Trechos em Boraceia, Guaratuba, Riviera de São Lourenço e Enseada garantem bandeira verde, enquanto quatro pontos registram contaminação

O mais recente relatório semanal de balneabilidade, divulgado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), atestou que Bertioga conta com cinco dos seus nove pontos de monitoramento liberados para o banho de mar.
A medição, feita após uma sequência de dias chuvosos que atingiram o litoral paulista, revela um cenário dividido na orla marítima do município, exigindo atenção dos frequentadores quanto aos locais escolhidos para o lazer.
Entre os trechos que mantiveram a qualidade sanitária favorável e receberam a classificação de próprios (bandeira verde), destacam-se os dois pontos amostrados na praia de Boraceia (nas proximidades do Colégio Marista e no setor sul), a praia de Guaratuba, o Módulo 2 da Riviera de São Lourenço e o trecho da praia da Enseada na altura da rua Rafael Costábile, no Centro.
Em contrapartida, quatro pontos monitorados ao longo do município apresentaram níveis de contaminação microbiológica acima dos limites de segurança e foram sinalizados com bandeira vermelha (impróprios).
A restrição atinge três trechos contínuos da praia da Enseada, nas áreas do Indaiá, Vista Linda e em frente à Colônia do Sesc, além do ponto localizado próximo ao morro na praia de São Lourenço.
A avaliação de balneabilidade no município reflete as variações de drenagem e a dinâmica das correntes marítimas em cada trecho de orla. A classificação oficial dos nove pontos aferidos pela Cetesb está distribuída da seguinte forma:
Pontos próprios para banho (bandeira verde):
Pontos impróprios para Banho (Bandeira Vermelha):
Mesmo para os banhistas que frequentam os trechos sinalizados com a bandeira verde, os técnicos da Cetesb e autoridades de saúde emitem um alerta preventivo fundamental: a recomendação explícita é evitar o banho de mar nas primeiras 24 horas que se seguem a episódios de chuvas fortes ou tempestades acumuladas.
Durante e logo após as precipitações intensas, o volume de água que escorre pelas galerias pluviais e canais urbanos arrasta para o oceano uma grande quantidade de resíduos orgânicos, sujeira das vias públicas, folhagens e eventuais efluentes domésticos.
Esse aporte repentino de poluentes degrada temporariamente a balneabilidade da água, mesmo em praias habitualmente limpas. As orientações técnicas destacam ainda a importância de não se banhar próximo à desembocadura de rios, córregos e canais de drenagem, locais onde a concentração de sedimentos e poluentes é historicamente mais alta.
O contato direto ou a ingestão acidental da água nessas condições pode acarretar infecções dermatológicas, problemas nos olhos, ouvidos, nariz e garganta, além de quadros graves de gastroenterite. Crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido formam o grupo de maior risco a essas complicações.
A Cetesb realiza coletas semanais de amostras de água ao longo de toda a faixa costeira de São Paulo para medir a presença de bactérias do grupo enterococos. A densidade desses micro-organismos funciona como um indicador universal de poluição fecal, determinando se a água oferece risco à saúde humana.
A análise técnica inclui também a observação de fatores visuais, como manchas de óleo, descarte de resíduos sólidos e proliferação de algas tóxicas. O acompanhamento contínuo ao longo do ano permite enquadrar as praias em quatro categorias de qualidade histórica: Ótima (100% do tempo excelente), Boa (própria na maior parte do tempo), Regular (imprópria em menos de 50% das medições) e Má (imprópria em 50% ou mais das análises anuais).