“A literatura brasileira vai bem. O leitor é que vai mal”

Costa Norte
Publicado em 19/10/2012, às 13h10 - Atualizado em 23/08/2020, às 13h50

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Em 2000, Menalton foi vencedor da maior láurea literária brasileira, o ‘Prêmio Jabuti’

“A necessidade de dizer é o que motiva o escritor” (sobre a vocação literária); “O escritor tem a obrigação de viver; senão ele se estiola” (sobre a responsabilidade social do escritor); “A literatura brasileira vai bem. O leitor é que vai mal” (sobre o mercado editorial brasileiro); “Uma biblioteca é um templo. Um tabernáculo” (sobre o local em que fazia a palestra). As opiniões são do escritor gaúcho, Menalton Braff, durante a sua participação no projeto ‘Viagem Literária’ na manhã desta terça-feira (16), na Biblioteca Municipal de Cubatão. Durante cerca de 2h, Menalton, vencedor em 2000 da maior láurea literária brasileira, o ‘Prêmio Jabuti’, com o livro de contos ‘À Sombra do Cipreste’, falou de sua vida, sua obra, sobre o fazer literário e, de maneira simpática, às vezes didática e quase sempre bem humorada, respondeu a perguntas do público.

Mercado editorial Ao explicar porque entende que a literatura brasileira vai bem e mal o leitor, Menalton citou estatísticas sobre o mercado editorial, dando conta que, hoje, no Brasil, é publicado, em média, 1,9 livro por pessoa, por ano, contra 16 livros por pessoa em países bem menores como a Suécia. Destacou, ainda, o fato de, na média nacional de oferta de livros, estarem incluídos todos os tipos de publicações, de autoajuda a livros didáticos, tendo as obras literárias, consideradas arte – “que é uma necessidade de expressão e não existe para fazer a cabeça de ninguém”, acrescentou –, uma participação bem pequena.

Livros nas mãos Mesmo assim, considera-se um otimista “não ingênuo” quanto ao futuro da literatura no país. “Há poucos anos, 60% da população brasileira era composta por analfabetos. Hoje, tais números diminuíram muito. Observa-se um grande empenho no estímulo e formação de novos leitores e cito, como exemplo, este projeto, ‘Viagem Literária’. Além disso, nunca vi tanto esforço, nas escolas, para se colocar livros nas mãos dos estudantes”, ressaltou.

Vida e obras Menalton aprendeu a ler sozinho aos cinco anos de idade, na cidade gaúcha de Taquara, onde nasceu, vendo o pai ensinar a irmã, um ano mais velha que ele. “Ele ensinava mostrando um texto e isso me despertou o interesse por narrativas”. O primeiro livro que leu, na mesma época, foi uma edição em quadrinhos de ‘O Guarani’, de José de Alencar, o que, segundo afirmou, despertou sua vocação pela escrita. “Se gosto tanto de narrativas, por que não vou inventar as minhas?, perguntei a mim mesmo na ocasião. E não parei mais de escrever histórias”.

Política nacional Hoje, 19 livros depois – entre coletâneas de contos, romances, histórias infantojuvenis – além de prêmios literários, Menalton que é, também, professor de Literatura Brasileira, continua em grande atividade. Acaba de lançar o romance ‘O Casarão da Rua do Rosário’, onde procura mostrar como a situação política nacional pode influenciar na vida de uma família. Diz que não tem uma temática única para suas obras, mas preocupa-se em evidenciar, nelas, como o que fatos externos ao indivíduo podem influir em seu comportamento.

O projeto O projeto ‘Viagem Literária’ é promovido pela Secretaria de Estado da Cultura e está em sua 5ª edição. Ao apresentar o escritor Menalton Braff, o secretário municipal de Cultura de Cubatão, Welington Borges, destacou a importância do evento por proporcionar o contato direto entre os escritores e leitores.

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