Moradores são presos por 'gato' no bairro São João

Costa Norte
Publicado em 19/01/2017, às 07h35 - Atualizado em 23/08/2020, às 15h46

FacebookTwitterWhatsApp
Costa Norte
Costa Norte

Foto: JCN

Marina Aguiar

Cinco moradores do bairro São João foram presos na manhã desta quarta-feira, 18, por furto de energia elétrica, conhecido como 'gato'. Na terça-feira, 17, a Polícia Civil prendeu quatro moradores e no dia 23 de dezembro de 2016, outros quatro. Eles moram na rua Náutica, em situação irregular e não têm direito a energia elétrica. "Todos temos poste. Metade da rua tem transformador e a outra metade que não tem é obrigada a entrar no gato porquê tem filhos", criticou a doméstica Maria Helena Ribeiro.

Maria mora no bairro há cerca de 10 anos e afirma que quer pagar a conta de luz mas não consegue regularizar. "Nosso sonho é ver nossos postes com rede de luz", lamentou. "Ninguém é vagabundo, eu ganho R$ 1000, sustento meu marido que está desempregado e dois netos. Se eu for presa quem vai cuidar da minha casa?", estourou.

Vizinho de Maria, Izaquiel Augusto da Silva é açougueiro e foi preso na manhã de hoje, 18. "Eles disseram que a gente ia prestar uma declaração, mas chegando lá me prenderam e deram um valor de fiança de R$ 470. Eu não tinha o dinheiro, tive que pegar emprestado", desabafou.

De acordo com o delegado titular de Bertioga, Sérgio Nassur, o furto de energia elétrica é comparado ao furto de qualquer outro bem de valor, como um telefone celular. "A diferença é que este é um crime permanente e está em estado de flagrância. Constatada a situação a lei impõe voz de prisão. Não digo que eles são criminosos, mas estão sim cometendo um crime".

Quanto à fiança, o delegado esclarece que o crime é afiançável, mas que o valor foi reduzido de acordo com a possibilidade financeira dos envolvidos. "O valor de fiança mínima é um salário mínimo. O que nós fazemos é, dentro do que a lei nos autoriza, reduzir o valor abaixo no mínimo legal", afirmou. "Nós temos que cumprir com a lei, senão transformamos a cidade em um passaporte para a prática criminosa liberada, sem reprimenda. Nossa sociedade entraria num estado que chamamos de 'anomia', sem leis, nem regras", explicou.

Revoltados, os moradores reuniram cerca de 20 pessoas para protestar na prefeitura de Bertioga e tiveram uma reunião com o prefeito Caio Matheus (PSDB), que afirmou ter sido pego de surpresa. "Recebi o problema hoje e a nossa assessora jurídica vai entrar em contato com a delegacia pra entender os ofícios que eles receberam e quem provocou essa ação da polícia. Com o panorama geral a gente vai planejar uma ação pra resolver os problemas desta população", informou.

O chefe do executivo também destacou a importância de conter as invasões. "Precisamos congelar as invasões em Bertioga. Tolerância zero! Mas pras pessoas que moram na cidade há anos e estão sofrendo com a falta de regularização fundiária, foi feita a solicitação de que todos nós cooperemos, com monitoramento e denúncias. De qualquer forma, em breve vamos colocar em prática um plano de congelamento em toda a extensão de Bertioga, de Caiubura a Boraceia", comprometeu-se.

Comentários

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!