Costa Norte
Publicado em 17/03/2016, às 14h12 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h05
Por Thereza Felipelli
Durante uma de minhas caminhadas por Ilhabela, buscava uma boa história para contar. Foi quando tive a felicidade de ser apresentada a Genésio Teles, artista plástico que eu conhecia apenas de outras histórias que havia lido algum dia, na internet.
O renomado artista, de 69 anos de idade e 45 de carreira, mostrou-se animado em me ver interessada no que ele tinha a dizer, principalmente sobre "o encontro de um velho atrevido com uma velha vela do Atrevida", como ele mesmo nomeou.
O "velho atrevido" é o próprio Genésio Teles; já a "velha vela do Atrevida", a qual se referiu, é uma antiga vela do lendário Atrevida, o maior e um dos mais belos veleiros do Brasil. Construído entre 1921 e 1923, em Bristol, EUA, o barco - que fica ancorado no Yacht Club de Ilhabela - pertence ao empresário e ex-senador Gilberto Miranda, que o salvou da destruição, no fim dos anos 90.
Teles ganhou a vela do prefeito Toninho Colucci. Com ela, o artista - que tem obras espalhadas pelo mundo - está finalizando uma grandiosa obra na nova Escola de Vela de Ilhabela, na praia do Pequeá. Trata-se de uma obra de arte única no mundo, um painel no qual Teles, mesclando escultura com pintura, faz alusão à Santa Ceia, representada por velas náuticas. "A Santa Ceia será como uma regata entrando na escola da Capital da Vela", explica o artista.
A obra do artista ocupa 80m², dos quais 20 metros de comprimento por 4 metros de altura. Segundo Teles, a ideia é simbolizar uma regata e, ao mesmo tempo, Jesus com os 12 apóstolos. "Estou usando as mesmas cores utilizadas por Leonardo Da Vinci. São 450m² de fachadas projetadas por mim onde estão dispostas 30 velas decorativas entre os brezes", revela.
A previsão é que a obra seja inaugurada ainda neste mês.