesso aos pontos controlados da unidade. A contratação pode ser feita por meio de associações locais de monitores ambientais sediadas no bairro do Guaraú.

O trajeto pela trilha exige calçados fechados e vestimenta adequada para proteção contra insetos e vegetação espinhosa. Não há pontos de coleta de água potável ou sanitários no percurso, sendo responsabilidade do grupo levar recipientes reutilizáveis e remover qualquer resíduo sólido, incluindo material orgânico, para evitar a atração de fauna exótica ou alteração do comportamento dos animais nativos.



Observação de fauna marinha e aves na Jureia

Durante o período de inverno, entre os meses de junho e outubro, a região de Peruíbe integra a rota de migração de grandes cetáceos, como a baleia-jubarte e a baleia-franca.

Segundo dados do Instituto Gremar, que realiza o monitoramento de encalhes e avistamentos na Baixada Santista e Litoral Sul, a Praia da Desertinha funciona como um ponto estratégico de observação devido ao baixo impacto humano e isolamento.

A presença de correntes frias nesta época do ano favorece a aproximação dos animais da costa. Além dos mamíferos marinhos, a área é um refúgio para a avifauna. Pesquisadores da Fundação Florestal registram a presença constante de aves como o gaivotão e o atobá-pardo, que utilizam os costões rochosos para descanso.



A vegetação de restinga preservada também abriga o formigueiro-do-litoral, espécie endêmica e ameaçada de extinção. A observação desses animais deve ser feita sem interferência, respeitando a distância mínima estabelecida pelas normas da Estação Ecológica Jureia Itatins para evitar o estresse das espécies.

Perguntas frequentes sobre a Praia da Desertinha

  • Pode tomar banho na Praia da Desertinha? O banho é restrito a atividades de educação ambiental monitoradas, não sendo uma praia de lazer comum.
  • É possível levar cachorro na praia? Não, a entrada de animais domésticos é proibida por lei em toda a Estação Ecológica Jureia Itatins para proteger a fauna silvestre.
  • Tem estacionamento no local? Não há estacionamento na Desertinha. Os veículos devem ser deixados na Praia do Caramborê, respeitando as áreas de parada permitidas.
  • Qual a melhor época para visitar? A visitação acadêmica ocorre durante todo o ano, mas o acesso pela estrada de terra pode ser dificultado em períodos de fortes chuvas, comuns entre janeiro e março
  • Qual a distância entre o centro de Peruíbe e a Praia da Desertinha? O trajeto total soma aproximadamente 22 km de deslocamento terrestre, sendo 8 km por via asfaltada até o Guaraú e 14 km em estrada de terra até o Caramborê, seguidos por trilha
  • É permitido fazer churrasco ou acampar no local? Não. Por ser uma zona de proteção integral, é proibido acender fogueiras, acampar ou levar churrasqueiras. Toda a área é monitorada pela fiscalização ambiental.
  • Existe sinal de celular na Praia da Desertinha? O sinal de telefonia e internet é inexistente ou muito instável na região devido à densa vegetação e ao isolamento geográfico. Recomenda-se baixar mapas para uso offline antes de iniciar o trajeto Guaraú-Caramborê
  • Tem quiosques ou restaurantes na praia? Não existe nenhuma infraestrutura comercial. A Desertinha é uma área de preservação rigorosa. O visitante deve levar água e alimentos, lembrando que é obrigatório retornar com todo o lixo produzido.
  • Precisa pagar para entrar na Praia da Desertinha? O acesso para atividades de educação ambiental e pesquisa requer autorização da Fundação Florestal. Recomenda-se verificar taxas de contratação de monitores ambientais credenciados, que são obrigatórios para a realização das trilhas na Estação Ecológica Jureia-Itatins

Para mais conteúdos:

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!