
*Foto: JCN
Um requerimento de autoria do vereador Marcos Tenório (PSC) acendeu o debate sobre o projeto de ampliação do porto de São Sebastião, durante a última sessão da Câmara de São Sebastião, realizada na terça-feira, 7. No documento, aprovado por unanimidade, o vereador solicita a realização de uma audiência pública para que a atual situação do projeto – impedido pela Justiça de avançar – seja exposta à comunidade. Durante o debate, os vereadores defenderam que a Companhia de Docas de São Sebastião apresente ao público a razão de o projeto ter sido suspenso pela Justiça Federal, já que tal suspensão afeta diretamente a economia local.
Disse ele: “Existem pessoas se aproveitando do assunto e se metendo em algo que não sabem discutir. É importante que a Companhia Docas esteja na Câmara explicando o projeto. Ampliar o porto significa empregar mão de obra local”. A suspensão da ampliação, pela Justiça, veio por meio da cassação da licença para a obra expedida pelo Ibama, sob a alegação de que a expansão afeta irreversivelmente a fauna e flora do mangue do Araçá, área de proteção e base de estudos da USP.
O vereador Onofre Neto (DEM) defendeu que a ampliação não destruiria a área, conforme alegado. “Muitos batem nessa tecla, mas o maior destruidor do mangue foi a Sabesp, despejando esgoto no local através do atual emissário, que apresenta problema há anos”, acusou. O vereador Edvaldo Pereira Campos, o Teimoso (PSB), afirmou que o porto traz muitos empregos diretos, além dos indiretos, e que ele mesmo deve o que conquistou à sua atuação e trabalho no porto.
O presidente da Câmara, Luiz Antônio de Santana Barroso, o Coringa (PSD), ressaltou que é possível ampliar o porto de São Sebastião sem mexer no Araçá. “Já existem tecnologias para que esse impacto seja mínimo”, afirma. Além disso, Coringa defende que, ao contrário do que muitos temem, a ampliação não fará de São Sebastião uma base portuária como a de Santos. “Temos um excelente calado, mas não temos espaço físico e berços de atracação para atingir um tamanho como o de lá. Não existe esse risco”, defendeu.
Encerrando as discussões, o presidente da casa afirmou agendará uma reunião com representantes da Companhia Docas para tratar do assunto com os vereadores, e buscar viabilizar a audiência. “Está claro que precisamos discutir o modelo desta ampliação, mas a necessidade da ampliação é legítima”, conclui Coringa.