Segunda parada da Trilha das Sete Praias, antigo vilarejo de pescadores já abrigou uma fundição de esculturas de bronze que ganhou o mundo
Rhauanny Queiroz
Publicado em 09/09/2026, às 13h23
Quem percorre a trilha das Sete Praias, no litoral sul de Ubatuba, encontra na praia do Peres um cenário marcado por areia acinzentada, pedras, vegetação e águas tranquilas. Mas a paisagem atual esconde uma história que pode surpreender quem passa pelo local.
A pequena praia foi uma antiga vila caiçara de pescadores e, entre 1985 e 1990, também recebeu uma fundição de esculturas de bronze. Em meio à Mata Atlântica, foram produzidas obras que posteriormente seguiram para galerias e outros espaços no Brasil e no exterior.
Antes de chegar a essa história, porém, é preciso percorrer a trilha.
A praia do Peres é a segunda praia da trilha das Sete Praias, para quem parte da praia da Lagoinha em direção à praia da Fortaleza.
O caminho passa primeiro pela praia do Oeste. A trilha acompanha o mangue que desemboca no mar e atravessa uma área de Mata Atlântica, onde podem ser observadas bromélias, árvores centenárias, pássaros e animais silvestres.
O percurso é considerado de fácil acesso.
A distância e o tempo informados pelas fontes fornecidas variam: o acesso geral é descrito como uma caminhada de aproximadamente 25 minutos a partir da praia da Lagoinha, enquanto a descrição específica da trilha aponta cerca de 12 minutos, passando pela praia do Oeste.
Ao chegar, o cenário muda.
A praia do Peres possui uma faixa de areia curta, de areia monazítica batida, com muitas pedras espalhadas pela orla.
O mar é tranquilo e o local é especialmente utilizado para acesso náutico, além de ser ponto de partida para barcos de pesca dos caiçaras que vivem nas proximidades.
A paisagem mantém o entorno arborizado e a presença da comunidade tradicional ajuda a preservar uma relação antiga entre os moradores e o mar.
No local existe ainda um quiosque-bar rústico, que costuma funcionar durante a temporada de verão, oferecendo batidas e petiscos.
A praia também é apontada como um lugar com uma bela vista para o pôr do sol.
O nome da praia está ligado a uma antiga moradora da região.
Segundo as informações fornecidas, a denominação é uma homenagem a dona Mariquinha do Peres, proprietária de um engenho de pinga.
A bebida era transportada em canoas de voga para ser comercializada no Porto de Santos.
A história ajuda a revelar uma época em que o deslocamento pelo litoral dependia muito mais das embarcações e da relação dos moradores com o mar.
Mas essa não é a única história curiosa ligada ao lugar.
Entre 1985 e 1990, a praia do Peres abrigou uma fundição de esculturas de bronze do artista Alberto Frioli.
O espaço ficava incrustado nas montanhas, à beira-mar e em meio à vegetação e à fauna da região.
Ali eram produzidas esculturas de animais em tamanho natural e também obras abstratas. Algumas eram tão grandes que precisavam de seis a dez homens para serem erguidas.
Uma delas foi um cavalo de bronze que, segundo o material fornecido, atualmente enfeita um aeroporto no Canadá.
O que torna essa história ainda mais curiosa é a forma como as obras eram transportadas.
Na época, o local tinha acesso difícil, sem estrada e sem luz, características que representavam um desafio para a instalação da fundição.
Ao mesmo tempo, o isolamento e o contato intenso com a natureza foram considerados favoráveis à inspiração artística.
A produção das esculturas também acabou criando uma nova possibilidade profissional para moradores da região.
Alguns pescadores aprenderam técnicas de fundição de bronze e passaram a atuar como artesãos.
Eles também participaram do transporte dos lingotes e de outros materiais utilizados na produção, utilizando suas próprias canoas de madeira.
Assim, durante alguns anos, uma antiga vila de pescadores passou a fazer parte do caminho de grandes esculturas de bronze.
O atelier instalado na praia do Peres combinava tradições artesanais com técnicas sofisticadas de fundição.
O trabalho de Frioli envolvia pesquisas e métodos desenvolvidos no exterior, adaptados aos materiais refratários brasileiros.
Algumas esculturas também incorporavam pedras brasileiras, utilizadas nos detalhes das peças e lapidadas como em processos de criação de joias. Entre os trabalhos associados ao artista está o Projeto Harmonizador Planetário.
Também há uma obra de Frioli na capela São Sebastião, na praia Grande do Bonete, conforme o material fornecido.
Alberto Frioli nasceu em Rimini, na Itália, em 1943, e passou parte da vida em Veneza antes de se mudar para o Brasil.
Retornou ao país em 1972 e estabeleceu-se definitivamente em São Paulo, onde se naturalizou brasileiro. Anos depois, construiu um atelier em Ubatuba, onde produziu grande parte de suas obras.
Sua trajetória artística passou por pintura, escultura, poesia e arquitetura, reunindo essas diferentes formas de expressão em seus trabalhos.
Para quem chega à praia do Peres pela trilha das Sete Praias, a caminhada ainda está longe de terminar. No canto esquerdo da praia, começa uma trilha que leva à praia do Bonete.
O percurso maior segue por diferentes trechos do litoral até chegar à praia da Fortaleza, revelando outras praias ao longo do caminho.
A praia do Peres, portanto, pode ser uma parada para descansar, observar o mar e conhecer a paisagem, mas também funciona como um ponto onde diferentes momentos da história de Ubatuba se encontram.
O acesso é feito pela trilha das Sete Praias, a partir do canto esquerdo da praia da Lagoinha.
O percurso passa pela praia do Oeste antes de chegar à praia do Peres. A caminhada é considerada de fácil acesso.
A praia do Peres pode parecer apenas uma pequena faixa de areia no caminho entre uma praia e outra. Mas, olhando mais de perto, ela revela muito mais.
Foi vila de pescadores, ponto de partida de barcos caiçaras e, por alguns anos, cenário para a produção de grandes esculturas de bronze.