
Vinte horas foi o tempo que moradores e veranistas foram obrigados a aguardar para transitarem entre os municípios de São Sebastião e Ilhabela, entre esta quarta e quinta-feira (14 e 15). O motivo foram os fortes ventos que atingiram a região e impossibilitaram a execução do serviço entre as duas cidades. A balsa parou de funcionar às10h25 de quarta e voltou a operar somente às 6h50 do dia seguinte, informou a Dersa, empresa responsável pela travessia. A ventania no canal aberto foi tão intensa que atingiu 44 nós, o que equivale a 79,2 km por hora. A quantidade de nós atingida é quase o dobro da permitida para a realização do serviço. Isto porque, segundo a Dersa, para o funcionamento das balsas são seguidas normas da Capitania dos Portos, onde as travessias podem ser efetuadas com até 21 nós (37,8 km/h). A Dersa ressaltou ainda que novas situações como essa podem voltar a acontecer, dependendo apenas de condições climáticas. O último registro semelhante ocorreu em julho passado. Na ocasião, a travessia ficou parada por 19 horas.
Elogios O coordenador técnico operacional da Dersa, Ibsen Trench Gomes, elogiou a iniciativa da prefeitura de São Sebastião em acolher os usuários da balsa, devido a interrupção das travessias pelo canal de São Sebastião, na quarta-feira. Como o mau tempo impedia a travessia, seis agentes da Defesa Civil sob o comando de Carlos Eduardo dos Santos, o Carlão, removeram mais de 200 pessoas que estavam na fila entre crianças, jovens e adultos. O grupo foi levado ao Teatro Municipal onde foi recebido com lanches e bebidas quentes (chocolate e café com leite); colchões e cobertores também foram distribuídos. De acordo com o coordenador, o acolhimento feito pela Administração foi uma ação humanitária. “Nossos usuários foram tratados como seres humanos, simples assim”, disse Carlão. Ainda segundo afirmou, entre eles haviam pacientes de quimioterapia. “Sei muito bem o que é isso, pois já fiz um tratamento severo com químio e acolher essas pessoas, dar-lhes abrigo e cobertas, foi um ato de dignidade”.
Monitoramento A Defesa Civil continua com os monitoramentos na costa sul, onde o mau tempo provocou algumas ocorrências, a exemplo do deslizamento de terra na antiga estrada entre Juquehy e Barra do Una resultando na interrupção momentânea da pista para a remoção do barro. Porém, na manhã desta quinta-feira (15) a pista foi liberada para os motoristas. Outra ocorrência foi a remoção de uma família de seis pessoas no Morro do Esquimó, em Juquehy. “A área continua muito encharcada e até que o solo esteja mais seco, não autorizaremos o retorno deles para o imóvel”, falou, explicando que Paulo de Almeida e seus familiares continuam abrigados na casa de parentes em Boracéia. “A cada cinco horas monitoramos o local”, concluiu. Ainda segundo Carlão, uma cobra invadiu a sala de uma casa no Caminho do Meio, em Cambury, e impediu a saída de seus moradores até a chegada da equipe.