Com cerca de 2 km de extensão, praia reúne comunidade tradicional, trilhas, quiosques rústicos e relatos curiosos sobre o passado da região
Rhauanny Queiroz
Publicado em 12/09/2026, às 13h12
Quem chega à praia Grande do Bonete, em Ubatuba, pela trilha pode ter uma primeira impressão que diz muito sobre o lugar: a paisagem surge entre a vegetação, com uma extensa faixa de areia e a comunidade caiçara espalhada pelo entorno.
Localizada no percurso da Trilha das Sete Praias, a praia tem aproximadamente 2 quilômetros de extensão, areia clara e mar que pode apresentar ondas razoáveis, principalmente durante períodos de ressaca.
Mas a paisagem não é o único motivo para prestar atenção ao Bonete.
A região mantém uma comunidade tradicional de pescadores, festas religiosas, corrida de canoas e costumes que atravessaram diferentes períodos da história. E, entre as histórias contadas sobre o local, existe até um curioso relato envolvendo uma suposta embarcação desconhecida observada por moradores.
Durante muito tempo, a praia Grande do Bonete ficou conhecida também entre jovens que procuravam um lugar para acampar.
Era comum encontrar camping selvagem na areia, à sombra dos abricós, reunindo muitos jovens. Atualmente, esse tipo de atividade é proibido, e a praia passou a ser principalmente um local de passagem para visitantes que percorrem a trilha ou chegam pelo mar.
Ainda assim, a estrutura existente mantém características rústicas.
Há quiosques à beira-mar, enquanto a vila de pescadores possui opções de bares e restaurantes. A região também conta com casas de veraneio e mantém a presença da comunidade caiçara.
A praia Grande do Bonete faz parte da Trilha das Sete Praias, percurso entre a praia da Lagoinha e a praia da Fortaleza.
Partindo do canto esquerdo da Lagoinha, a caminhada leva aproximadamente 50 minutos, de acordo com as informações fornecidas. Pelo outro lado, é possível chegar a partir da praia da Fortaleza por uma trilha de aproximadamente 40 minutos, que possui uma subida íngreme seguida de descida até o Bonete.
No canto esquerdo da praia, o caminho continua em direção às praias do Deserto, Cedro do Sul e Fortaleza.
Essa trilha também carrega uma história antiga. Segundo a fonte, o percurso foi utilizado por indígenas, negros e posteriormente europeus colonizadores.
Além da paisagem, alguns pontos da praia Grande do Bonete chamam atenção pelas possibilidades de lazer.
O canto esquerdo é apontado como um local adequado para snorkeling, pesca com vara e banho. A área também é descrita como apropriada para crianças.
As águas podem apresentar tonalidades verde-claras, especialmente marcantes quando observadas a partir da trilha. Próximo às pedras, a transparência permite avistar tartarugas.
Na frente da praia, outro elemento chama atenção: a Ilha do Mar Virado, sítio arqueológico onde foram encontrados vestígios de uma civilização de aproximadamente 2 mil anos.
Já no canto direito da praia, na costeira, existe uma caverna utilizada como abrigo por pescadores.
No lado oposto ficam alguns ranchos de canoas e uma pequena barra de rio, espaço utilizado para partidas de futebol de areia e encontros dos moradores.
A própria organização da comunidade chama atenção.
Como a localidade não possui ruas, os acessos têm uma disposição diferente. Segundo a fonte, muitos deles receberam nomes de peixes da região e são acompanhados por plantas cuidadas nas laterais.
No centro da comunidade está uma capela que guarda uma imagem de Cristo em bronze, confeccionada pelo artista Alberto Frioli na antiga fundição que funcionou na praia do Peres.
Em frente à escola existe ainda uma área utilizada para festividades.
A paisagem, portanto, não se resume à faixa de areia. A praia Grande do Bonete mantém uma relação próxima entre moradia, pesca, religião, natureza e convivência comunitária.
As tradições religiosas ocupam um espaço importante na história do Bonete.
Os padroeiros são São Sebastião, cuja festa é comemorada em janeiro, e Nossa Senhora de Santana, celebrada na última semana de julho.
No passado, a região também teve roças que produziam principalmente mandioca, cana, banana, café, frutas e plantas utilizadas para fins medicinais, como o chá preto.
A rotina da comunidade acompanhava os períodos de pesca e colheita e também o calendário religioso.
Entre as tradições estava o 'Bate-Pé', associado às festas e encontros das comunidades caiçaras.
Um relato de Benedito Antunes de Sá, morador da praia da Caçandoca, descreve como as pessoas se reuniam para participar dessas celebrações. Segundo ele, quando a fumaça subia no canto da praia Grande do Bonete, era o sinal de que haveria 'função'.
Moradores da Caçandoca se organizavam para participar. Os homens seguiam a pé e as mulheres de canoa, permanecendo na festa durante toda a noite.
A celebração reunia também moradores de Maranduba, sertão da Quina, Araribá, Rio da Prata, Tabatinga, Fortaleza e praia Dura.
Entre as histórias associadas à comunidade está um relato que ganhou o nome de 'OVNI local'.
No final da década de 1990, o pescador e morador tradicional Virgílio Lopes contou ao Jornal Maranduba News uma experiência que, segundo ele, havia presenciado quando era jovem.
De acordo com o relato, homens da Marinha chegaram à praia e orientaram os moradores a permanecerem dentro de suas casas.
Alguns moradores, conhecedores dos chamados 'corta-caminhos' da região, teriam conseguido observar o que acontecia de longe.
Segundo Virgílio, eles teriam visto dois barcos da Marinha ao redor de uma terceira embarcação, que aparentava ser americana, enquanto esta puxava do mar algo descrito como um grande charuto.
O pescador também afirmou que, antes daquele episódio, alguns pescadores conseguiam enxergar o objeto no fundo do mar, mas as redes passavam por ele sem conseguir capturá-lo.
O relato ainda menciona um jornalista que teria conseguido um pedaço do objeto, que posteriormente teria desaparecido.
A história é apresentada na fonte como um relato do pescador Virgílio Lopes, sem comprovação apresentada no material sobre a natureza do objeto.
A dificuldade de acesso também faz parte da história da comunidade.
Entre 1977 e 1986, houve um processo para abertura de uma estrada costeira ligando a Lagoinha à praia Grande do Bonete.
A comunidade havia solicitado a obra à SUDELPA, Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista, em parceria com a Prefeitura de Ubatuba.
O pedido contou inicialmente com um abaixo-assinado de 158 pessoas. O projeto tinha orçamento de CR$ 2 milhões, conforme relatório de 1986.
O custo elevado fez com que o processo se prolongasse e, posteriormente, a própria comunidade desistisse da ideia.
O projeto acabou não se concretizando, e a praia permaneceu ligada aos acessos por trilha e mar.
O acesso pode ser feito de barco ou por trilha.
A partir do canto esquerdo da praia da Lagoinha, a caminhada leva aproximadamente 50 minutos. Também é possível chegar pelo norte, partindo da praia da Fortaleza, em uma trilha de aproximadamente 40 minutos.
No canto esquerdo da praia Grande do Bonete, o visitante pode continuar pela Trilha das 7 Praias, seguindo em direção às praias do Deserto, Cedro do Sul e Fortaleza.
Como o local possui trilhas e vegetação, é recomendado o uso de repelente contra insetos.