“Por ordem da associação nós não podemos usar os banheiros dos ônibus”, disse uma associada

Alunos de universidades de Mogi das Cruzes, Guarujá e Santos, que moram em Bertioga, litoral de São Paulo, denunciaram problemas com a Aetub (Associação dos Estudantes Técnicos e Universitários de Bertioga) incluindo o preço abusivo da mensalidade e proibição em utilizar banheiros dos ônibus.
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De acordo com uma das associadas que prefere não se identificar, todo semestre tem aumento sem justificativa, além do pagamento do rateio e de mensalidade sem utilizar o transporte - nas férias. Ela aproveita para destacar que não há motivos para a proibição em usar o banheiro do veículo e que a nova frota está com ‘boa qualidade’.
A Aetub, por sua vez, explicou que os banheiros estavam fechados por questões internas, mas que foram liberados no dia 1º de agosto.
“Eu como estudante e associada sinto bastante dificuldade e vejo também muitos outros colegas com dificuldade (para pagar a mensalidade), muitos não voltaram para associação devido a questão financeira. Cada semestre o valor aumenta”, acrescentou a jovem.
Atualmente, para a viagem diária até o município de Santos custa, por mês, R$ 385,00. Para cada município é um preço diferente. Alunos alegam que a Aetub tem como justificativa que a prefeitura da cidade reduziu a quantia de repasse para a associação e, por isso, o valor aumentou para os alunos.
No entanto, a prefeitura, por meio da Secretaria de Educação de Bertioga, informou que o repasse para a Aetub não foi reduzido. "Pelo contrário, será majorado". Atualmente, o valor anual repassado é R$ 1.679.989,40. Ainda neste semestre, segundo a prefeitura, o repasse será reajustado, retroagindo ao mês de maio deste ano, totalizando R$ 1.883.769,90 anualmente.
A pasta também informou que o valor repassado à associação é exclusivamente para a contratação dos ônibus.
A presidente da Aetub, Juliana Picolli Rodrigues da Silva, por meio de nota, informou que recebe um auxílio mensal da prefeitura para custear uma parte do valor do transporte, equivalente a 38% do custo com os ônibus, o restante é ‘rateado’ entre os associados.
“Se temos muitos associados, é necessária a contratação de mais transporte, isso faz com que a dívida aumente. Caso tenhamos menos associados a dívida é menor, sendo o repasse uma forma de cobrir uma maior parte dos custos”.
Juliana declarou que existem aproximadamente 350 associados. “Estamos há cinco anos sem uma atualização significante para a Aetub, segundo a lei 1415/2018, temos direito a atualização do IPCA, ao valor repassado todo ano. Esse aumento corresponde a um aumento de aproximadamente 10%”.
Ela continua: “O IPCA, é o índice com menor variação no mercado, ou seja, o combustível teve aumento de aproximadamente 50% e só temos uma atualização de até 10%, essa conta não fecha e, para piorar a situação, a solicitação realizada por essa associação para atualização, ocorreu no começo de março de 2022 e até agora não foi atualizado”.
Ela alega que o custo do transporte aumentou muito, assim como os combustíveis. “Estamos suplicando em diversos ofícios para Secretaria de Educação, Secretaria de Governo e Câmara dos Vereadores, pois o aumento dos combustíveis soma-se mais de 50%, enquanto nosso repasse está estagnado, apenas sofrendo uma atualização tardia, visto que o IPCA é o índice de menor variação nos últimos três anos”.
A presidente explica que, nas cidades de Praia Grande, Mongaguá, Itariri ou São Sebastião, as prefeituras auxiliam com quase 90% do custo do transporte para seus estudantes universitários. “Apesar do PIB de nossa cidade, ser alto. Vivemos a realidade distinta em toda extensão bertioguense, sendo de Caiubura a Boracéia, onde a realidade financeira é bem discrepante de locais como Riviera de São Lourenço, onde a maioria de nossos associados e suas famílias, não tem casa própria e tem renda de um salário-mínimo”.
“Cerca de 80% dos associados tem acesso ao ensino universitário, devido aos planos estudantis do Governo Federal, ou seja, o impacto de uma faculdade numa família, não é somente o custo da faculdade, há o transporte, alimentação junto com todos os custos de suas respectivas casas e familiares, custo total com o transporte, sendo quase inviável o valor repassado a esta associação, estamos diariamente brigando com fornecedores e o poder público, tentando achar uma saída desse aumento”.