Produção dirigida por cineasta radicada em Ilhabela chega ao evento do estado vizinho após conquistar prêmio na Mostra Ecofalante
Redação
Publicado em 02/10/2026, às 10h04
O documentário Mounir, primeiro longa-metragem dirigido pela documentarista e roteirista Juliana Borges, paulista radicada em Ilhabela, estreia no Rio de Janeiro durante a 28ª edição do Festival do Rio.
A produção integra a mostra não competitiva Itinerários Únicos, da Première Brasil, uma das principais vitrines do cinema nacional.
A produção será exibida em dois dias. Primeiro no dia 5 de outubro (segunda), às 21h15, no Estação Claro Rio 5, localizado na rua Voluntários da Pátria, n° 35 em Botafogo.
Já a segunda exibição será no dia 7 de outubro (quarta), às 16h, no Cinesystem Belas Artes Botafogo 2, situado na praia de Botafogo, n° 316.
Os ingressos são gratuitos, mas devem ser reservados no seguinte site.
Mounir acompanha a trajetória do protagonista entre 2014 e 2024, período em que sua história passa por América, África e Europa. Juliana conheceu Mounir em 2014, quando ele a convidou para produzir um filme sobre sua vida.
A partir daquele momento, a diretora passou a registrar diferentes acontecimentos da trajetória do personagem.
Entre os momentos filmados estão o nascimento do primeiro filho de Mounir e a viagem de retorno à África para reencontrar a família, após mais de 15 anos distante.
A produção não se limita ao relato biográfico. O vínculo construído entre protagonista e diretora também se torna parte central da narrativa, mostrando como essa relação se transforma ao longo dos anos.
“Mounir usou todas as ferramentas de que dispunha para forjar, de forma totalmente criativa e improvável, novas possibilidades para sua vida. Eu sempre me impressiono com sua capacidade de se reinventar”, afirma Juliana Borges.
Hoje com 41 anos, Mounir nasceu na periferia da República Centro-Africana. Segundo a produção, aos 12 anos foi escravizado no Sudão e, aos 14, viveu com grupos rebeldes nos Camarões.
Aos 16, decidiu atravessar o Atlântico no porão de um navio, em uma viagem que terminou com a morte de um amigo.
Depois de passar por diferentes países e experiências, ele se estabeleceu no Brasil, alcançou estabilidade financeira, formou uma família e se naturalizou brasileiro. Atualmente, vive entre a Europa e a África, onde atua no comércio de diamantes, ouro e criptomoedas.
A narrativa também explora as contradições do personagem e embaralha os limites entre realidade e ficção. À medida que a história avança, o público é levado a questionar diferentes aspectos de sua trajetória e identidade.
O documentário busca apresentar Mounir para além das definições de “refugiado” e “imigrante”, colocando em primeiro plano sua trajetória individual e a relação construída com a diretora ao longo de uma década.
Mounir foi produzido pela Ver Pra Crer Produções, de Ilhabela, em coprodução com as produtoras paulistanas Loma Filmes e Pink Flamingo Filmes. O documentário foi elaborado de forma independente e contou com recursos estaduais do ProAC Editais para a etapa de edição e finalização.
Ao longo do desenvolvimento, o projeto passou por laboratórios e mercados como DocSP, Miradas Doc, na Espanha, Docs MX e Ventana Sur, na Argentina.
Embora a história não seja ambientada em Ilhabela, parte das filmagens ocorreu no município, no Centro Cultural Baía dos Vermelhos e no píer da Ponta Azeda.
Outros profissionais da região também participaram da produção, como Pedro Gorski, na produção executiva; Ricardo Imakawa, em uma das funções de som direto; e Norma Nascimento, nas mídias sociais.
O filme já teve estreia mundial no festival LABRFF, em Orlando, nos Estados Unidos, e recebeu o principal prêmio da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, em São Paulo, considerada uma das principais iniciativas cinematográficas voltadas a temas socioambientais na América Latina.
A 28ª edição do Festival do Rio ocorre entre 1º e 11 de outubro, em diferentes espaços da capital fluminense. A programação reúne 104 filmes selecionados entre quase 1.500 longas e curtas-metragens inscritos, apresentando diferentes narrativas, linguagens, gêneros e formas de produção do cinema brasileiro.
Juliana Borges atua como documentarista há mais de 15 anos. Entre os trabalhos dirigidos estão a série Libertários, com 13 episódios de 26 minutos sobre os legados da população negra no Brasil, exibida pela TV Cultura em 2022, e o documentário O Último Baile, de 2023, sobre a Congada de Ilhabela, produzido para a Unesco.
Como roteirista, participou de produções como os longas documentais Ouvidor, que estreou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2023 e passou por mais de 20 festivais, e Ocupa SP, exibido na Mostra de São Paulo em 2024.
Também trabalhou em Odilon, Réu de Si Mesmo, da HBO, em 2021.
Juliana foi ainda uma das roteiristas de The Beat Diáspora, série sobre músicas periféricas globais produzida pelo YouTube Originals, que ultrapassou 10 milhões de visualizações, e roteirista e criadora de Ciência, Substantivo Feminino, série do canal GNT sobre cientistas brasileiras.
Mounir marca a estreia de Juliana Borges na direção de um longa-metragem. De origem caiçara, ela também é uma das fundadoras do Citronela Doc – Festival de Documentários de Ilhabela, que realizou sua sexta edição em 2026, e da Escola de Cinema Citronela.