Homem não deu mais sinais de vida após sair de bicicleta de Assis; após três dias de agonia, irmã acredita tê-lo revisto em Ourinhos, a mais de 70 km de casa: “Era ele mesmo, era ele, não temos dúvida de que era ele”
Foi avistado em Ourinhos, no interior de SP, o pescador desaparecido há três dias, após sair de bicicleta de Assis, onde residia com sua irmã, prometendo retornar pedalando a Itanhaém, no litoral de SP, cidade onde morava antes.
Na tarde do último domingo (11), o pescador desempregado Marcos da Silva Pires, de 48 anos, pegou sua bicicleta e disse à sua irmã que iria retornar para Itanhaém, sua cidade natal, onde exerceu por anos o ofício de pescador.
Depois disso, o pescador não deu mais sinais de vida. Isso até o final da tarde desta quarta-feira (14) quando Marcos foi avistado por familiares em Ourinhos, a cerca de 80 km de Assis e 470 de Itanhaém.
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“Era ele mesmo, era ele, não temos dúvida [de] que era ele”, afirmou, na noite desta quarta-feira, a cuidadora infantil Andréa Pires, irmã de Marcos. Apesar de o avistar, Andréa não conseguiu falar com o irmão, que desapareceu no horizonte em sua bicicleta instantes após ser visto por ela.
Após dar indícios de que planejava pedalar quase 600 km rumo a Itanhaém, Marcos desapareceu no último domingo, relata Andréa.
“Ele saiu de casa e não voltou mais. Todos os sentimentos horríveis [me] vêm à mente, estou buscando forças para acreditar que ele esteja bem”, afirmou, na manhã desta quarta-feira (14), a cuidadora infantil, horas antes de avistar o irmão em Ourinhos.
Na ocasião, Andrea temia que o irmão tivesse resolvido ir de bicicleta de Assis para Itanhaém e se preocupava com a integridade e paradeiro do familiar.
“No sábado (10), já senti que ele estava nervoso, e no domingo ele teve um surto, arrumou uma mochila com pouca roupa, pegou a bicicleta e saiu dizendo que estava indo embora”, preocupou-se ela.
De acordo com Andréa, Marcos sofre de alcoolismo e dependência química. Além do desemprego, foi precisamente por esses motivos que ele foi morar com ela, há menos de um mês.
“Devido à procura de emprego, meu irmão veio morar comigo em Assis, pois, com a pandemia, a situação se agravou e ele pediu apoio”, esclarece ela.
De acordo com Andréa, dias antes do desaparecimento, ao caminharem próximos à rodovia Raposo Tavares, que perpassa a cidade de Assis, o irmão fez menção a um desejo de pegar sua bicicleta e retornar pedalando para Itanhaém.
Na tarde desta quarta-feira, Andréa afirma que recebeu mensagens nas redes sociais de que alguém com as características de seu irmão teria sido avistado em Ourinhos, a leste de Assis, portanto sentido Itanhaém.
Junto de sua filha, a mulher foi até Ourinhos buscando indícios do paradeiro do irmão. Em um Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Ourinhos, ela confirmou a passagem do irmão pela cidade.
“O pessoal do Creas nos atendeu direitinho [e nos] disseram que ele realmente foi visto por lá. Deram o nome dele, tudo direitinho. Só que assim, andamos pela cidade toda e não o encontramos”, relata Andréa.
Entretanto, quando, na companhia da filha, Andréa se preparava para deixar Ourinhos, na rodoviária da cidade, ela avistou um homem pedalando nas proximidades.
“A gente estava esperando na rodoviária, e vimos ele passando de bicicleta. A gente gritou, gritou por ele. Tentamos correr, gritamos o nome dele, tudo. A minha filha ainda pegou um mototáxi, saiu atrás dele, tudo, mas como a bicicleta dele é muito rápida, de ciclista, a gente não conseguiu alcançar ele. Perdemos ele de vista”, afirma Andréa, num misto de angústia e alegria por ter revisto o irmão.
“O bom é que a gente viu que ele tá bem. Não tá alcoolizado nem nada”, se alegra a cuidadora infantil de 49 anos que tem procurado o irmão.
Após tê-lo avistado em Itanhaém, a suspeita de que Marcos resolveu pedalar até o litoral se confirmou para Andréa.
“A gente acredita que ele esteja pegando [a estrada] de madrugada, parece que ele pedala até mais ou menos [enquanto] ele aguenta o sol.”, afirma Andrea, que completa, apreensiva. “Agora é orar pra que não aconteça nada com ele na estrada”.