Destinação final do lixo preocupa e foi tema central de debate na Agem


Costa Norte
Publicado em 22/07/2016, às 17h16 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h20

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*Foto Divulgação

A destinação final do lixo gerado na Baixada Santista e as diferentes alternativas para reaproveitamento dos resíduos sólidos urbanos, as fontes renováveis de energia, saneamento e a necessidade de gestão e monitoramento ambientais constantes na região foram questões centrais da Oficina Temática sobre Meio Ambiente, promovida pela Agência Metropolitana (Agem) e Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), na terça-feira, 19.

Uma questão urgente para a região metropolitana diz respeito ao aterro no Sítio das Neves, área continental de Santos, que hoje recebe cerca duas mil toneladas de lixo, diariamente, provenientes de sete dos nove municípios que compõem a Baixada Santista. Segundo Enedir Rodrigues, gerente regional da Cetesb, “o aterro está sem licença; o que há é um projeto de encerramento do local em 15 meses. Existe um Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) na Cetesb para prolongar esse prazo para 44 meses. Só que essa questão está parada, dependendo de documentos que possam embasar possível autorização, um deles é o documento da Aeronáutica. Então, temos 15 meses, com duas mil toneladas de lixo por dia. Passado esse prazo, numa conta rápida, serão 70 caminhões subindo e descendo a serra com resíduos. Os municípios precisam se unir e encontrar uma solução, rapidamente”. Ele participou do encontro ao lado do biólogo André Luiz Simas, responsável técnico pelo Plano Estadual de Resíduos Sólidos, e Milton Norio Sogabe, gerente da Diretoria de Controle da Cetesb.



André Simas falou sobre a importância do tema resíduos sólidos ser tratado de maneira regionalizada, com planejamento regional, estudos de dimensionamento territorial, avaliação da escala econômica e do impacto social e ambiental. Apontou cinco diretrizes do plano: educação; instrumento de gestão; instrumentos econômicos (reciclagem, tributos, etc.); aprimoramento da gestão dos resíduos; e incentivo para aumentar a eficiência dos recursos naturais.

Norio Sogabe iniciou sua apresentação com a pergunta sobre o que fazer com os resíduos sólidos urbanos. Ele mesmo respondeu: “Não há uma técnica exclusiva. Minimização dos impactos é a única ação de controle que dá 100% de resultado”. Ele mostrou soluções de alternativas tecnológicas para tratamento desses resíduos, em países como Alemanha, Áustria e China. Chamou a atenção para o fato de que é fundamental conhecer a matéria-prima com a qual se trabalha. “O processo de compostagem, por exemplo, não se adéqua a tudo. Se não houver controle da qualidade do que entra, não se consegue um composto adequado. Incineradores têm alto custo, mas geram calor, que pode se tornar fonte de energia. Há a técnica de gaseificação e a tocha de plasma, que também podem gerar energia. Outra alternativa é a digestão anaeróbica: em vez de calor, enzimas geram fermentação e gases possíveis de ser utilizados. Mas não há receita única”.

Lembrou, inclusive, da ligação ferroviária (hoje abandonada) entre a Baixada Santista e o polo industrial no Vale do Ribeira. “A indústria cimenteira em Cajati pode ser um consumidor do lixo na geração de calor para produção de clínquer (principal produto para a fabricação do cimento)”. Para Norio, o lixo que produzimos é muito heterogêneo, ruim para usar como combustível. “A simples atitude de separar, em casa, o lixo úmido do lixo seco, reciclável, já seria uma passo muito importante para melhorarmos a questão do destino dos resíduos sólidos urbanos”.



Fontes renováveis

Antônio Celso de Abreu Jr., subsecretário de Energias Renováveis da Secretaria Estadual de Energia e Mineração, afirmou que não há definição sobre a possível construção de uma usina termoelétrica na região, possibilidade aventada, no início do ano, pelo secretário João Carlos Meirelles, durante reunião extraordinária do Condesb. “Os estudos continuam, mas ainda na área ambiental”, declarou.

Para ele, a aposta principal, no momento, é a extração de gás natural na Bacia de Santos. “Em todo o estado, não estamos enxergando futuro para hidrelétricas, por causa dos baixos índices de armazenamento. Por isso, buscamos outras fontes, como a eólica, a biomassa (da cana de açúcar, solar e o gás natural). Na Baixada Santista, é preciso debater como a região pode se beneficiar do potencial deste produto. Também há que se considerar a energia solar. Aqui, não é uma área tão privilegiada, mas temos intensidade de sol e capacidade de geração de energia maior que a da Alemanha, por exemplo.”



O grande desafio, de acordo com o subsecretário, é alcançar investimentos e a união com diferentes segmentos. “Fontes renováveis são complementares. Não é usar uma em exclusão de outra, mas sim entender como, juntas, elas podem reduzir os impactos no meio ambiente e baratear os custos, por exemplo”.  Ele lembrou que, atualmente, o estado de São Paulo importa 61% da energia que consome, apesar de exportar derivados de petróleo.

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