Saiba mais detalhes de como uma erupção vulcânica do outro lado do globo pode deixar nossos céus parecendo cenário de sonhos
Esther Zancan
Publicado em 03/02/2022, às 14h31 - Atualizado às 15h07
Os últimos dias de janeiro e os primeiros de fevereiro estão sendo marcados por um verdadeiro espetáculo da natureza nos céus. Muitos o têm chamado de "pôr do sol de fogo”, pelas cores exuberantes que lembram chamas, mas a verdade é que o fenômeno acontece na aurora também, não somente no crepúsculo.
O Portal Costa Norte chegou a noticiar e publicar diversos flagrantes de internautas, dos céus coloridos em várias cidades do litoral paulista, como Praia Grande, Bertioga, Santos e Caraguatatuba. Mas o show de nuances que vão desde o avermelhado até o lilás foi observado também em outras cidades do estado, como a capital, e até outros estados, como Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Fique bem informado, faça parte do nosso grupo no WhatsApp ➤ http://bit.ly/CNnoticiasdetodolitoral 📲
Já é sabido que o responsável por toda essa beleza tem um nome bem complicado: Hunga Tonga-Hunga Haʻapai. Ele é o vulcão submarino que entrou em erupção no último dia 15 de janeiro próximo à ilha de Tonga, localizada no Pacífico Sul.
Segundo a Nasa, a erupção do vulcão de Tonga foi centenas de vezes mais forte que a explosão da bomba atômica em Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.
Tamanha fúria da natureza acabou por provocar um tsunami que causou estragos em Tonga e também nas ilhas Fiji e Samoa Americana.
O sistema de comunicação de Tonga, por exemplo, foi fortemente atingido pela erupção e pelo tsunami, o que deixou a ilha praticamente incomunicável com o restante do mundo. Apenas por meio de telefones via satélite é possível se comunicar com outros países.
Se por um lado a erupção do vulcão de Tonga causou estragos, por outro também foi uma prova de como o ciclo da natureza age de forma bela.
Da mesma fonte, brotou desespero para uns, e encantamento para outros, do outro lado do mundo.
A nuvem de cinzas expelidas pelo Hunga Tonga-Hunga Haʻapai alcançou a estratosfera. Segundo especialistas, a partir do estudo de dados de satélites, é possível que ela tenha alcançado os 39 km de altitude.
Também chamada de aerossóis vulcânicos ou pluma vulcânica, essas nuvens, quando encontram os ventos da estratosfera, começam a sua viagem pelo globo terrestre. Para se ter uma ideia, a distância entre Tonga e o Brasil é de quase 13 mil quilômetros, e a pluma vulcânica chegou por aqui menos de 15 dias após a erupção.
A pluma vulcânica contém partículas expelidas durante a erupção, e são essas partículas que refletem a luz solar nos momentos em que o sol está mais próximo a linha do horizonte, como ao amanhecer e ao anoitecer, conferindo ao céu aquele tom avermelhado característico.
Segundo o Instituto Climatempo, a aura de sonhos que os céus do Brasil ganharam nesses últimos dias poderá ser observada ainda por algumas semanas.
As nuvens de cinzas expelidas nas erupções vulcânicas são ricas em dióxido de enxofre e possuem o poder de refletir a luz do sol. Isso pode acarretar até um resfriamento do planeta, já que a energia solar não chega com tanta intensidade à Terra.
Mas não há motivo para pânico. Apesar da estimativa de que a erupção ocorrida em Tonga tenha lançado 400 mil toneladas de dióxido de enxofre, a temperatura global não deve ser afetada.
Para se ter uma ideia, essa quantidade expelida pelo Hunga Tonga-Hunga Haʻapai equivale a apenas 2% do que o Monte Pinatubo, localizado nas Filipinas, lançou na atmosfera em 1991. Naquela ocasião, houve um certo resfriamento do clima global nos dois anos subsequentes.
Então, é só deixar as câmeras sempre à mão na hora do pôr do sol (ou ao amanhecer, para quem tiver pique pra acordar cedinho) e registrar esse presente da natureza enquanto for possível.
* Com informações de ciclovivo.com.br e canaltech.com.br
Você bem informado em 5 minutos! Clique aqui e assine GRÁTIS a Newsletter do Costa Norte ➥ https://bit.ly/newslettercostanorte & leia sua dose diária de informação direto no e-mail