HISTÓRIA

Conheça a história dos sambaquis de Guarujá, estruturas de mais de 8 mil anos

Estruturas milenares, compostas por camadas de areia e conchas sedimentadas, ainda podem ser encontradas em Guarujá, na região do Rabo do Dragão


Esther Zancan
Publicado em 08/04/2025, às 14h41

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Detalhe de sambaqui localizado entre Guarujá e Santos - Manoel Gonzalez
Detalhe de sambaqui localizado entre Guarujá e Santos - Manoel Gonzalez


Você sabia que, há mais de 8 mil anos, os sambaquis já marcavam presença na região que atualmente abriga a cidade de Guarujá, no litoral de São Paulo? Essas estruturas milenares, formadas por camadas de conchas, areia e restos de alimentos, são o que restou dos primeiros grupos que habitaram a região. Do tupi, o termo sambaqui significa “amontoado de conchas” - derivado de tamba (concha) + ki (acúmulo)-, e se refere às construções formadas por camadas de areia e conchas sedimentadas que esses povos erguiam.

Isabela Carrari
Detalhe de sambaqui, formado por camadas de conchas, areia e demais sedimentos - Isabela Carrari

Os sambaquieiros viviam de frutos, peixes e moluscos, e são os vestígios destes povos (conchas, ossos e restos alimentares) que formam os sambaquis, cuja  função ainda é incerta, podendo ser desde marcos territoriais até espaços funerários ou cerimoniais. 



Sambaqui em Guarujá
Imagem antiga mostra um dos sambaquis de Guarujá, cuja localização é incerta, mas que dá uma ideia de como eram as estruturas - Museu de Arqueologia e Etnologia da USP

A cidade de Guarujá possui 15 sambaquis, entre eles Maratauá, Crumaú, Mar Casado e Buracão, localizados principalmente na região conhecida como Rabo do Dragão. Muitos sambaquis já desapareceram. O Forte São Felipe (localizado no extremo norte da ilha de Santo Amaro, na abertura do canal de Bertioga, data originalmente do século XVI, e foi erguido devido à necessidade da implantação de  outra estrutura de defesa para o canal de Bertioga, além do Forte de São João, contra ataques indígenas) e a Ermida de Santo Antônio do Guaibê (capela construída no século XVI, no extremo norte de Guarujá, junto ao canal de Bertioga, e que foi uma das primeiras igrejas do Brasil, frequentada pelo padre José de Anchieta) tiveram sedimentos de sambaquis utilizados em suas construções.

Ermida Santo Antônio do Guaibê
Ermida Santo Antônio do Guaibê foi contruída com sedimentos de sambaquis - Prefeitura de Guarujá



O contato com os tupiniquins e outros povos ceramistas (grupos de pessoas que produziam objetos de cerâmica, como utensílios para cozinhar, transportar e armazenar alimentos) acelerou o declínio da cultura sambaquieira. Apesar de alguns sambaquis ainda estarem preservados em Guarujá, a Secretaria de Cultura do município reforça a importância de que cada cidadão faça a sua parte para proteger o que resta desse patrimônio histórico, para que ele possa perdurar para as gerações seguintes. 

Com informações de Secretaria de Cultura de Guarujá

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