Mundialmente conhecido, o chá verde ganha mais adeptos, interessados em suas propriedades terapêuticas e cosméticas, e são muitas
Redação
Publicado em 21/03/2025, às 14h54
Até há algum tempo, quando se falava em chá, muitos se reportavam ao velho clichê das senhoras inglesas sentadas em volta de uma mesa, às cinco da tarde. Ou, então, do líquido como remédio (camolila e erva cidreira, para acalmar), ou para problemas de estômago e figado (boldo e carqueja). Hoje, a bebida natural conquistou a preferência de muitos e é saboreada a qualquer hora do dia ou da noite, frio ou quente.
E o queridinho da vez é o chá verde, elaborado a partir da erva Camellia sinensis. Recebe essa denominação porque as folhas da erva quase não sofrem oxidação, ou seja, logo após a colheita, as folhas vão para a secagem, para evitar a fermentação. Mas você sabe de onde surgiu o chá?
A China, país mais populoso do mundo, leva o mérito por ter descoberto essa maravilhosa bebida. Conta a lenda que, no ano 2.737 a.c., o imperador chinês Shen Nung repousava à sombra de uma árvore quando algumas folhas caíram numa vasilha de água fervente que seus servos preparavam para ele beber. O odor provocado pela infusão chamou sua atenção e ele resolveu provar. A novidade agradou, originando o chá.
Os benefícios proporcionados pelo chá, especialmente o verde, são inúmeros. Segundo a nutricionista Camila Martinez, as virtudes medicinais do chá são de conhecimento milenar, principalmente, o seu efeito estimulante. Porém, o avanço da ciência comprovou suas propriedades terapêuticas e cosméticas.
Ele é considerado, atualmente, um aliado da saúde por ser rico em flavonoides, substâncias antioxidantes que ajudam a neutralizar os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento celular precoce, além de bioflavonoides e catequinas, ambas substâncias que bloqueiam as alterações celulares que dão origem aos tumores, impedindo alterações no DNA das células.
O chá verde tem muito mais: auxilia também na diminuição da taxa de colesterol, o LDL, o colesterol ruim; fortalece artérias e veias; ativa o sistema imunológico, que é o responsável pela defesa do organismo; inibe a atividade de enzimas-chave do cérebro associadas à perda de memória. E, o que dez entre dez mulheres adoram: ajuda a queimar a gordura corporal, ou seja, a emagrecer.
Já na área da cosmetologia, estudos feitos em importantes centros de pesquisa dos Estados Unidos e da Europa mostraram que substâncias extraídas da planta Camellia sinensis têm altas concentrações de antioxidantes, considerados até mais potentes que os carotenos e as vitaminas C e E, que atuam contra as rugas precoces. Outros benefícios atribuídos ao chá verde são elementos como o manganês, potássio, ácido fólico e as vitaminas B1, B2, C e K, que ajudam a prevenir doenças cardíacas e circulatórias por conter boa dose de tanino, substância encontrada em alguns vegetais e que tem grande poder adstringente.
Pesquisadores acreditam ainda que o hábito de beber chá, em vez de café, é um dos fatores responsáveis pelo menor índice de infarto em países do Oriente. E como se não bastasse, comprovou-se também que as substâncias presentes no chá verde ajudam a prevenir as cáries e têm ação antiinflamatória e antigripal. Ô chazinho bom!
A partir da folha da Camellia sinensis é possível obter diferentes tipos de chá, como o verde, o banchá e o preto. A diferença entre eles está no tratamento dado antes e depois da colheita, o que acarreta, em alguns casos, a perda de alguns nutrientes. Porém, o efeito benéfico persiste. Camila Martinez explica que a diferença da matéria-prima, seja o verde, o preto ou o banchá, reflete-se no sabor, cor e, possivelmente, nos teores de catequinas.
O chá verde é produzido com as folhas mais novas e tenras e, por isso, é bem amargo. O chá preto, diferentemente do verde, sofre um processo de fermentação, o que confere ao líquido um tom avermelhado escuro e um sabor intenso. Depois, as folhas são aquecidas e desidratadas. Já o banchá, que é um tipo de chá verde japonês, colhido na segunda leva entre o verão e o outono e elaborado com folhas grossas e fibrosas, é feito com folhas mais velhas, que permanecem no pé por mais de três anos. Também é fermentado e contém menos cafeína e tanino, o que lhe confere um sabor mais suave.
Agora, se a palavra amargo mexeu com você, não se preocupe. A nutricionista afirma que é possível misturá-lo com o chá de hortelã, erva-doce ou camomila, pois também possuem tanino, catequinas e flavonoides. Se você prefere mais doce, opte por mel ou adoçante à base de stevia, adoçante natural extraído de planta. Nem assim vai? Não se preocupe, siga a dica da nutricionista e utilize o chá verde em cápsulas.
Se for a granel, deve ser preparado por infusão, na proporção de duas colheres de sopa do chá para um litro de água (de início, recomenda-se uma colher para 1 litro, a fim de acostumar o paladar e o organismo). Quando a água começar a ferver, retire do fogo e tampe o bule por dois a três minutos. No caso de sachê, após a infusão, retire o sachê e esprema-o para liberar os taninos. Recomenda-se ingerir até 1 litro de chá verde por dia. Segundo especialistas, o seu consumo é milenar e não há notícias de efeitos colaterais, a não ser para quem tem sensibilidade à cafeína, presente na sua composição
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