Costa Norte
Publicado em 08/04/2015, às 08h17 - Atualizado em 24/08/2020, às 01h44
A história conta muitas passagens de Hans Staden (HS) e Anchieta (A) pela antiga Buriquioca. O notável é que, lendo seus escritos, verificamos a grande semelhança de opiniões de ambos, a respeito de vários aspectos da cultura dos índios da região, que devem ser consideradas como importante documento para nossa história. Vejamos um apertado resumo: HS: “Os índios nunca perdem uma ocasião de banhar-se, e de bom grado se banham uma dúzia de vezes por dia”; “...os índios instalam suas casas, de preferência, em regiões onde há água, madeira, caça e pesca próximas”; “...os índios são menos predispostos às moléstias do que nós. Paralíticos, aleijados e doentes, vi apenas raras vezes”. A: “O cancro que em Portugal é de tão difícil cura, é facilmente curado aqui pelos índios”; “Os peixes são muito saudáveis nesta terra, e podem-se comer todo o ano sem prejudicar a saúde, e até na doença, sem receio de sarna, que aqui não existe em parte alguma”; “...aqui há uma árvore que solta um líquido..., que exala um cheiro muito forte, porém suavíssimo, e é ótimo para curar feridas de tal maneira, que, em pouco tempo, nem sinal fica das cicatrizes”. HS: “...quem pesca muito, cede aos outros que tiveram menos sorte, uma parte do que pescou”; “O índio cativo que vai ser morto pelo inimigo, discursa antes de morrer, como se fosse para uma festividade, pois a morte, em luta contra seus inimigos ou como prisioneiro, não é temida pelos selvagens. Amedrontam-se , apenas diante da morte provocada por alguma doença”. A: “...aqui há uma grande multidão de macacos... todos eles próprios para se comer... é comida muito saudável até para doentes”; “...quase nenhum índio tem deformidade alguma; acha-se raramente um cego, um surdo, um mudo ou um aleijado, e nenhum nascido fora do tempo”.
Na próxima edição, nova história