Confirmado foco de malária em Cambury


Costa Norte
Publicado em 15/04/2016, às 12h29 - Atualizado em 23/08/2020, às 15h08

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*Foto: Erick Marinho / Divulgação

Por Marina Veltman

A região do Rio das Pedras, no sertão de Cambury, costa sul de São Sebastião, foi identificada esta semana como foco transmissor de malária. No término de março, um turista se hospedou na região e, após retornar à capital, desenvolveu a doença, o que alertou a Sucen – Superintendência de Controles de Endemias do Estado de São Paulo. Em visita ao Rio das Pedras, na quarta-feira, 13, agentes do órgão estadual identificaram a presença do mosquito vetor da doença no local, o anophelescruzii, e realizaram coletas de sangue nos moradores do entorno para verificar possíveis contaminações.



Responsável pelo laboratório da Sucen em Taubaté, Gisela Marques comenta a ação: “Realizamos a coleta de amostras sanguíneas e nenhum dos moradores está contaminado. É comum os residentes de áreas com vetores desenvolverem resistência à doença, que acaba afetando mais turistas e passantes. De qualquer forma, medidas profiláticas são importantes”.

Com sua mãe residindo na área, Carlos Eduardo Marinho afirma temer um surto de contaminação. “Já estamos com medo do H1N1 e da dengue. Mais essa agora?  Estamos todos com medo. Existem grávidas e crianças pequenas no bairro. Está difícil se prevenir de tantas ameaças”, desabafa.

Segundo a técnica da Sucen, casos de confirmação de focos de vetores da malária são comuns na região, em decorrência da forte presença da Mata Atlântica, mas que não existe um risco de epidemia. “O mosquito vetor da malária não vive em áreas urbanas, apenas no meio da mata. O turista infectado fez uma trilha na floresta, o que permitiu o contato. Com exceção de áreas residenciais instaladas muito para dentro da mata, a população não corre o risco de ter contato com o transmissor”.



Já para as casas que se encontram nas áreas de foco, como é o caso de Rio das Pedras, Gisela recomenda medidas de prevenção, como evitar circular na mata ao entardecer e fazer uso de telas nas janelas e repelentes após o crepúsculo, horário de atuação do mosquito da malária. “O turista que for fazer ecoturismo também precisa ter a consciência de usar repelentes e, preferencialmente, roupas que cubram braços e pernas, evitando contaminações”.

De qualquer forma, Gisela tranquiliza os moradores para o caso de possíveis infecções: “Temos um amplo esquema de tratamento no nosso estado. Diferentemente do que ocorre na Amazônia, aqui desenvolvemos uma versão mais branda da Malária”.

O principal sintoma da doença é febre alta. Segundo a Sucen, em caso de aumento elevado da temperatura corporal, o morador deve buscar um posto de saúde para controle da doença. “A reversão do quadro atualmente é muito tranquila. Não há motivo para pânico”, completa Gisela.



São Sebastião tem caso de suspeita de H1N1 em internação

Após intensos boatos de casos de morte em decorrência do H1N1 em São Sebastião, a prefeitura informou esta semana, por meio de nota que, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, há somente um caso de paciente internado no Hospital de Clínicas da cidade com SRAG – síndrome respiratória aguda grave-, e com suspeita de contaminação pelo vírus influenza A - H1N1. “Independentemente do resultado, todo atendimento de saúde para manutenção e preservação das condições respiratórias do paciente está sendo adotado”.

A nota repudia ainda a veiculação de informações falsas sobre dados epidemiológicos e esclarece que nenhum óbito até agora foi confirmado pelo laboratório oficial, como sendo por contaminação pelo vírus influenza A - H1N1, e reforça o seu compromisso ético com os dados de saúde pública. “Informações falsas geram pânico e histeria social e em nada contribuem para o aperfeiçoamento das ações de saúde”, diz a nota.



Segundo dados da Secretaria de Saúde, de janeiro a março deste ano foram notificados sete casos de SRAG, dos quais quatro resultaram negativos, um, confirmado pelo critério clínico de influenza não especificada;   e  dois aguardam resultados, um dos quais de morador de Caraguatatuba.

Vacinação

A vacina é capaz de promover imunidade efetiva e segura durante o período de circulação sazonal do vírus H1N1, que este ano começou mais cedo, para o pessoal da saúde. A vacinação na rede pública é feita anualmente para prevenir a doença. Em São Sebastião, a campanha de vacinação acontecerá de 30 de abril a 20 de maio. A vacina é indicada para crianças de seis meses a menores de 5 anos, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde (público e privado), indígenas, pessoas com doenças crônicas, grupos com 60 anos ou mais e população prisional.



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