Turismo feminino ganha força e impulsiona mulheres a viajarem sozinhas pelo Brasil e o mundo

Em busca de liberdade, lazer e autoconhecimento, elas movimentam um segmento cada vez mais valorizado por agências e operadoras de viagens

Reginaldo Pupo
Publicado em 11/06/2026, às 08h00

Pesquisa do Ministério do Turismo revelou que quatro em cada 10 mulheres brasileiras já viajaram sozinhas - Reginaldo Pupo


Destinos turísticos espalhados pelo mundo, agências de turismo e companhias aéreas vêm detectando nos últimos anos aumento significativo no número de mulheres que viajam sozinhas ou em grupos.

A participação feminina nesse segmento não é novidade e vem se consolidando cada vez mais, porém, o chamado turismo feminino deixou de ser tendência para se tornar uma realidade ainda mais presente no Brasil e no mundo.

Esse comportamento é confirmado pelo Ministério do Turismo. Em parceria com a Unesco, a pasta realizou uma pesquisa neste ano que detectou que quatro em cada 10 mulheres brasileiras já viajaram sozinhas, refletindo uma mudança clara no comportamento das viajantes.



Segundo o levantamento, 72,6% das entrevistadas declararam que viajam por lazer, enquanto 65,1% se dirigem a destinos turísticos em busca de liberdade. Ao menos 41,4% priorizam o autoconhecimento.

O novo segmento está no radar de agências de turismo. A Abreu, por exemplo, criou um programa de viagens voltado para o público feminino. Segundo a operadora, o “Mulheres Preciosas” promove encontros entre mulheres com diferentes histórias e experiências, criando um ambiente acolhedor para compartilhar momentos, conversas e descobertas. As trocas genuínas do grupo, segundo a empresa, favorecem a criação de amizades que podem durar além da viagem.

A professora paulistana Estela Cordeiro, em sua viagem à cidade de Portillo, no Chile - Foto Arquivo Pessoal

 



Segurança

O litoral norte de São Paulo é um dos destinos preferidos do público feminino. Além das belas praias, paisagens deslumbrantes e a presença marcante da Mata Atlântica, elas buscam as cidades da região, também, por se sentirem mais seguras.

É o caso da fisioterapeuta Marcella Campos, 31, que apesar de já ter viajado para 12 países, sozinha, vê no litoral norte seu “porto seguro”. Moradora de Campinas, ela diz que viaja para São Sebastião em busca de autoconhecimento.

“Fico em uma praia cercada por muito verde, bem bucólica, onde me identifico bastante. É o lugar que escolhi para meditar, refletir sobre a vida e também programar as próximas viagens internacionais”, diz ela, se referindo à praia de Barra do Sahy, na região sul da cidade.



Ainda segundo Marcella, outro motivo que a leva até São Sebastião é a segurança. “A casa tem muro baixo, já dormi com as janelas abertas e nunca tive problemas. A praia é super tranquila e para viajar sozinha, é essencial que haja segurança nos destinos visitados”, completa.

Planejamento

Outra viajante solitária é a professora Maristela Cordeiro, 43, residente no bairro Itaquera, na capital paulista. Ela conta que o essencial para viajar sozinha é realizar um planejamento prévio, com a maior antecedência possível. “Sempre ouvi dizer que metade do prazer em viajar está na antecipação. Decidi testar essa teoria na prática e comecei a desenhar os passos da minha próxima jornada com meses de antecedência”, conta.

Segundo Estela, que já viajou para Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai e conhece os quatro municípios do litoral norte, com bom planejamento, evitam-se problemas que podem surgir de última hora. “Em vez de me render ao caos das decisões de última hora, geralmente divido o calendário em quatro grandes marcos para eu cumprir meu roteiro sem estresse”, salienta.



Outro ponto que ela ressalta, para que as viagens solitárias ocorram sem problemas, é a aquisição de passagens e ingressos antecipados, pela internet. “Com os voos e hospedagens garantidos, fico focada nas experiências do dia a dia. Assim, não perco horas em filas quilométricas. Costumo criar um mapa digital, onde agrupo pontos de interesse mais próximos do hotel, além de, também, contratar um seguro viagem, o que me garante tranquilidade médica e jurídica durante minhas viagens”, ensina Estela.