Faltam medicamentos na farmácia da UBS Central


Costa Norte
Publicado em 15/04/2016, às 10h48 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h08

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*Foto: Marcos Pertinhes Por Marina Aguiar

A farmácia municipal passou a funcionar nas unidades básicas de saúde (UBS) no início de março, em Bertioga. O que deveria facilitar o acesso a medicamentos tornou-se um pesadelo para moradores da área central da cidade. Isso porque, neste mês, os remédios em falta na UBS Central, no Maitinga, dificultaram a continuidade de tratamento de muitos moradores.

Nos dias 5 e 12 deste mês, a reportagem entrevistou pacientes em busca de remédios na farmácia da UBS e pôde apurar, somente em dois dias, uma lista de 14 remédios em falta. Entre eles, destacam-se os de controle do diabetes e da hipertensão.



Maria José dos Santos Moreira, que sofre de diabetes e pressão alta, recebeu uma lista enorme de medicamentos após a consulta na UBS. Entretanto, na farmácia municipal foi informada que precisaria comprá-los: "A minha sorte é que aqui tem uma farmácia popular. Paguei uma taxa de R$ 7 e consegui comprar a maioria". Entre os medicamentos receitados a ela e em falta na UBS estão: Metformina e Glibenclamida, para o diabetes; Losartana, para hipertensão; Silimalon, para o fígado; Sinvastatina, colesterol; e Buscopan Composto, analgésico.

Em busca de medicamentos para sua mulher, o aposentado Luiz Antonio Lopes obteve apenas um dos três receitados a ela: Captopril (hipertensão). Os demais, Atenolol (hipertensão) e Complexo B (vitamina) estavam em falta. E esta cena repetiu-se por várias vezes. André Spoo, por exemplo, precisou de antibióticos e, mesmo desempregado, teve que comprar.

No caso de Nilton Fonseca, que toma remédios para tratar a ansiedade, há dificuldade tanto de encontrá-los quanto de obtê-los: "Quando tem o medicamento, eles não liberam para 60 dias, só para 30 dias, mesmo com a recomendação do médico na receita".



Lourdes Casemiro Fermino toma remédios psicoterápicos a cada dois meses e diz não encontrar nas farmácias municipais. "Eu sou obrigada a comprar", disse a doméstica que precisa de Tofranil (antidepressivo);  Haldol (neuroléotico); e Dalmadorm (ansiolítico). Vizinha de Lourdes, Keliane Campos Silva passa pelo mesmo problema: "Meu pai teve um AVC há dois anos e agora toma medicamentos controlados e, também, vitamina e Amoxilina [antibiótico], mas nunca consegue pegar na farmácia municipal. A gente chega a gastar R$ 200 por mês", declarou a jovem que se encontra desempregada.

Outro lado

De acordo com o informado pela prefeitura, quando em falta em uma unidade, os pacientes podem, com a apresentação da receita e cartão SUS, adquirir a medicação em qualquer UBS do município. Além disso, por meio de nota, a prefeitura informou que houve redução dos medicamentos por parte do governo estadual e dos distribuidores de alguns medicamentos de uso contínuo, como para tratamento do diabetes e da hipertensão. No entanto, afirmou que estes remédios podem ser retirados nas farmácias populares gratuitamente. Ainda de acordo com a prefeitura, os medicamentos de alto custo e para  saúde mental devem ser obtidos por meio de processo para acompanhamento do médico e disponibilização conforme o caso.



Questionada por e-mail sobre quais são os medicamentos faltantes na rede municipal atualmente, a prefeitura informou que "a Secretaria de Saúde não vai disponibilizar a lista". Já a Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, informou que, dos medicamentos da lista enviada pela reportagem, apenas três são de responsabilidade do estado: Metformina, Glibencamina e Amoxilina. Os dois últimos estão em fase de aquisição e a oferta será normalizada até o fim do mês. Os demais são de responsabilidade do município.

Confira resposta enviada pela Secretaria de Estado da Saúde na íntegra:

“A Secretaria de Estado da Saúde informa que a competência para aquisição e distribuição de medicamentos básicos à população, conforme diretriz do SUS, é das secretarias municipais de saúde. O programa Dose Certa é um auxílio do Estado aos municípios.  Da lista enviada pela reportagem, apenas os medicamentos Metformina, Glibenclamida e Amoxilina são distribuídos via programa Dose Certa ao município de Bertioga. Em relação aos demais, a responsabilidade de aquisição é do próprio município de Bertioga. Dos três medicamentos citados acima, o Metformina está com a dispensação por parte do estado normalizada. Em relação aos demais, a aquisição já está sendo feita e a dispensação deverá ser normalizada até o final deste mês. Vale ressaltar que o município também pode comprar tais medicamentos, uma vez que eles integram a lista de remédios distribuídos pelas redes básicas municipais de saúde”.



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