
*Foto Mayumi Kitamura A ex-secretária de Educação e atual pré-candidata a prefeita de Ilhabela, Lidia Sarmento (PPS) tem muito claro o que precisa ser feito para Ilhabela: “Continuar os trabalhos implantados e iniciados pelo atual prefeito”, afirma, referindo-se a Antônio Colucci. A escolhida da situação, Lídia, que reside no arquipélago há 23 anos, sabe de cor todas as principais conquistas da administração da qual participa desde 2009, e garante que, apesar de vir da Educação, a prioridade, caso seja eleita, será ampla. “O foco será educação, mas também saúde, meio ambiente e turismo. Enquanto gestor da máquina, o prefeito tem que ter foco em todos os setores, assim como pessoas de confiança em todas as áreas. Terminar saneamento básico é importante, trabalhar o turismo o ano inteiro é essencial, já que daí depende nossa sobrevivência. Temos que aumentar o turismo ecológico e de aventura, por exemplo”.
Escola período integral
Ela esteve no programa Café da Manhã da TV Costa Norte, na segunda-feira, 13, onde lembrou que a sua principal bandeira é a educação. A proposta é clara: ampliar o serviço de aula período integral, atualmente implantado em 60% da rede pública, para 100% das unidades. “Quando assumi, só tínhamos municipalizado o ensino infantil e fundamental I. Já estendemos o guarda-chuva para o fundamental II, sexto ao nono ano e também às creches, que antes eram terceirizadas. São cerca de 7 mil alunos, e todos devem ser atendidos período integral”.
Além da municipalização, Lídia destaca a implantação de novas disciplinas, como artes e inglês, agora na grade curricular para crianças a partir dos 4 anos. “Considerando que moramos em uma cidade turística, importante aprender a segunda língua desde cedo, quando se tem maior facilidade de aprendizado”. Sobre as aulas período integral, a pré-candidata destaca ser uma necessidade do mundo moderno, quando muitos pais e mães trabalham fora. “São oito horas sob a tutela do município. Além de toda a parte acadêmica e pedagógica, que já tinha, trouxemos mais esporte, cultura, lazer, educação ambiental e social e resgate às brincadeiras e à cultura caiçara”.
Com a maior permanência na escola e ampliação da grade, a educadora destaca já ser sensível uma mudança nos alunos: “Notamos uma melhora no comportamento das crianças, tanto no social quanto no aprendizado”. O ensino integral mantém os alunos da rede na escola por oito horas. Já as unidades com contraturno têm esse período um pouco maior, nove horas, e as escolas de primeira infância têm turnos de dez horas – com fornecimento de quatro a cinco refeições diárias. Para a pré-candidata, essa assistência deve se refletir também na criminalidade, com uma redução dos pequenos furtos. “Esses roubos têm normalmente relação com uso de drogas. A médio ou longo prazo a escola integral vai ajudar muito nisso. Estando nove horas na escola, com esporte, cultura, mesmo que no ensino médio ele não tenha a escola integral, o aluno já adquiriu uma base para não ir por esse caminho”, acredita.
Atualmente, segundo Lidia, o orçamento dedicado à educação está estimado em R$100 milhões de reais, cerca de 30% do total do município. “A lei exige 25% de investimentos em educação e nós investimos 30%. Não é gasto, é investimento. Não podemos ter 40 alunos em sala de aula. Eles precisam de mais espaço. Implantamos sala de informática, de ciências, de leitura... Temos melhorado a estrutura de toda a rede”.
A candidatura
Sobre a razão de ser candidata, Lidia afirma ser reflexo do carinho que tem pela cidade e do desejo de ver o trabalho continuado. “O meu carinho por Ilhabela me levou a buscar a prefeitura. Além disso, nesses oito anos, a construção do legado foi muito grande, tenho muito respeito por essa construção. O convite de Colucci foi irrecusável por tudo que construímos juntos e pelo que tem que continuar”.
A aceitação do prefeito na cidade, segundo ela, é um grande diferencial. “Tenho o apoio do Colucci, um dos fatores positivos dessa pré-candidatura, porque ele tem uma aceitação muito grande. Ilhabela era uma antes e agora é outra depois dele. Eu estou indo nas casas, feito encontros, conversado com muitas pessoas e vejo o quanto ele é querido. Essa aprovação popular é muito estimuladora”.
Sobre a base política, a pré-candidata afirma não haver inimizades. “Não teve cisão na minha indicação. Existiam expectativas maiores de algumas pessoas, mas alguns fatores foram filtrando e a maioria acatou a minha indicação, mesmo alguns que ficaram sentidos em um primeiro momento”. Sobre seu preparo, Lídia afirma conhecer muito bem Ilhabela, um reflexo da integração entre as pastas na prefeitura. “Estava na educação, mas saúde, esporte e cultura também cresceram bastante, e tivemos várias parcerias. Fui acompanhando todas as necessidades e ações. Hoje sei porque cada obra foi feita, sua razão e demanda”.
Além disso, a pré-candidata destaca sua atuação antes da prefeitura, quando teve contato com realidades de toda a Ilha. “Assim que cheguei , trabalhei em um clube de serviço onde fazia a prestação de serviços à comunidade. Então, já no segundo ano na cidade eu visitava comunidades distantes e tradicionais. Tive trabalhos realizados e utilizados depois pela prefeitura e polícia militar, por exemplo”.
A pré-candidata afirma que, apesar das recentes ações no sistema de travessia entre Ilhabela e São Sebastião, com devolução de balsa em manutenção e chegada de embarcações com maior capacidade, o sistema ainda é insatisfatório e a briga com a Dersa – estatal responsável pelas travessias no estado - deve continuar. “Temos muitas pessoas que trabalham na ilha e vêm de outras cidades da região. Cerca de 60% da nossa rede docente atravessa a balsa diariamente. Quando a travessia é interrompida, o prejuízo não é só para turistas e munícipes, como para nossos alunos e setores públicos, que têm servidores de fora. Em algumas ocasiões, as balsas até conseguiriam atravessar, mas não o fazem por dificuldade em atracar. Esse sistema tem que ser melhorado. Eles (Dersa) precisam entender que os investimentos nos municípios onde a balsa é o único acesso devem ser prioritários”.
Sobre outra briga, essa pelo voto dos eleitores, Lídia afirma estar confiante: “Se não entendesse que tinha chances de vencer não entraria na briga. É uma batalha árdua, exige muito trabalho, dedicação, exposição minha e da minha família, mas acredito na vitória”, conclui.