A dor da espera e da perda

Costa Norte
Publicado em 05/08/2016, às 18h45 - Atualizado em 23/08/2020, às 15h22

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*Crédito: reprodução

A angústia de amigos e familiares dos sete ocupantes da embarcação Anjo Gabriel I, desaparecida após uma viagem na sexta-feira, 29, até a ilha de Alcatrazes, em São Sebastião, aumentou na sexta-feira, 5. Durante as buscas, três corpos foram encontrados e reconhecidos. Por volta do meio-dia, dois corpos foram localizados pelo navio patrulha oceânico APA, a cerca de quatro milhas da Laje de Santos, segundo informou a Capitania dos Portos de São Paulo. Durante a tarde, o terceiro corpo foi encontrado.

Durante a semana, a reportagem acompanhou a expectativa das famílias por notícias e a esperança de que eles estivessem à deriva, aguardando o resgate. Na terça-feira, a filha de Vandir do Carmo, Elisa Ramos do Carmo, falou sobre a dificuldade em lidar com a espera. Disse ela: “A gente está preocupado quanto à saúde, a segurança deles. A gente não sabe como estão”. Vandir foi um dos três tripulantes identificados no IML de Guarujá, na sexta-feira. Os outros dois corpos encontrados são de Natalino Morita e Rogério Viana.

Em entrevista coletiva na quinta-feira, 4, o capitão dos Portos de São Paulo, Alberto José Pinheiro de Carvalho, informou que os destroços do barco encontrados durante a semana ao sul da ilha de Alcatrazes indicam que houve uma forte colisão, entretanto, a possibilidade de sobreviventes não havia sido descartada. A maior esperança das buscas, segundo ele, seria de os tripulantes terem utilizado a balsa salva-vidas da embarcação.

Segundo informado anteriormente pelo capitão dos Portos, “a questão de buscas para seres humanos, em caso de náufrago no mar, obedece uma convenção internacional, que estabelece que as buscas devem ser mantidas até que se tenha completa impossibilidade de ter sobreviventes ou de ter sucesso. Para esta busca, não existe limite definido para término”. Foram destacadas embarcações do Grupamento de Bombeiros Marítimo, da Polícia Ambiental; uma aeronave Salvaero de Curitiba; e um navio patrulha oceânico. Além disso, colaboram com as buscas marítimas  pescadores voluntários e, ainda, um helicóptero fretado pelas famílias.

Esperança

Quando os destroços e equipamentos começaram a ser encontrados, os familiares demonstraram esperança, já que, por alguns objetos estarem amarrados, eles poderiam ser uma demonstração de que eles tiveram tempo para se planejar. Renata Garbin, irmã do proprietário do barco Fabio Garbin, também a bordo da embarcação, comentou: “Nós acreditamos que eles estejam bem, estamos na esperança. [...]. É angustiante, mas a gente tem confiança. Acredito em Deus”.

As buscas continuam para encontrar, além de Fábio Garbin, Dyone Amorim Neves, Ismael dos Santos e Renato Molinari.

O barco Anjo Gabriel I saiu para o mar na sexta-feira, 29, por volta das 16 horas e tinha previsão de retornar por volta do meio-dia de sábado, conforme informaram os familiares. O último contato com a embarcação aconteceu na sua saída. O mar agitado, com ondas entre dois e três metros, aliado ao mau tempo impediu que eles voltassem.

Bertioga Da redação

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