Festival do Camarão celebra tradições caiçaras no litoral norte de SP; confira a programação

Festival do Camarão tem início nesta quarta-feira (16) e segue até o dia 27 de julho; evento tornou-se um dos mais importantes de Caraguatatuba

Redação
Publicado em 16/07/2025, às 07h47

Festival ocorre na praça da Cultura - Prefeitura de Caraguatatuba


O tradicional Festival do Camarão de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, tem início a partir desta quarta-feira (16) e segue até o dia 27 de julho, na praça da Cultura, no centro. A festa é um marco cultural e turístico da cidade e, em 2025, completa 26 edições que celebram a cultura caiçara, além de oferecer aos visitantes uma imersão na gastronomia e nas tradições de uma das comunidades pesqueiras mais antigas da região, a da praia do Camaroeiro.

A edição de 2025 trará uma programação que inclui gastronomia, arte, cultura e esporte. O evento inicia oficialmente nesta quarta-feira, às 17h. De 17 a 27 de julho, o festival funciona das 12h às 23h59, com entrada gratuita.

Serão 17 estandes de culinária, com pratos à base de camarão e mandioca, além de dois estandes de doces tradicionais. Para oferecer vivências caiçaras ao público, haverá a Casa do Caiçara, oratório de São Pedro, Espaço da Memória do Arquivo Municipal Arino Sant’anna de Barros e Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (Macc), com exposições e contação de histórias e lendas.



 No Espaço das Artes, exposição e venda de obras de artistas e artesãos locais. No Rancho Caiçara, a cunhagem da canoa e confecção de redes artesanais. Já no Espaço da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, projetos de preservação ambiental e degustação de produtos da Mata Atlântica estarão disponíveis, como o cambuci.

Serão 17 estandes de culinária, com pratos à base de camarão e mandioca - Imagem ilustrativa/Pixabay

 

Corrida de Canoa

No encerramento do Festival do Camarão, dia 27, tem ainda a Corrida de Canoa, às 9h, na praia do Centro, com categorias solo, dupla masculina, feminina e mista. As inscrições serão feitas no local, a partir das 7h30. Quem não tiver canoa, pode participar das baterias com as embarcações que serão cedidas pela fundação. No dia, terá ainda a exibição especial com Miguel de Andrade e convidados, no evento Canoa a Pano.



Festival do Camarão

O 1º Festival do Camarão surgiu em 1998 para celebrar o fim do defeso, período em que a pesca do camarão é proibida. Organizado pela Secretaria de Turismo de Caraguatatuba e pela Colônia de Pescadores Z-8, o festival promove a pesca sustentável e incentiva o turismo local. Ao longo dos anos, o evento cresceu e tornou-se um dos mais importantes de Caraguatatuba.

A partir de 2008, o festival passou a ser realizado na praça da Cultura, no centro da cidade e ampliou as atrações para além da gastronomia, com exposições, atividades culturais e competições esportivas, sempre com o foco na valorização do patrimônio cultural e ambiental da região.

Durante o evento é possível visitar a Casa do Caiçara, um espaço cultural montado que resgata as tradições caiçaras e oferece uma imersão na vida tradicional da comunidade pesqueira, com paredes de pau a pique, que abriga também a Casa da Farinha.



Mais História

A comunidade do Camaroeiro remonta à década de 1940, quando aproximadamente 20 famílias de pescadores começaram a habitar a região. O nome da praia foi inspirado pela grande quantidade de camarões existentes no local, sendo a pesca, com o uso do “puçá”, uma das principais fontes de sustento das famílias. As casas eram simples, construídas de pau-a-pique e iluminadas por lampiões, e as mulheres da comunidade confeccionavam esteiras de taboa, um produto essencial para a pesca.

Praia do Camaroeiro, em Caraguatatuba - Turismo Caraguatatuba

 

A pesca era tão abundante que os pescadores, ao saírem de madrugada, voltavam com balaios cheios de camarões. O comércio da produção era realizado pelos próprios moradores, que vendiam diretamente na praia ou em feiras. O evento religioso em homenagem a São Pedro, padroeiro dos pescadores, surgiu dessa convivência, com celebrações que incluíam rezas, danças e a famosa procissão marítima. Um grande impulsionador dessa festa foi seo Sebastião Isidoro, que encontrou uma imagem de São Pedro durante uma pescaria em 1955.



A festa de São Pedro era marcada pela participação da comunidade local, com figuras de destaque como o capitão do mastro, capitão da fogueira e capitão do pau-de-sebo, além de atividades populares como quadrilhas e cana verde. O quentão, o café com torresmo e os bolos feitos pelas mulheres da comunidade eram oferecidos gratuitamente. A celebração ficou conhecida como Festa do Isidoro e atraia milhares de pessoas, tanto da comunidade, como de toda a região.

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