Para chegar ao destino isolado, é preciso ir de barco ou encarar uma trilha de 12km que leva até seis horas para ser percorrida

Eleita pelo jornal britânico The Guardian como uma das mais belas praias do Brasil, a praia do Bonete, localizada no extremo sul de Ilhabela, conserva hoje um dos retratos mais fiéis do litoral norte paulista, com sua beleza crua, acesso difícil e uma população que, por gerações, fez do lugar a sua moradia.

A praia tem cerca de 600 metros de extensão e está situada em uma enseada que recebe diretamente as ondulações do mar aberto, com ondas expressivas em muitos dias e uma paisagem de areal curvado entre costões e morros cobertos pela Mata Atlântica. O entorno faz parte da área protegida do Parque Estadual de Ilhabela, que preserva grande parte da vegetação e das faunas locais
Além da faixa de areia e do mar, o entorno apresenta pequenos cursos d’água e quedas, além de trilhas que levam a mirantes sobre a enseada. Há ainda o rio Nema, que deságua no mar, um paraíso para as crianças, com suas águas transparentes.
A fauna e flora da região são típicas da Mata Atlântica costeira, com vegetação diversificada, aves e espécies marinhas próximas ao litoral. A unidade de conservação do Parque Estadual contribui para manter esses ecossistemas mais protegidos do que outras áreas mais acessíveis do litoral.
A Praia do Bonete possui infraestrutura voltada ao turismo de base comunitária, com pousadas e restaurantes rústicos geridos por moradores locais. Não há rede de energia elétrica convencional, o abastecimento ocorre por geradores ou placas solares. Segundo a Prefeitura, o sinal de telefonia móvel é inexistente na maior parte da vila, com internet disponível apenas via satélite em alguns estabelecimentos.
A balneabilidade deve ser verificada nos boletins semanais da Cetesb, pois a qualidade da água varia conforme o regime de chuvas. O uso de repelentes é essencial para evitar picadas de borrachudos.
Os frequentadores podem aproveitar a praia e os mirantes que oferecem vistas panorâmicas do mar e das serras, fazer caminhadas e trilhas curtas nos arredores, e, ainda, experimentar a vivência com a comunidade caiçara local.
É importante planejar a viagem com antecedência e, principalmente, checar a previsão do tempo e condições do mar; se for de barco, confirme horários e disponibilidade; se for pela trilha, leve água, protetor solar, repelente e calçado apropriado.
Sempre respeite a comunidade. Pergunte antes de fotografar pessoas e não deixe lixo. Ao mergulhar ou nadar na praia, informe-se sobre os locais apropriados. Se fizer alguma trilha, informe alguém sobre seu roteiro. Outra dica é sempre levar dinheiro em espécie, pois por se tratar de uma comunidade isolada, nem sempre há internet ou maquininhas funcionando.
Entre os meses de junho e agosto, a Praia do Bonete entra na rota de migração das baleias-jubarte. Segundo o Instituto Argonauta, os mamíferos buscam o litoral norte para reprodução e amamentação. É possível observar os saltos dos mirantes da trilha ou por meio de embarcações autorizadas.
Os passeios de avistamento devem seguir as normas de distância e segurança estabelecidas pela Marinha do Brasil e órgãos ambientais para evitar o estresse dos animais. O município também promove eventos sazonais como o Festival da Baleia para celebrar a passagem da espécie.
O Bonete é reconhecido como o principal destino de surfe em Ilhabela. Durante a temporada de outono e inverno, a entrada de ondulações de sul e sudeste gera ondas consistentes que podem atingir até 3 metros de altura. O pico possui fundo de areia e exige preparo físico dos praticantes devido às correntes intensas. Segundo praticantes locais, o melhor momento para o esporte ocorre com vento do quadrante norte, que atua como terral na face das ondas.

A comunidade do Bonete é composta por cerca de 700 moradores que mantêm tradições caiçaras no extremo sul de Ilhabela. O isolamento geográfico preserva a arquitetura local e a biodiversidade da Mata Atlântica, integrante do Parque Estadual de Ilhabela.
O acesso à vila exige planejamento prévio, com opções de transporte por mar em embarcações de pequeno porte ou por meio de uma caminhada de 12 quilômetros. O percurso por terra atravessa áreas de mata fechada e três cachoeiras, exigindo preparo físico dos visitantes.
Alguns receptivos turísticos de Ilhabela oferecem passeios até a praia, mas, os mais aventureiros, preferem chegar de canoa com os caiçaras locais, que fazem o transporte até o lugar. Há saídas da praia do Perequê, na região mais urbanizada de Ilhabela, e do centro de São Sebastião, cidade vizinha.
As canoas levam cerca de 1h a 2h, dependendo das condições do mar. Enquanto navegam pelo canal de São Sebastião, o mar é tranquilo, mas, à medida que a embarcação contorna a ilha, sentido sul, as águas ficam mais agitadas, pois inicia-se o trajeto em mar aberto. As pequenas embarcações, feitas em madeira, rompem ondas que podem chegar a mais de dois metros de altura.
Já a chegada pela trilha exige disposição física para encarar o trajeto, que rompe a Mata Atlântica e passa por três cachoeiras. O início da trilha está localizado no bairro Borrifos, no sul da ilha, onde termina o asfalto, O nível de exigência é de moderada a alta, com trechos de subida e descida, passagem por mata fechada e pontos de lama em épocas de chuva. Para quem opta pela trilha, a chegada transforma-se num prêmio ao esforço, pois a praia surge quase de surpresa ao fim do caminho.