Drama inspirado na realidade revela dilemas éticos, históricos e científicos ligados à criação das primeiras armas nucleares detonadas durante a Segunda Guerra Mundial
Redação
Publicado em 15/08/2025, às 13h53
Santos recebe, pela primeira vez, a peça O Legítimo Pai da Bomba Atômica, drama inspirado na realidade sobre os bastidores da criação da arma que, há 80 anos, destruiu Hiroshima e Nagasaki, no Japão, e colocou fim à Segunda Guerra Mundial. A apresentação gratuita ocorre em 6 de setembro, às 19h00, no teatro municipal Braz Cubas – Centro Cultural Patrícia Galvão (av. Sen. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias), como parte do 67º Festival Santista de Teatro (Festa).
O espetáculo traz personagens históricos como o físico Léo Szilárd, sua mulher Gertrude Weiss, Albert Einstein, o presidente Harry Truman e o general Groves. Ele explora o projeto secreto americano que desenvolveu as primeiras armas nucleares na Segunda Guerra Mundial, mostrando detalhes que o filme Oppenheimer não revela.
Com texto de Murilo César Dias, direção de Gabriela Rabelo e produção de Rogério Nagai, da Nagai Produções, a montagem mergulha nos dilemas éticos, políticos e históricos da criação da bomba, destacando o conflito interno de Szilárd, que vê sua invenção ser desviada para fins bélicos.
A bomba lançada sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, matou cerca de 70 mil pessoas instantaneamente, número que ultrapassou 140 mil até o fim do ano. Três dias depois, Nagasaki registrou mais de 74 mil vítimas, transformando a geopolítica mundial e reforçando a urgência de discutir o uso da ciência para a guerra.
A montagem também contribui com um importante debate sobre cultura de paz, além de questões étnicas como representatividade, pois personagens reais de diversas nacionalidades (alemão, americano, húngaro etc.) são interpretados por atores nipo-brasileiros, integrantes do Coletivo Oriente-se.
Foram poucas iniciativas no país de espetáculos realizados com elenco totalmente formado por atores brasileiros de ascendência japonesa”, pontua Nagai.
É o segundo espetáculo do grupo, que iniciou com a peça Os três sobreviventes de Hiroshima, em 2013, levando aos palcos os próprios sobreviventes da bomba atômica. Esse espetáculo já esteve em Santos, em 2019, e em Guarujá, em 2023, com direção de Nagai.
“A ideia do projeto é alertar para os perigos de se resolver os conflitos mundiais através de guerras, através da montagem de espetáculos que tratem das grandes tragédias da humanidade, e temas como resiliência, cultura de paz, empatia e superação”, reflete ele, que é santista e iniciou sua carreira artística na cidade.
Premiado no Prêmio Zé Renato de Teatro e indicado ao Aplauso Brasil por Melhor Figurino e Dramaturgia, o espetáculo já passou por cidades como São Paulo, Sertãozinho, Registro e Campo Grande. A produção conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e do Programa de Ação Cultural (ProAC), do governo de São Paulo.
O Festa, em sua 67ª edição, é o festival de artes cênicas mais antigo em atividade no país. Criado por Patrícia Galvão, tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial de Santos em 2019 e recebeu a Ordem do Mérito Cultural em 2011 pelo Ministério da Cultura.
A programação completa está em https://festivalsantistadeteatro.com/.
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