CENÁRIO PREOCUPANTE

Cubatão busca apoio federal para conter desindustrialização

Prefeito César Nascimento quer discutir política de importações com o vice-presidente Alckmin; polo químico enfrenta concorrência desleal e queda de empregos


Redação
Publicado em 15/01/2026, às 16h08

FacebookTwitterWhatsApp

Cubatão busca apoio federal para conter desindustrialização
Objetivo da prefeitura é rever tarifas de importação para proteger a indústria nacional - Prefeitura de Cubatão/Divulgação


O prefeito de Cubatão, César Nascimento, decidiu recorrer ao governo federal para tentar frear o esvaziamento do parque industrial do município.

Medida ocorre após a petroquímica Unigel, que atuava na cidade há quase 70 anos, comunicar a paralisação das atividades de sua fábrica de estireno e tolueno, no início deste mês.

O chefe do Executivo municipal planeja viajar a Brasília acompanhado de representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista.



Proposta é sensibilizar a União sobre a necessidade de rever a política tarifária que incide sobre o setor, em especial, a importação de produtos químicos e fertilizantes.

Vamos solicitar uma reunião com o vice-presidente [e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin] para tratarmos dos reflexos do fechamento de fábricas instaladas na cidade, problema que o município vem enfrentando há mais de uma década", afirmou o prefeito em entrevista ao repórter Alex Rodrigues, da Agência Brasil.

Sem precedentes

A empresa comunicou a suspensão das operações no dia 8 de janeiro, justificando a decisão devido a um cenário de "baixa sem precedentes na indústria química global", marcado pelo excesso de oferta de commodities.

A companhia, que está em recuperação judicial desde outubro de 2025, com dívidas superiores a R$ 5 bilhões, concentrará produção na unidade de Guarujá.



A fábrica de Cubatão operava com cerca de 70 trabalhadores diretos e 30 indiretos. Antes do anúncio, a prefeitura chegou a oferecer isenções fiscais para evitar a paralisação, mas a direção da empresa alegou que o problema central é a falta de competitividade contra produtos importados, algo que incentivos municipais não conseguem resolver.

"A perda de protagonismo de um polo da relevância de Cubatão não é um problema local, mas um fator de enfraquecimento da indústria nacional", completou o prefeito César Nascimento.

Impacto no emprego

Para Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas (Sindquim), o fechamento agrava a situação do polo. "Cubatão já foi o principal polo produtor de fertilizantes do Brasil. E a Unigel, um símbolo de nossa história industrial", disse ele à Agência Brasil.



O sindicalista alerta para a drástica redução de postos de trabalho; conforme aponta, no auge, as petroquímicas da cidade empregavam cerca de 12 mil pessoas; hoje, esse número gira em torno de 3 mil.

Resposta do governo

O vice-presidente Geraldo Alckmin reconheceu as dificuldades do setor durante visita à EBC, nesta quinta-feira (15). "O polo petroquímico brasileiro sofre dificuldades de competitividade. Por isso, fizemos o Regime Especial da Indústria Química (REIQ), que reduziu o imposto sobre os insumos", declarou.

Alckmin afirmou ainda que o país procura defender o setor produtivo de práticas anticoncorrenciais, mas dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).



Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!