
A guarujaense Mirian Fernandes, 47 anos, acaba de ganhar o título de mulher mais forte da América do Sul, ao vencer o Arnold Classic Brasil, na categoria strong. A competição, considerada a maior feira multiesportiva do país, foi realizada no final do mês de maio, no Rio de Janeiro.
O evento, que reúne competições esportivas e também dá espaço aos negócios na área, é promovido pelo ator, ex-governador da Califórnia e ex-fisiculturista Arnold Schwarzenegger, presente na competição.
O título de Mirian veio com gosto de superação. Duas semanas antes das provas, em um treino, ela teve fratura exposta do segundo dedo da mão direita. A atleta passou por cirurgia, mas seguiu para a competição. “Fui com o objetivo de assistir. Meus médicos me orientaram a não competir. Mas eu havia treinado durante um ano para essa competição e não seria agora que uma fatalidade iria me tirar da prova”.
E a superação foi mesmo o grande desafio da fisiculturista. Composto por três provas (tombamento de pneu de 200 quilos; carregamento de barra de ferro de 180 quilos em cada mão; e levantamento acima da cabeça de tora de madeira de 65 quilos), Mirian acabou fraturando o pé na segunda prova, quando deixou cair a barra de ferro de 180 quilos.
“Minha sorte é que eu estava com um tênis reforçado. Caso contrário poderia ter esmagado meu pé. Segui para a terceira prova com mão e pé prejudicados. Fui pra cima. Não poderia perder a oportunidade de ganhar esse título. Graças a Deus deu tudo certo e consegui atingir a pontuação oito nas três provas. A segunda colocada chegou a seis”.
O feito de Mirian é inédito no país. A atleta é a primeira brasileira a se tornar campeã sul-americana e a entrar no seleto grupo de profissionais do fisiculturismo no mundo. No ano passado, a guarujaense já mostrava que quer chegar longe. Ela sagrou-se a primeira a possuir o título de mulher mais forte do Brasil. O próximo passo? Ela mesma conta: “com o título sul-americano, já estou classificada para concorrer no mundial, que será realizado em setembro nos Estados Unidos. Quero ser a mulher mais forte do mundo”.
O fisiculturismo entrou na vida de Mirian aos 38 anos, quando, cansada da rotina domiciliar, foi a convite de uma amiga desfilar roupas fitness no Rio de Janeiro. Lá, o evento também contava com competições, o que a encantou. “Quando vi aquele ‘mundo novo’, fiquei fascinada e disse: quero isso para mim. Quero concorrer no fisiculturismo. Passei a procurar profissionais da área e no ano seguinte eu já estava competindo. Eu já frequentava academias desde os 14 anos e fui aprimorando. Logo os títulos vieram e não parei mais.”
Na vida esportiva, Mirian não deixa de agradecer as pessoas que lhe dão apoio. “É muito difícil ser atleta nesse país. Eu, graças a Deus, tenho apoio da minha academia, a Verti, que me permite treinar e estar preparada para as competições, e da Secretaria de Esporte e Lazer da prefeitura de Guarujá, que me concede o Bolsa Atleta (pelo segundo ano consecutivo), que ajuda bastante com inscrições, passagens, hospedagens, além dos meus apoiadores, como fisiologista, nutróloga e uma loja de roupas fitness, que me veste para as competições.”