
* Fotos: Divulgação/Queiroz Galvão
Por Marina Veltman
De acordo com Laurence Casagrande Lourenço, presidente da Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A, as obras da Nova Tamoios, que ocorrem atualmente nas cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, devem afetar positivamente o desenvolvimento urbano local, deixando um legado permanente para a região. Em entrevista exclusiva ao Jornal Costa Norte, Laurence aborda os benefícios imediatos que poderão ser sentidos pela população local assim que as obras forem concluídas, os reflexos da construção na economia local e a nova estrutura urbana que se está desenhando na região.
Nova Tamoios: uma necessidade
Sobre a relevância de se construir a Nova Tamoios na região, o presidente da Dersa aborda a saturação das vias, em decorrência do desenvolvimento local: “A região do litoral norte vem passando por um desenvolvimento muito grande ao longo da última década. Além do fluxo turístico elevado, possui um porto importante, de calado natural expressivo, responsável pelo abastecimento de combustível de boa parte da região Sudeste e Centro-Oeste do país, ajudando uma parcela significativa do território nacional a manter-se em movimento. Esses eventos - o boom turístico, o incremento da atividade portuária e o pré-sal – vêm fazendo as cidades da região se desenvolverem, trazendo um fluxo maior de pessoas para a região. Isso exige uma ampliação da capacidade viária de ligação do litoral norte com o restante de São Paulo”.
De acordo com Laurence, o projeto Nova Tamoios (planalto, serra e contornos) teria essa finalidade, de melhorar a capacidade viária, com um benefício: a segregação do fluxo urbano do fluxo rodoviário. “Atualmente, esses fluxos convivem juntos, e isso traz um prejuízo enorme. O índice de acidentes na SP-55, por exemplo, é seis vezes maior do que a média das outras rodovias do estado, entre atropelamentos, colisões e engarrafamentos, uma decorrência dessa baixa qualidade e saturação do sistema viário. Daí a necessidade de segregar a movimentação natural, da população local, dessa outra, rodoviária”.
Benefícios imediatos
As vantagens dessa separação de movimentações já poderiam ser sentidas imediatamente após as conclusões das obras. “A rodovia irá jogar o seu fluxo para o perímetro externo, na Nova Tamoios, liberando o interior, de área urbana, para o desenvolvimento de trânsito local. Trará uma capacidade nova desses municípios requalificarem o espaço urbano, criado condições para o desenvolvimento. Em Caraguá, por exemplo, instalações de características retroportuárias podem ir para as margens da rodovia, e não mais ficarem à beira da cidade”.
Em São Sebastião, a região de Jaraguá deve ser, de acordo com o presidente da estatal, amplamente favorecida. “A região central de São Sebastião tem um relevo muito acidentado. A montanha termina praticamente dentro do mar, em uma geografia diferente de Caraguá, que tem mais espaço. Só que São Sebastião tem uma grande área plana, importante, na região do Jaraguá, que hoje não tem esse potencial aproveitado por sua distância do centro. A rodovia reduzirá muito o tempo de viagem entre essas áreas, tornando esse deslocamento, hoje difícil, para poucos minutos, tornando essa ampla área em local de fácil e rápido acesso. Os municípios ganharão uma característica mais urbana em suas regiões centrais, menos perfil de rodovia, com requalificação total do espaço urbano e consequente maior aproveitamento. Hoje, ao passar pelo município de São Sebastião, você tem curvas sinuosas, rampas íngremes, veículos lentos em circulação, perda de capacidade de fluidez da avenida... Isso muda agora”.
De acordo com o presidente da Dersa, a circulação dos turistas em trânsito também será facilitada. “Em Caraguá, o contorno novo encontra a rodovia Tamoios na região da praia de Martim de Sá. Assim, quem está vindo de Ubatuba pega direto o contorno, não passando por dentro do centro. A mesma coisa o fluxo para Ilhabela, que será direto pelo contorno, desafogando São Sebastião. Esse fluxo, dividido, permitiria uma organização muito maior da discussão do tráfego, não só na temporada, como fora dela também. Com a inauguração do contorno, a SP-55 passa a ter características de avenida e vicinal. O morador que quiser ir à padaria no domingo à tarde terá muito mais tranquilidade”
Sobre os problemas que os municípios, em especial São Sebastião, têm enfrentado com a obra, Laurence destaca o conhecimento das dificuldades enfrentadas pela população, e pede paciência. “Esse empreendimento, cuja maior dificuldade é o acesso à obra, causa um transtorno grande para a comunidade. Temos trabalhado e orientado todos na importância de mitigar e diminuir ao máximo esses transtornos. Pedimos a compreensão de todos de que essa dificuldade é passageira e transitória, e resultará em uma qualidade de vida muito maior, que superará o transtorno enormemente. Estamos organizando as cidades e dando condições de se buscar um novo perfil de desenvolvimento e espaço urbano. Tudo depende do protagonismo dos prefeitos. Quem souber aproveitar melhor a oportunidade, gerará melhores benefícios”.