LONGE DE CASA

Psicóloga de Bertioga atende brasileiros no mundo inteiro

Diferenças culturais, idioma distinto do materno e distância da família estão entre principais dificuldades encontradas por brasileiros no exterior, afirma profissional da saúde mental


Thiago S. Paulo
Publicado em 01/08/2022, às 13h35 - Atualizado em 02/08/2022, às 16h13

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Com outras psicólogas, Larissa (em destaque) participa de projeto que atende brasileiros longe de casa Capa - Psicóloga de Bertioga atende brasileiros no mundo inteiro Mulher dando palestra - Imagem: Acervo Pessoal / Larissa Pires
Com outras psicólogas, Larissa (em destaque) participa de projeto que atende brasileiros longe de casa Capa - Psicóloga de Bertioga atende brasileiros no mundo inteiro Mulher dando palestra - Imagem: Acervo Pessoal / Larissa Pires


Um projeto de psicólogas do Brasil promete diluir as fronteiras físicas do divã e levar saúde mental a brasileiros expatriados onde quer que estejam. Criado por um grupo de profissionais da saúde mental há pouco mais de um ano, o “Arroz, feijão e terapia” surgiu da percepção de que uma escuta brasileira pode ajudar pacientes que estejam afastados temporária ou permanentemente do país.

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“O que nos uniu foi a percepção através de nossa prática diária como psicólogas de que os brasileiros que estão em outros países podem encontrar dificuldade em se vincular com profissionais de saúde mental de países estrangeiros”, disse em entrevista ao Portal Costa Norte a psicóloga Larissa Cavalcante Pires, uma das profissionais do projeto. De Bertioga, no litoral paulista, onde mora, a psicóloga de 28 anos atende pacientes do mundo todo.    



As últimas estimativas do Ministério das Relações Exteriores apontam que cerca de 4,2 milhões de brasileiros vivem no exterior – mais que toda a população do Uruguai. Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Reino Unido e Japão, compõem, nesta ordem, a lista dos cinco países do mundo com maior população de brasileiros.  

Dentre as principais dificuldades encontradas pelos brasileiros fora do Brasil, diz Larissa, estão as diferenças culturais, a língua diferente da materna e a distância da família. “Além dos anseios relacionados à distância geográfica e dos vínculos sociais e familiares, o idioma tem a ver com o contexto de cada cultura”.

Larissa afirma que toda a dinâmica dos atendimentos - do primeiro contato até às sessões que custam R$ 300 cada - é online e sigilosa. Tudo começa, diz ela, em um site do projeto onde o paciente em potencial pode contatar a psicóloga com quem mais se identificou. “A pessoa e a profissional acordarão um horário para a entrevista inicial que será realizada – assim como todas as sessões – por meio do aplicativo Google Meet”, explica a psicóloga.



Ela esclarece que o perfil geral dos brasileiros atendidos é amplo, assim como são variados os motivos que os levam à terapia. “[São] pessoas que estão passando por dificuldades emocionais provenientes da mudança ou mesmo pela dificuldade de encontrar, pagar ou se vincular com os profissionais do país de moradia ou, ainda, brasileiros que moraram fora e estão com problemas no processo de readaptação ao Brasil”.

“Além disso”, prossegue ela, “atendemos também pessoas que se encontram em algum tipo de sofrimento psicológico, aqueles com diagnóstico de transtorno mental e com encaminhamento médico ou que estão em busca de autoconhecimento, resolução de problemas e outros que buscam por orientação profissional”.

A psicóloga explica que cada caso é um caso, mas, em linhas gerais, o processo terapêutico de pessoas expatriadas conduzido por profissionais que “falam a mesma língua” do paciente, auxilia na assimilação de uma cultura diferente.



Ao evocar a mais tradicional comida brasileira, o engenhoso nome da iniciativa - “Arroz, feijão e terapia” - sugere que cuidar da saúde mental é tão essencial quanto alimentar o corpo, o que é verdade. A experiência demonstra, conclui a psicóloga, que os atendimentos no projeto “proporcionam um espaço de acolhimento e proximidade com o país de origem”  - talvez como uma bela pratada de arroz e feijão mental para quem está longe de casa. 

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