Acesso exige percurso pela estrada dos Castelhanos e duas horas de trilha para chegar a um trecho de areia branca e fina

A praia da Figueira fica na cidade de Ilhabela, litoral norte, a 210 quilômetros da capital paulista. O local funciona como refúgio de difícil acesso, ideal para aventureiros e turistas em busca de tranquilidade e contato com a natureza.
A praia possui 300 metros de orla com areia fina e branca. O mar tem águas calmas, verdes e transparentes, condições que atraem banhistas para a prática de mergulho, pesca e esportes náuticos. O trecho é quase deserto e abriga uma comunidade caiçara composta por apenas dez moradores.
A Praia da Figueira não possui infraestrutura turística, como quiosques, sanitários ou iluminação pública. O local é um ambiente de preservação rigorosa e o visitante deve levar os próprios suprimentos, além de retirar todo o lixo produzido.
Com o início do swell de sul em maio de 2026, a praia torna-se ponto de interesse para surfistas experientes. As ondas de mar aberto ganham volume e força neste período, exigindo cautela devido às correntes marítimas e ao isolamento da área.
O ecossistema da praia da Figueira é composto por vegetação densa de Mata Atlântica preservada, integrada ao Parque Estadual de Ilhabela. A área serve como berçário natural para diversas espécies marinhas e terrestres.
Durante o inverno, entre os meses de junho e agosto, as águas do litoral norte paulista tornam-se rota migratória de baleias-jubarte e baleias-franca. Segundo dados do Instituto Argonauta, o avistamento desses cetáceos é comum na costa leste da ilha, onde a praia está localizada. A baixa movimentação humana no local favorece a aproximação dos animais da orla.
A fauna local também inclui aves raras e fauna marinha visível em mergulhos de flutuação. Devido à transparência da água, é possível observar cardumes e tartarugas próximas às rochas nos cantos da praia. A preservação do local é garantida pela gestão da Fundação Florestal SP, que monitora a integridade da Unidade de Conservação.
Visitantes são orientados a não alimentar animais silvestres e a recolher todo o lixo produzido, uma vez que não há serviço de coleta municipal regular nesta faixa de areia isolada.
A praia integra o Parque Estadual de Ilhabela, área de proteção integral gerida pela Fundação Florestal. O regulamento proíbe o acampamento, o uso de fogueiras e a entrada de animais domésticos para evitar impactos à fauna e flora nativas.
A comunidade caiçara local é protegida por leis de salvaguarda cultural, sendo vedada qualquer atividade que interfira no modo de vida tradicional dos moradores.
O uso de drones para fins profissionais ou comerciais depende de autorização da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
O acesso terrestre exige planejamento e preparo físico. O trajeto inicial ocorre pela estrada de Castelhanos, que possui 15 quilômetros de extensão em solo de terra. O percurso requer veículos com tração 4x4, motocicletas preparadas ou bicicletas, com tempo médio de deslocamento de 45 minutos.
O tráfego na via é monitorado pelo Parque Estadual de Ilhabela, que estabelece horários específicos para ida e retorno conforme as normas vigentes em maio de 2026.
A partir do canto direito da praia dos Castelhanos, o visitante entra em uma trilha com duração de duas horas de caminhada. O caminho na mata cruza as praias Mansa e Vermelha antes de terminar de forma definitiva nas areias da praia da Figueira.
]Para chegar à Praia da Figueira por terra, o planejamento é fundamental. O acesso inicial é feito pela Estrada dos Castelhanos, uma via de 17 quilômetros que exige veículos com tração 4x4, motocicletas adequadas ou o uso de jipes de agências de turismo autorizadas. Não é permitido o tráfego de veículos de passeio comuns sem tração nas quatro rodas.
No final da estrada, na Praia dos Castelhanos, existem áreas de estacionamento particulares coordenadas pela comunidade local, onde os visitantes podem deixar os veículos antes de iniciar a caminhada.
A trilha para a Figueira começa no canto direito da baía de Castelhanos. O percurso de 6 quilômetros possui nível de dificuldade moderado a alto, com trechos de subida em mata fechada e passagem pelas praias Mansa e Vermelha. Recomenda-se o uso de calçados fechados e o acompanhamento de monitores ambientais credenciados para garantir a segurança no trajeto.
O respeito ao modo de vida dos moradores é uma das diretrizes de visitação do Parque Estadual de Ilhabela. É proibido o acampamento selvagem e a realização de fogueiras em toda a extensão da areia.
De acordo com a legislação de Ilhabela, o uso de caixas de som é proibido nas praias para garantir o sossego público e a preservação do ambiente natural. A fiscalização é realizada pela Prefeitura e por agentes ambientais. Em relação à balneabilidade, a qualidade da água é monitorada pela Cetesb.
Embora a praia costume apresentar condições próprias para o banho devido ao isolamento, a recomendação oficial é consultar o mapa de balneabilidade antes de qualquer visita, pois fatores climáticos podem alterar os índices de poluição momentaneamente.
Para quem pretende passar o dia, é necessário levar água potável, alimentos e repelente, item essencial devido à presença de borrachudos. Não há sinal de telefonia móvel ou internet na maior parte da trilha e na faixa de areia, o que reforça o caráter de refúgio isolado do destino.
A Praia da Figueira é nomeada em razão de uma figueira centenária localizada no centro da orla, que oferece sombra natural aos visitantes. Entre as principais atividades está o mergulho livre (snorkeling) nos costões rochosos, onde a visibilidade da água permite observar peixes ornamentais e tartarugas-marinhas.
A região também é um ponto estratégico para a observação de aves (birdwatching), com a presença de espécies como o tiê-sangue e o tucano-de-bico-preto, típicos da Mata Atlântica preservada.
Devido ao isolamento, o local é ideal para o descanso contemplativo e a fotografia de natureza. Como não há serviços de quiosque ou aluguel de equipamentos, os visitantes devem levar máscaras de mergulho e lanches, lembrando sempre de retornar com todo o lixo produzido para preservar a comunidade caiçara e o ecossistema local.