Em crise, quimioterapia no HCSS será mantida


Costa Norte
Publicado em 06/11/2015, às 13h52 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h53

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*Foto: PMSS

Os tratamentos quimioterápicos realizados na ala de oncologia do Hospital de Clínicas de São Sebastião (HCSS) serão mantidos. A afirmação foi feita pelo secretário de Saúde do município, Urandy Rocha Leite, em coletiva à imprensa realizada na semana passada. A afirmação vem após os atendimentos realizados na cidade, como extensão do Hospital São Francisco de Assis, de Jacareí, sofrerem restrições com a redução de cortes de recursos do governo do estado. Segundo Urandy, “os serviços do Hospital de Jacareí, em São Sebastião, e aos pacientes sebastianenses estão condicionados ao aporte financeiro do governo do estado”.

O Hospital de Jacareí, responsável pela extensão dos atendimentos na cidade, diminuiu o número de vagas para consultas a pacientes de São Sebastião de 12, no início do ano, para seis, atualmente. De acordo com o secretário Urandy, o prefeito Ernane Primazzi está tentando diálogo com o governo estadual e cogita levar o problema ao Codivap (Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba e Litoral Norte), para que não seja prejudicada a oferta no atendimento a pacientes em tratamento.



Disse ele: “A unidade de quimioterapia não vai fechar”. Ele revelou, ainda,  que o prefeito Ernane estuda a possibilidade de o município custear as consultas aos sebastianenses. Estima-se que São Sebastião tenha um custo mensal de R$ 40 mil com farmacêuticos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e insumos, nos serviços que atende pacientes das quatro cidades do litoral norte. Cabe ao Hospital de Jacareí o acompanhamento médico aos pacientes.

Também foi cogitado abrir uma unidade própria de São Sebastião, porém o credenciamento que o Hospital de Jacareí tem para serviços de média e alta complexidade cabe também ao estado, que dificulta a abertura de novas unidades credenciadas em razão dos custos. Todavia, o secretário de Saúde explica que, mesmo com as consultas dos pacientes sendo realizadas em Jacareí, o tratamento de quimioterapia continua em São Sebastião.

A Unidade de Quimioterapia foi instalada no HCSS em 2008, como aporte do Hospital São Francisco de Assis, de Jacareí, credenciado para atendimentos de média e alta complexidade. Em novembro de 2009, o prefeito Ernane Primazzi inaugurou uma nova ala de quimioterapia em São Sebastião, com o dobro de capacidade.



Vereadores da ilha defendem quimioterapia em São Sebastião

A Câmara de Ilhabela aprovou moção de apelo ao governador do estado Geraldo Alckmin e ao secretário de Estado da Saúde David Uip, na  qual solicita urgência na liberação de recursos para a Unidade de Quimioterapia do Hospital de Clínicas de São Sebastião, para evitar o seu fechamento. A moção foi de iniciativa da vereadora Drª Rita Janete (PTdoB) e contou com assinatura de todos os parlamentares; foi aprovada por unanimidade na sessão ordinária da última terça-feira, 3. O documento procura sensibilizar o estado para a importância da prestação de serviços em São Sebastião, iniciada em 2008, e que serve como aporte para o Hospital São Francisco de Assis, em Jacareí, referência em oncologia para o litoral norte e Vale do Paraíba.

De acordo com o documento, “prestam relevantes serviços não só aos pacientes, mas também aos familiares, que antes tinham que percorrer grandes distâncias para realizar os procedimentos, e logo em seguida retornar até suas cidades”. A moção fala ainda da revolta causada na comunidade pela notícia do possível fechamento da unidade. "Essa situação vem causando revolta não apenas nos pacientes, que consideram a situação um descaso com suas vidas, mas em toda a população do litoral norte, que se sente traída pelo governo do estado em quem sempre confiou”.



Na discussão da matéria, a vereadora Dra. Rita disse que não é possível aceitar a perda de um serviço tão relevante para a região. “Por todas as dificuldades já expostas, o serviço tem que continuar existindo. Verba nós sabemos que tem, é só prestar atenção no que acontece no país. É questão de sensibilização”.

O vereador Carlos Alberto, Carlinhos (PMDB), que já enfrentou um câncer, relatou as dificuldades de passar pelo tratamento. “Eu, graças a Deus, tive que fazer só a radioterapia, que é muito difícil, mas tive contato com pessoas que fizeram químio e é muito mais complicado. Não tem nem como pensar em ficar sem o serviço aqui no litoral”.

Luizinho da Ilha (PCdoB) também se manifestou. “Se essa decisão for por causa de uma briga política, temos que comprar essa briga, defender nossa região e lutar por um final feliz o mais breve possível”.



O vereador Sampaio Júnior (PROS) salientou a importância do engajamento de todas as esferas na questão. “Mais do que tudo que já foi exposto, o aporte financeiro que os municípios teriam que arcar com o transporte desses pacientes já se justifica. Todos precisam se engajar: Executivo, Legislativo, Secretarias de Saúde e até a Frente Parlamentar”.

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