Dois homens eram colegas na função de guarda-vidas, um Policial Militar Bombeiro e outro guarda-vidas temporário; ambos tiveram relacionamento com a mesma mulher em circunstâncias ainda nebulosas; bombeiro chegou a apresentar versão que foi contradita por testemunhas e foi preso em flagrante por homicídio qualificado

Um Bombeiro Policial Militar de 32 anos foi preso em flagrante por homicídio qualificado na noite desta quinta-feira (04), em Mongaguá, após desferir um disparo de arma de fogo no rosto de um guarda-vidas de 29 anos que morreu no local.
Os dois, que exerciam a função de guarda-vidas na cidade, se conheciam e mantiveram, em circunstâncias ainda nebulosas, um relacionamento com a mesma pessoa, uma autônoma de 37 anos.
Após o ocorrido, num primeiro momento, o PM bombeiro alegou que havia sido perseguido por um motoqueiro, e, acreditando que seria assaltado, reagiu. Depois, porém, confrontando a versão do bombeiro com a de outras testemunhas, a polícia encontrou inconsistências e prendeu o bombeiro em flagrante por homicídio qualificado.
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Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Publica de São Paulo declarou que o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela Delegacia de Mongaguá e que a Polícia Militar acompanha as investigações.
A suposta reação a um assalto
Pouco antes das 11h da noite desta quarta-feira, a polícia atendeu a uma ocorrência de disparo de arma de fogo no Jardim Riviera, em Mongaguá. Lá estava o bombeiro. O cadáver do guarda-vidas também estava no local.
De acordo com informações, num primeiro momento, ele declarou aos policiais que estava sozinho e que havia sido perseguido por um motoqueiro.
O bombeiro disse que parou o carro e desceu para verificar o motivo pelo qual o motoqueiro o estava seguindo. Momento em que o motoqueiro parou a moto, desembarcando desta e indo em sua direção e que, acreditando que ia ser roubado, sacou de sua pistola, disse ao indivíduo para que parasse, porém o mesmo não obedeceu e continuou andando em sua direção, tendo então o Policial Militar desferido um único disparo com sua pistola em direção à vitima que ali mesmo caiu, atingindo-o na face no lado esquerdo, abaixo do olho.
O relato da mulher
Segundo o relato da mulher que teve um relacionamento com os dois homens, ela estava em seu carro com o Policial Militar no momento em que o guarda-vidas temporário chegou com sua moto no local.
O motociclista, de acordo com o relato, parou a moto na lateral do veículo, do mesmo lado onde ela se encontrava, olhou para ela, recuou a motocicleta, desceu da moto e passou andando na frente do veículo. Então o guarda-vidas que morreu teria retirado o capacete e caminhado na direção do policial que estava ao lado dela no carro. O policial teria mandado que o guarda-vidas parasse e em seguida desferido-lhe um disparo que o derrubou na hora.
A distância que ela relata que houve o disparo, meio metro, também bate com o calculado pela perícia. Após o disparo, ela declarou que o policial a levou do local do crime e saiu com seu carro.
Outras testemunhas
Outra testemunha que reside na região, contradisse a versão de reação a um suposto assalto do policial e reforçou a versão da mulher ao declarar que ouviu um disparo de arma de fogo e enquanto isso ouvia voz de uma mulher na rua gritando: "Meu Deus, meu Deus, e agora. Vamos sair daqui". E em seguida, ouviu que um veículo foi ligado, e mais alguns minutos depois pôde ver pela janela uma moto estacionada na rua e outro veículo chegando no local.
A prisão
O Policial foi preso em flagrante por motivo fútil. No confronto das versões e com os dados da perícia, a versão dele não convenceu. O delegado entendeu que os elementos informativos e de prova colhidos fornecem indícios suficientes de autoria delitiva e da existência do crime de homicídio, na sua modalidade dolosa e qualificada.
Ele amparou a conclusão também nas declarações dos policiais militares que chegaram ao local e ouviram a primeira versão do bombeiro.
O Bombeiro foi encaminhado ao presídio militar Romão Gomes.
A defesa do bombeiro
Por meio de nota, o advogado do bombeiro, Celso Carlos Perezin Junior, disse que houve um engano no presente crime, tendo em vista que o bombeiro efetivamente acreditou que seria vítima de violência e apenas defendeu-se da possível injusta agressão.
O advogado declarou que "trata-se de uma fatalidade o acusado encontra-se profundamente consternado com os acontecimentos". Perezin também disse que a defesa vai atuar junto ao estado no sentido de esclarecer os fatos provando a inocência do bombeiro, haja vista que este agiu em legítima defesa.