Quando a ave chegou no Ceptas estava com suas penas em crescimento ainda, não voava e não se alimentava sozinho

Um jovem papagaio-da-cara-roxa conseguiu se recuperar após ser tratado pelo Ceptas (Centro de Pesquisa e Triagem de Animais Selvagens) de Cubatão, mantido pela Universidade São Judas – Unimonte. O animal foi destinado ao Zoológico de São Paulo na terça-feira (15).
Segundo a veterinária do Ceptas, Priscilla Akiko Nakayama, o animal chegou em dezembro, após apreensão da Polícia Ambiental em uma residência em Itanhaém, em decorrência de uma denúncia. A espécie é encontrada no litoral de São Paulo e seu nome científico é Amazona brasiliensis.
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“Ele estava com suas penas em crescimento ainda, não voava e não se alimentava sozinho. Estava com muita fome. E, quanto ao comportamento, desde o início, aceitou a presença e manejo da equipe, mostrando já ter um comportamento domesticado”, lembra.
Gradativamente, a equipe do Ceptas foi introduzindo uma dieta diversificada após alimentá-lo com papinha para filhotes de psitacídeos. Durante dois meses de cuidados, a jovem ave ganhou novas penas e aprendeu a voar numa sala.
“A reintrodução à natureza é um trabalho bem mais longo e demanda uma estrutura diferenciada. Ele está bem e em quarentena. Caberá ao Zoológico avaliar se é possível reintegrá-lo à vida livre. Até o momento que o acompanhei, não acredito ser possível, já que se trata de uma ave já domesticada”, afirma Priscila.
A recuperação do papagaio-da-cara-roxa só foi possível porque, além do tratamento adequado que recebeu no Ceptas, houve uma denúncia à Polícia Ambiental. Manter um animal silvestre sem autorização é crime ambiental.
Cerca de 70% dos animais em tratamento no Ceptas são aves, como o papagaio-da-cara-roxa, que chegam por meio de apreensões da Polícia Ambiental. O trabalho da unidade de Cubatão, mantida em parceria com a prefeitura no Parque Cotia-Pará, é receber, tratar e cuidar do animal até a sua destinação.
O objetivo é sempre a soltura da espécie para devolvê-la à vida livre, mas nem sempre isso é possível.
Dependendo do que aconteceu com o animal, ele fica com sequelas que o impedem de sobreviver no seu habitat natural, de caçar ou de se defender dos predadores. Nestas situações, o Ceptas faz a busca por vagas em instituições, como zoológicos e mantenedores, onde os animais possam ter uma vida digna fora da natureza.
Quando achar um animal silvestre, o procedimento correto é entrar em contato com a Polícia Ambiental, Guarda Civil Municipal (GCM) ou Secretaria de Meio Ambiente, que sabem para onde cada espécie deve ser levada.
Ligado ao curso de Medicina Veterinária da São Judas – Unimonte, o Ceptas é referência no tratamento e na reabilitação de animais selvagens na Baixada Santista. Existe desde 2007 e, no Parque Cotia-Pará, em Cubatão, sua sede atual, funciona desde 2014, em parceria com a prefeitura de Cubatão. Sua proposta é de preservação das espécies e sua reinserção na natureza, sempre que possível, ou seu destino a organizações ambientais credenciadas.
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