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Praia de Picinguaba, em Ubatuba, guarda lenda de lobisomem e tradições caiçaras

Com barcos de pesca, cultivo de vieiras e uma vila histórica, praia no norte de Ubatuba também preserva uma história contada por antigos moradores

Rhauanny Queiroz
Publicado em 13/10/2026, às 16h35

Enseada de Picinguaba tem águas tranquilas e barcos que ajudam a contar a história da comunidade - Divulgação/Prefeitura de Ubatuba


Uma pequena vila de pescadores, barcos espalhados pela enseada e uma praia de águas tranquilas compõem o cenário de Picinguaba, em Ubatuba. Mas a paisagem não é a única razão para conhecer o lugar. Entre as tradições preservadas pela comunidade caiçara, uma antiga lenda chama atenção: a história de um morador que teria sido um lobisomem.

Localizada no extremo norte do município, a praia de Picinguaba mantém características de uma comunidade tradicional, com embarcações atracadas na orla e moradores ligados à pesca. A região também oferece opções de hospedagem e alimentação, além de passeios de barco que levam visitantes a outros pontos do litoral.

O lugar reúne ainda histórias ligadas à religiosidade, iniciativas de cultivo de vieiras e uma paisagem que ganha outro destaque no fim do dia. Com a praia voltada para o oeste, o pôr do sol está entre os atrativos apontados no material de referência.



Uma vila caiçara que preserva suas tradições

A praia de Picinguaba fica a aproximadamente 40 quilômetros do centro de Ubatuba e também a cerca de 40 quilômetros de Paraty. O acesso é feito pela rodovia Rio-Santos, seguido por uma estrada asfaltada, estreita e sinuosa, cercada pela Mata Atlântica.

Ao chegar à vila, os visitantes encontram uma pequena faixa de areia, mar tranquilo e diversas embarcações atracadas na enseada. A pesca faz parte da rotina da comunidade, que mantém tradições caiçaras e preserva características de uma antiga vila de pescadores.

O nome Picinguaba é associado à expressão 'refúgio de peixes', de origem tupi. A vila também é reconhecida por seu valor histórico: o conjunto foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) em 1º de março de 1983.



Apesar do perfil tradicional, a região conta com pousadas, hospedagens, restaurantes e bares. Também é possível alugar pequenas embarcações, conhecidas como baleeiras, com pescadores locais.

A praia é dividida em quatro pequenas faixas de areia

Embora seja conhecida como uma única praia, Picinguaba apresenta quatro pequenos trechos de areia separados por pedras e formações rochosas. Os nomes foram atribuídos pelos próprios moradores.

A partir do canto direito, os trechos são conhecidos como praia do Lanço, praia do Meio, praia do Empório e praia do Pôr do Engenho. Na praia do Empório, há uma concentração maior de embarcações.



O mar tranquilo é uma das características do local e favorece atividades como mergulho e pesca. A praia também é considerada adequada para famílias com crianças.

Além da paisagem, os barcos ancorados na enseada fazem parte da identidade visual da vila. As embarcações podem ser vistas ao longo da orla e reforçam a ligação entre a comunidade e o mar.

Pôr do sol é um dos destaques de Picinguaba

A praia de Picinguaba também é conhecida pela possibilidade de observar o pôr do sol sobre o mar. Isso está relacionado à sua orientação para o oeste, característica destacada no material enviado.



A paisagem reúne a faixa de areia, as embarcações e as águas da enseada, criando um cenário diferente do que costuma ser associado às praias voltadas para o leste.

Outro ponto de interesse é a possibilidade de visitar a ilha das Couves em embarcações que partem da região. O transporte é feito de forma controlada, conforme as informações fornecidas.

A combinação entre a vila, a atividade pesqueira e os passeios náuticos faz de Picinguaba um destino que permite conhecer um pouco mais da relação dos moradores com o litoral.



Cultivo de vieiras ajuda a diversificar a renda dos pescadores

Além da pesca tradicional, Picinguaba participa de iniciativas de cultivo de vieiras, moluscos marinhos apreciados na gastronomia. O projeto mencionado no material foi desenvolvido pela ONG Eco-associação e envolve famílias de pescadores da região.

A iniciativa foi apresentada como uma alternativa de renda para a comunidade, com capacidade de produção estimada em aproximadamente 20 mil vieiras por mês.

A estrutura descrita inclui um catamarã utilizado no manejo, além de equipamentos para limpeza e separação dos moluscos. O projeto recebeu apoio de diferentes instituições, entre elas a prefeitura de Ubatuba, o Instituto de Pesca e a Associação dos Maricultores do Estado de São Paulo (Amesp).



O cultivo de vieiras no município começou em 2005, quando pescadores foram levados a conhecer uma iniciativa de ecodesenvolvimento em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e participaram de capacitação técnica.

Posteriormente, produtores receberam sementes de vieiras para testar o cultivo em Ubatuba. Além de Picinguaba, outras comunidades, como a praia Grande do Bonete e a praia do Perez, também foram citadas entre os locais envolvidos nessa atividade.

As vieiras são moluscos com conchas formadas por duas partes. Conhecidas internacionalmente como scallops, são apreciadas como alimento e também chamam atenção pelas conchas em formato de leque.



A lenda do lobisomem que atravessou gerações

Entre as histórias contadas por antigos moradores de Picinguaba está uma lenda sobre um suposto lobisomem. O relato envolve uma mulher que voltava da missa em uma Sexta-Feira da Paixão, durante uma noite de lua cheia.

Segundo a narrativa, a mulher vestia uma baeta, descrita como um vestido vermelho, quando encontrou um cachorro enorme pelo caminho. O animal teria mordido um pedaço de sua roupa. Assustada, ela correu para casa, trancou a porta e ficou rezando enquanto esperava o marido.

Quando ele chegou, a mulher contou o que havia acontecido. Enquanto fazia carinho nele, percebeu um pedaço de tecido vermelho entre os dentes do homem. A descoberta a deixou ainda mais assustada e, ao amanhecer, ela procurou o padre para relatar o episódio.



Conforme a lenda, o religioso tomou providências para desfazer o suposto encantamento. O marido teria agradecido por ter sido libertado da maldição, mas a história termina de maneira trágica: por razões que o relato não esclarece, ele matou o padre com um tiro.

A narrativa faz parte das histórias atribuídas aos antigos moradores. Trata-se de uma lenda local, não de um acontecimento comprovado. O relato mostra como histórias transmitidas entre gerações também integram a memória cultural da vila.

Uma das capelas antigas de Ubatuba fica na vila

Picinguaba também tem uma ligação com a tradição religiosa. Na vila está a capela Imaculada Conceição, descrita no material enviado como uma das mais antigas de Ubatuba. A capela integra os pontos de interesse do lugar e faz parte do conjunto de referências históricas e culturais que convivem com a atividade pesqueira e a rotina da comunidade.



A presença da igreja ajuda a contextualizar a importância da religiosidade na história local, aspecto que também aparece na lenda contada pelos antigos moradores.

Como chegar à praia de Picinguaba

O acesso à praia de Picinguaba é feito pela rodovia Rio-Santos, por uma entrada que leva à vila por uma estrada asfaltada, estreita e sinuosa, inserida na Mata Atlântica. A região conta com acesso por ônibus, além de opções de hospedagem e alimentação próximas à praia.

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