Incor examina vítimas da Localfrio


Costa Norte
Publicado em 26/02/2016, às 16h51 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h03

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*Foto: Pedro Rezende

Vítimas do incêndio da Localfrio, ocorrido em 14 de janeiro, passaram por especialista do Instituto do Coração – Incor, na última semana, na Unidade de Saúde da Família Gentil Nunes Neto, no Jardim Conceiçãozinha. O atendimento é resultado do levantamento que a prefeitura realizou, com base nos registros das pessoas que passaram pelas unidades de saúde, internações e ainda por meio de busca ativa casa a casa.

Com esta amostragem, a Secretaria de Saúde definiu um cadastramento e convocou setenta e nove pessoas que inalaram a fumaça e apresentaram alguma complicação, para um atendimento especializado. O pneumologista do Incor, Ubiratan de Paula Santos, respondeu pelo atendimento, juntamente com sua equipe de médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e farmacêuticos. A ação teve apoio da Unisantos.



O médico explicou: “Nossa proposta foi realizar uma avaliação mais específica. Os casos de maior gravidade serão encaminhados para uma nova etapa de exames em São Paulo. Além do atendimento, dos exames de função pulmonar que estamos fazendo em todos os pacientes, solicitamos dados e índices da Secretaria de Saúde de Guarujá para analisarmos, posteriormente, como o incêndio afetou a população”.

De acordo com o diretor de Atenção Básica de Guarujá Edgar Manetti, o trabalho de atendimento especializado é um complemento da ação que aconteceu imediatamente após ao acidente. “Contabilizamos 354 atendimentos por causa da fumaça, nas unidades. Convocamos as pessoas em estado mais grave para passarem por um atendimento e exame”, explica.

Iracema da Silva foi uma das primeiras a comparecer à Usafa para receber o atendimento. A moradora da avenida Santos Dumont passou por contato prolongado com a fumaça. Ela nunca apresentou problema respiratório, mas sempre teve alergia ao cloro, o que provocou uma reação. “Passei no atendimento do convênio desde o começo, porém tenho tido falta de ar e outras dificuldades de respiração. Além disso, desenvolvi dermatite. Recorrentemente tenho tomado medicações, mas tudo sem sucesso definitivo. Na minha casa, moramos eu e meu marido, porém as complicações só apareceram para mim”, contou.



A cozinheira Maria Helena Aires Correia trabalhava em uma empresa próxima ao local. No momento do incêndio, ela estava sozinha e por isso só ela teve reações no trabalho. “No dia tive enxaqueca e falta de ar, procurei a UPA e fiquei 15 dias de atestado por causa das complicações. Acho muito importante esta ação, não adianta só ver a situação da população na hora se, em muitos aqui, os sintomas continuam”, disse.

Todos os pacientes que foram à unidade passaram por atendimento e realizaram exame de função pulmonar. Dos 79 pacientes, três foram encaminhados para uma nova sessão de exames em São Paulo. Os demais pacientes, como Iracema e Maria Helena, que ainda sentem o impacto e os sintomas, receberam prescrições e serão monitorados.

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