Projeto desenvolvido por estudantes do ensino fundamental de São José chegou à etapa nacional do Desafio Liga Jovem, do Sebrae

A demora para conseguir atendimento na rede pública de saúde foi o ponto de partida para uma ideia que pode ajudar a tornar mais eficiente o acesso a consultas. Três alunos de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, desenvolveram o Nora, um aplicativo pensado para facilitar o agendamento de consultas e melhorar o aproveitamento das vagas disponíveis no sistema público.
O projeto é desenvolvido pelos estudantes João Pedro Barocco, Vitor e Miguel e chegou à etapa nacional da quarta edição do Desafio Liga Jovem, iniciativa do Sebrae que reúne estudantes de todo o Brasil para criar soluções tecnológicas para problemas do cotidiano.
Entre os recursos desenvolvidos pelo trio está a chamada “vaga relâmpago”. A proposta é evitar que horários sejam perdidos quando um paciente cancela ou não pode comparecer à consulta.
Quando alguém não consegue, por algum motivo, ir à consulta, o sistema manda um aviso para o próximo da fila para ele suprir essa vaga. Assim, não fica esse desfalque”, explica João Pedro.
O aplicativo também conta com um calendário no qual o usuário consegue acompanhar os atendimentos agendados e consultar as datas das próximas consultas.
Outra função pensada pelos estudantes é o Modo Família, criado principalmente para pessoas que têm dificuldade com tecnologia, como idosos, ou para crianças que ainda não utilizam aplicativos de forma independente.
Nesse formato, um familiar autorizado pode acessar as informações e acompanhar os atendimentos de outra pessoa.
O Nora não foi desenvolvido apenas a partir de uma ideia inicial. Segundo a professora Fernanda Rosa, que acompanha os estudantes, o grupo passou cerca de quatro meses trabalhando no projeto e pesquisou diretamente as dificuldades enfrentadas pela população.
Esses meninos foram a campo, pensaram no problema e conversaram com pessoas da comunidade. Eles foram ao postinho e fizeram uma pesquisa. Também fizemos um formulário com os pais da escola para saber se o projeto era viável”, explica.
A pesquisa ajudou os alunos a entenderem que a proposta poderia, de fato, contribuir para facilitar o acesso aos serviços de saúde.
Para os responsáveis pelo projeto, a experiência também mostra como a tecnologia pode ser utilizada para solucionar problemas simples do cotidiano.
Às vezes a gente acha que inovação e tecnologia têm que ser coisas extremamente diferenciadas. Eles pegaram exatamente uma dor que estavam enxergando e pensaram em como poderiam resolver isso usando a tecnologia para facilitar a vida de todo mundo”, destaca uma das representantes do projeto.
A participação dos estudantes joseenses ganhou ainda mais destaque nesta edição do Desafio Liga Jovem. Dos seis projetos finalistas que representam o estado de São Paulo, cinco são de São José dos Campos.
O Nora foi escolhido para representar a cidade na etapa nacional da competição, que será em Brasília.
A iniciativa reúne estudantes dos oitavos e nonos anos de escolas de todo o país e busca estimular o empreendedorismo, a inovação e a criação de soluções para problemas encontrados na comunidade.
Mais de 86 mil estudantes participaram da quarta edição do Desafio Liga Jovem.
Apesar de ter sido pensado inicialmente para a rede pública de saúde, os estudantes já projetam novos caminhos para o aplicativo.
Victor Gabriel explica que a intenção é adaptar a ferramenta para atender também consultórios e estabelecimentos particulares.
A gente pensa no funcionamento no público para ajudar as pessoas e os consultórios pequenos. Então é mais prático seguir para o privado também. E um processo que queremos aderir é expandir internacionalmente”, afirma.
A possibilidade de levar o projeto para outros países também ganhou um incentivo especial. Os alunos vencedores da competição recebem uma viagem internacional para a Itália.
Para João Pedro, porém, uma das principais recompensas até agora foi acompanhar a reação da família diante da conquista.
Minha mãe falou: ‘Você passou, agora tem que ter responsabilidade’, pegando no meu pé sempre. Ela também falou que um dia quer usar esse aplicativo e ver a família inteira usando. Então é trabalhar duro”, conta.
O trio se prepara para defender o Nora na etapa nacional e transformar uma reclamação comum da população em uma solução desenvolvida por eles mesmos.
O projeto que nasceu dentro da escola pode ser o primeiro passo de uma iniciativa que os estudantes já enxergam com possibilidades de crescimento muito além da sala de aula.