O evento contará com a presença de Paula Beatriz de Souza Cruz, Bruno Oliveira e Iran Giusti, especialistas no tema
Vanessa Ortiz
Publicado em 21/09/2018, às 12h56 - Atualizado em 23/08/2020, às 17h28
Com o objetivo de estimular a reflexão sobre temas ligados a gênero e sexualidade, em contextos educativos, o Sesc Bertioga promove o encontro Gênero, Identidade e Educação, na segunda-feira, 24, a partir das 19 horas, no Espaço Cênico da unidade, na rua Pastor Djalma da Silva Coimbra, 20, Jardim Rio da Praia. O bate-papo contará com a presença de Paula Beatriz de Souza Cruz, a primeira mulher transexual a se tornar diretora de uma escola, na rede estadual de ensino na cidade de São Paulo, e Bruno Oliveira e Iran Giusti, que organizam o trabalho realizado na Casa 1, centro de cultura e acolhimento em São Paulo, que recebe jovens Lgbt's .
O tema, ainda considerado tabu, foi escolhido por ser pouco discutido na cidade, segundo Amanda Prado, programadora sócio-educativa do Sesc. "A ideia, na verdade, é lançar luz sobre o tema, que até onde sabemos, é pouco discutido na cidade e nas escolas. Sabemos que existe uma população Lgbt no município, mas ainda não sabemos como ela se organiza, onde se encontra e como reivindica seus direitos. Isso (o evento) é uma forma de abrir diálogo com essa parte da população". Ela explica que o Sesc tem ações em diversas frentes, como cultural, esportiva, recreativa, e educativa, como esta. "Na verdade, é um ciclo de debates, palestras e bate-papos que abordam temas relativos à educação em geral".
A escolha dos medidores surgiu de uma pesquisa relacionada a pessoas que já trabalharam a temática em outras palestras, espaços culturais e educacionais. Além de ser a primeira diretora trans da rede pública, Paula Beatriz também é licenciada em pedagogia e pós-graduada em gestão educacional e em docência no ensino superior. Bruno e Iran são organizadores do trabalho do centro cultural Casa 1, um espaço de acolhimento de jovens LGBT's expulsos de casa, por causa da orientação sexual. Esse projeto é financiado pela sociedade civil e tem como proposta o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em atendimento individualizado e humanizado.
Amanda afirma que o assunto é relevante porque a educação deve ser inclusiva e para todos. "Ela tem que ser uma educação que acolha todos os tipos de seres humanos, e que ensine a ver as pessoas como humanos que são e necessitam conviver coletivamente da melhor forma possível". Ela esclareceu que, em Bertioga, surgiu a necessidade de abrir esse debate, para começar a dar voz a essas pessoas que necessitam de apoio e respeito. O termo sexualidade, relacionado ao contexto educacional, ainda gera espanto, visto que o assunto é comumente confundido com falar sobre vida sexual.
"A sexualidade é sobre como estar no mundo, se relacionar consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor. Como se enxergar. Tem a ver com questões de autoestima. Questões que extrapolam muito a vida sexual. Discutir sobre sexualidade na escola é muito mais sobre nós do que parece, e cada abordagem no seu tempo, dependendo da idade da criança ou do adolescente". Para finalizar, a programadora afirma que o debate é necessário até para prevenir a violência. "Infelizmente, o nível de violência sexual ou assédio sexual é alto com crianças e jovens. Até para eles saberem o que é aceitável ou o que não é. Os limites, o consentimento, saber que o seu corpo pertence a você, e que você é soberano sobre ele". O evento é aberto ao público. Para participar, é necessário chegar cerca de 20 a 30 minutos.