Campanha da Havaianas causa boicote político e derruba ações na bolsa

Propaganda da Havaianas com trocadilho sobre pés gerou reação política, viralizou nas redes sociais e provocou queda nas ações da empresa na bolsa

Lenildo Silva
Publicado em 22/12/2025, às 17h00

Políticos e influenciadores conservadores publicaram vídeos e posts contra campanha da marca - Reprodução/Havaianas e Eduardo Bolsonaro


A Havaianas entrou no centro de debate nacional ao lançar campanha publicitária estrelada por Fernanda Torres, que propõe começar 2026 "com os dois pés".

A reação ocorreu no domingo (21), quando grupos políticos passaram a criticar a mensagem e convocar boicote à marca.

A mobilização partiu de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por trama golpista, que interpretaram o slogan como sinal político.



O episódio ganhou força nas redes sociais e levou a marca, conhecida pelo tom descontraído em propagandas, ao centro de discussão ideológica.

O impacto ultrapassou o ambiente digital. As ações da Alpargatas, empresa controladora da Havaianas, registraram queda de cerca de 3% no início da tarde, cotadas a R$ 11,37.

O movimento ocorreu durante pregão esvaziado, influenciado pela semana encurtada do Natal, segundo o site Valor Investe.



Entre reações mais visíveis, políticos e influenciadores conservadores divulgaram vídeos e postagens com críticas à campanha. Eduardo Bolsonaro, deputado federal que perdeu o mandato por faltas, apareceu descartando pares do produto, enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira ironizou o conceito publicitário.

Trocadilho

A estratégia da marca, no entando, retomou linguagem já usada em campanhas anteriores. Em 2014, durante a Copa do Mundo no Brasil, peça publicitária com o ex-jogador Romário explorou trocadilho com o pé esquerdo, ao associar que o pé de "azar" ficaria com a Argentina e o pé direito da "sorte" seria do Brasil.

No comercial atual, Fernanda Torres disse para não entrar 2026 com o pé direito, ao refletir que a sorte depende exclusivamente da sorte, e desejou que o público entre no novo ano "com os dois pés", seja na estrada, na porta ou "na jaca".



Apesar do tom descontraído, a repercussão ganhou força, dividiu ainda mais um país polarizado politicamente. A empresa não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.

Para mais conteúdos