Câmara de SS tem gritaria, acusações e balanço eleitoral


Costa Norte
Publicado em 07/10/2016, às 13h27 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h28

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Foto: Celso Moraes/CMSS

São Sebastião

Marina Veltman



A sessão da Câmara de São Sebastião, realizada na última terça-feira, 4, a primeira após as eleições de domingo, 2, teve menos de quinze minutos de leituras de trabalhos, com apenas algumas indicações e nenhum projeto de lei ou requerimento. A ideia, assim como aconteceu em Ilhabela, foi reservar o tempo de exposição e a oportunidade para os vereadores – reeleitos ou não – agradecerem aos seus eleitores e fazerem discursos políticos.

O destaque da noite, porém, não foram as muitas declarações de agradecimento e comprometimento político, e, sim, o clima de fla-flu que tomou conta da casa de leis. De um lado, eleitores e correligionários do PMDB, que tomaram a plateia, para mostrar seu apoio ao vereador reeleito Professor Gleivison Gaspar (PMDB), que alcançou a incrível marca de 3.184 votos, recorde histórico em toda a região. De outro, o vereador reeleito Reinaldo Moreira (PSDB), o Reinaldinho, o segundo mais votado na casa, com 1.452 votos, e pertencente ao grupo do prefeito eleito Felipe Augusto (PSDB).

Reinaldinho ocupava sua vez na tribuna, agradecendo os votos recebidos e lamentando alguns acontecimentos registrados ao longo da campanha eleitoral, como falsificação de jornais e “guarda da GCM que distribuía material de campanha”, quando foi interrompido pela guarda civil metropolitana Patty Saidel, ex-candidata a vereadora pelo grupo de Juan Garcia, que afirmou que as acusações feitas pelo vereador eram mentirosas e que ele deveria ter vergonha, o que foi abraçado em coro pelos outros moradores presentes na plateia. Aos gritos de “mentiroso! cadê as provas?”, Reinaldinho teve dificuldades em retomar a palavra, e foi socorrido pelos pedidos de ordem do presidente em exercício Marcos Fuly (PTB).



Revoltado com os insultos recebidos da plateia, o vereador tucano rebateu: “Alguns podem falar e outros, não? Se perdeu, vai pra casa ou respeita os que ganharam! A manifestação popular é na urna! A democracia disse: Felipe Augusto é o prefeito. Vamos fiscalizá-lo, e, se fizer uma má gestão, vamos tirá-lo ou não reelegê-lo. Agora, esses passarinhos que aqui choram, vão ficar chorando por quatro anos. O choro é livre, pode chorar”, discursou o vereador, em meio a vaias e gritos revoltados da plateia.

Já o professor Gleivison, durante seu discurso na tribuna, foi amplamente ovacionado. Com a votação mais expressiva já recebida por um vereador em toda a região do litoral norte, o vereador agradeceu a confiança e aceitação popular, que declarou ser fruto de muito trabalho e dedicação. “Entramos para a história porque os votos, mais do que recordes, são limpos. Ninguém foi pago para pôr adesivo, não teve boca de urna. Esse resultado deve trazer uma reflexão para os políticos locais, de que fazer o bem e ser honesto vale à pena. Tomara que consigamos servir de exemplo aos próximos”, afirmou, amplamente aplaudido.

A afirmação de Gleivison, apesar de abraçada pela plateia, não foi bem vista pelos demais vereadores, como Edivaldo Pereira Campos (PSB), o Teimoso, e Ernane Primazzi (PSC), o Ernaninho, que, em seus discursos, fizeram questão de destacar que seus votos também eram limpos, assim como o de muitos outros colegas de casa.



Ernaninho, filho do atual prefeito Ernane Primazzi, também aproveitou para declarar que não fará oposição do gênero “quanto pior, melhor”, e que se coloca à disposição do prefeito eleito Felipe Augusto, para passar um pouco da experiência que adquiriu em seus oito anos de mandato e auxiliá-lo no que estiver a seu alcance. Porém, Ernaninho não deixou passar uma clara mensagem, sobre possíveis perseguições futuras a seu pai: “Só não pode ter esse negócio de ‘essa obra foi do Ernane, não vou continuar’. Porque, aí, eu vou brigar. Isso, não pode”, afirmou, também passando uma mensagem aos vereadores eleitos pela primeira vez: “Depois que assumirem, vocês vão ver. Aqui a cobrança é absurda, o chicote estala”, disse, referindo-se à atual exposição do trabalho da vereança e acompanhamento das medidas tomadas pela casa, principalmente, por meio da internet e das mídias sociais, e consequente cobrança popular.

Eleição

Foram reeleitos sete dos doze atuais vereadores da Câmara sebastianense: Ernaninho; Gleivison; Reinaldinho; Teimoso; Ercílio de Souza (SD); Onofre Neto (DEM); e José Reis (PSB).  Foram eleitos, para assumir o cargo em janeiro, os candidatos Pixoxo (PSC); Renato do Bar (PSDB); Mauricio do Canto do Mar (PMDB); e Pastor Elias (DEM), este último pode perder a vaga, caso o atual presidente da Câmara Luiz Santana Barroso, o Coringa (PSD), que está inelegível, tenha seus votos validados, situação em que ocupará a cadeira.



Os atuais vereadores Simei (SD) e Jair Pires (PRB) tentaram a reeleição, mas não conseguiram o quociente eleitoral necessário. Já Marcos Tenório (PSC) não disputou o pleito, e Marcos Fuly (PTB) concorreu à prefeitura, alcançando 2.842 votos.

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