Vitima e herói se emocionaram ao se reencontrarem pela primeira vez após acidente; "Foi Deus que colocou ele no meu caminho", declarou homem salvo da morte por entregador

Na manhã desta quarta-feira (10), um encontro diferente aconteceu em Bertioga, no litoral paulista. Dois homens feitos, barbados, de pescoço duro, abraçaram-se e choraram feito crianças, no bairro Vicente de Carvalho II, a 'Saoc'.
Dois dias antes, na manhã da segunda-feira (08), tal como pais e filhos no nascimento, o pedreiro Cleiton Lacerda da Silva e o entregador demitido Robsom Santos passaram a ter um vínculo especial quando se cruzaram em circunstâncias altamente adversas. Cleiton quase morreu em um acidente de carro ocorrido na rodovia Rio-Santos e cujos desdobramentos foram inacreditáveis. Robsom, por seu turno, estava no mesmo local, na mesma hora, e, segundo Cleiton, foi o homem que tomou a frente na salvação de sua vida.
Entenda o acidente aqui
Anjo do Asfalto: entregador vê carro capotar e resgata vítima na mata selvagem em Bertioga, SP

O Reencontro
Apesar de ainda estar sofrendo com as dores e traumas do acidente que quase o matou, com a ajuda de amigos, Cleiton, que vive com parentes em São Lourenço, encontrou a casa de Robsom e abraçou o homem que o salvou. Pela primeira vez, Cleiton também falou sobre o acidente de sua perspectiva.
Robsom diz que apesar de inesperada a visita foi bem-vinda. “Ele veio aqui em casa, deu um jeito de me achar, chamou aqui no portão, eu nem imaginava quem era, não reconheci. No acidente ele estava todo molhado e sujo de lama. Depois ele falou: "‘Eu sou o cara que você salvou’. A gente começou a se emocionar", relata Robsom.
“Eu passei um sufoco, estava me afogando. Se não fosse esse homem que salvou minha vida Foi Deus que colocou ele no meu caminho.” Relembra Cleiton, nascido no Recife, morador de Bertioga há pouco mais de um ano.

O acidente na perspectiva da vítima
Ao Portal Costa Norte Cleiton relatou que voltava da casa de parentes quando sofreu o acidente. “Fazia tempo que eu não via minha tia. Fui visitar ela. No caminho de volta o carro não respondeu numa curva. Puxei pra direita três vezes, não respondeu, e eu perdi o controle”, relembra Lacerda, emocionado.
Ele se recorda também do momento em que o carro caiu na mata que circunda a rodovia Rio-Santos. “Depois que eu perdi o controle, eu só me lembro que o carro capotou. E eu só pedia a deus pra me livrar. Aí apaguei. Quando acordei, achei que estava num rio. Acordei engolindo água. Eu tava me afogando. Quase desacordado.”

Cleiton relata que se desesperou nessa hora. O carro estava de ponta-cabeça, e ele não sabia onde estava. Água e lama invadiam o veículo. “Eu comecei a gritar por socorro. Estava desesperado. Foi nessa hora que ouvi uma voz perguntando se tinha alguém mais eu, se tinha criança no carro. Eu pedi a ele que me ajudasse, eu não tava com força pra sair de dentro do carro”. A voz, segundo Cleiton, era a de Robsom. “O primeiro socorro foi o dele”, relembra Cleiton, enfático.
A partir desse ponto, a versão do recifense Cleiton, a vítima, bate com a versão de Robsom, o Anjo do Asfalto. Por volta desta altura, em que Robsom tentava encontrar uma maneira de resgatar Cleiton, outros motoristas que perceberam o acidente chegaram ao local, porém, segundo a vítima, durante todo o resgate, Robsom manteve-se à frente das ações.

“Ele me perguntou se eu conseguia sair pela janela. Aí eu botei o braço pra fora e ele puxou, depois um outro ajudou. Tinha gente ajudando também, um rapaz que chegou e mora perto da minha casa ligou para meus familiares. Mas o Robsom que me resgatou. Foi ele que me chamou, me tirou do carro e começou a me abanar com o meu chapéu. Dizendo que era pra eu ficar calmo. Meu peito doía, não podia respirar direito que doía muito. Ele mandou eu ficar com calma, que ia ajudar, que estava tudo certo. Realmente ele foi o primeiro contato. Quando eu caí na vala, ele já estava perto do carro. A primeira palavra quem soltou foi ele, o primeiro atendimento quem me deu foi ele”.
Na ocasião, após ser salvo pelo Anjo do Asfalto, Cleiton foi resgatado pelos Bombeiros e encaminhado para o hospital de Bertioga, onde foi examinado e liberado no mesmo dia. “Eu tô com dor na parte debaixo do peito ainda. Mas mesmo assim fui visitar o Robsom, agradecer ele. E convidei ele pra ir na minha casa. Agradeço também às outras pessoas que chegaram depois”, declara Cleiton, emocionado.
As controvérsias
Desde a manhã desta quarta-feira, 10, circularam nas redes sociais comentários de que Robsom não teria sido o primeiro a socorrer Cleiton. Questionado sobre as acusações, o entregador é enfático. “Eu não retiro nada do que eu disse. As coisas aconteceram daquele jeito. Tem gente falando muita coisa, falando que eu tô inventando. Não sei por quê. Talvez por acharem que eu tô ganhando alguma coisa com isso, levando alguma vantagem. Eu ganhei muita coisa com isso mesmo. Salvei uma vida. Mas fora isso, tive prejuízo.”
Cleiton, a vítima cuja vida foi salva, concorda. “Ele salvou minha vida”.

Os outros dois Anjos do Asfalto
Segundo o relato da vítima, no momento do acidente, outros dois Anjos do Asfalto ajudaram no resgatre crítico antes da chegada do corpo de Bombeiros. De acordo com a apuração do Portal Costa Norte, os outros heróis são o motorista Everson Santos Bandeira, de 36 anos, e seu ajudante Teodomiro Jesus Galão, de 23 anos, que também passavam na rodovia no momento do acidente e chegaram ao local em que estava Cleiton pouco após Robsom.
O ajudante Teodomiro, relata que foi ajudar quem quer que fosse, mas, ao chegar ao local, percebeu que a vítima era uma pessoa conhecida. "Ele mora na rua detrás da minha. Liguei para a família dele enquanto o motoboy [Robsom] e o motorista [Everson], estavam fazendo o resgate", Cleiton, a vítima, confirma.
De acordo com Teodomiro, independentemente das controversias que tenham havido nas redes sociais, o importante é que uma vida foi salva. "O nosso intuito era salvar o rapaz em necessidade, salvar uma vida. A gente estava no anonimato, e estava tranquilo pra gente, o importante é que ele [a vítima] está bem", declara o ajudante Teodomiro.