
*Foto: Bruna Vieira
Foi assinado nesta quarta-feira, 2, pelo presidente interino Michel Temer, decreto oficial denominando Alcatrazes como Área de Refúgio de Vida Silvestre (Revis), conforme antecipado pelo Costa Norte no início de Julho. O decreto foi recebido com celebração comedida por ambientalistas e turismólogos da região, visto como uma pequena vitória, de um ainda longo caminho a seguir. Quem explica é o secretário de Meio Ambiente de São Sebastião, Eduardo Hypólito: “Nosso ideal sempre foi a transformação da área em Parque Nacional, o que permitiria visitas turísticas monitoradas e mergulhos no arquipélago, garantindo uma maior fiscalização da área. A denominação de Refúgio Silvestre abre apenas para visitas específicas, e, com isso, a presença de guias e pessoas preocupadas com a preservação do local seguem muito escassas”. Hypólito trabalha no projeto de alteração para Parque Nacional há décadas. Diz ele: “Alcatrazes é o maior refúgio de aves do Sudeste brasileiro e está ameaçado, não apenas as aves, mas toda a rica vida marinha do entorno, com várias espécies raras e ameaçadas de extinção. As pescas clandestinas têm ameaçado a fauna local, e a impossibilidade de visitação inviabiliza uma fiscalização efetiva dessa prática ilegal, já que não temos olhos no local. Todos os dias, embarcações aportam para explorar a área, e esse cenário não muda com a denominação de Refúgio. De qualquer forma, já foi anunciado o aumento da área de proteção, para 60 hectares. E esse anúncio merece celebração, independentemente. A luta pela denominação de parque continua, mas já é um degrau a mais alcançado”.
Turismo
Apesar de não contemplar ampla visitação, como ocorre num parque nacional, o Refúgio de Vida Silvestre não exclui tal modalidade, como acontecia anteriormente, o que abre algumas brechas - a nova denominação pode levar, paulatinamente, à prática de ecoturismo no local. Marianita Bueno, secretária de Turismo de São Sebastião, explica: “Alcatrazes tem um potencial turístico maravilhoso, tanto para o turismo náutico quanto para o ecoturismo. Temos trabalhado não apenas para abrir para o turismo, como para, com isso, garantir uma maior preservação da área, hoje em risco. A luta é pela abertura regularizada, como parque, mas a nova denominação já é uma vitória, sem dúvida”.