Passeio promete uma imersão na Mata Atlântica à noite; conheça também a história da Calçada do Lorena e Rancho da Maioridade
Esther Zancan
Publicado em 25/07/2025, às 08h57
Integrado ao Parque Estadual Serra do Mar, o Parque Caminhos do Mar agora promove caminhada noturna. A próxima ocorre no dia 9 de agosto (sábado) e promete uma imersão na Mata Atlântica à noite, oportunidade para observar o céu noturno e o comportamento da fauna e flora quando o Sol se põe.
O roteiro tem saída do estacionamento em São Bernardo do Campo (rodovia SP-148, km 42 - Estrada Velha de Santos), às 17h, com início da caminhada marcado para às 18h. Se o clima permitir, parte será pela Calçada do Lorena, encerrando no Rancho da Maioridade. Em caso de mau tempo, o trajeto será totalmente pelo Roteiro Histórico. Após o lanche (incluso no valor do passeio), o retorno ocorrerá por meio de van até o ponto de partida. O valor do ingresso é R$ 120 e a previsão de término do passeio é 21 horas.
O limite é de 30 visitantes. O parque recomenda que os participantes usem sapatos fechados, calça e blusa de mangas compridas. Lanternas serão fornecidas e devem ser devolvidas no final da visita. Os ingressos podem ser adquiridos no site do Parque Caminhos do Mar.
Uma das proezas da engenharia do século 18 em terras paulistas corre discreta sob a sombra de embaúbas, araçás e outras árvores da Mata Atlântica. Primeiro caminho pavimentado do litoral ao planalto, em São Paulo, com aproximadamente 9km de extensão, a Calçada do Lorena começou a ser construída com pedras da região entre os anos de 1789 e 1790 e foi concluída em 1792, sob o comando do então governador da província Bernardo José Maria de Lorena.
Foi um feito e tanto de Lorena (daí o nome da calçada) e dos membros do Real Corpo de Engenheiros de Lisboa, que coordenaram a obra na Serra do Mar. Mas não só. A obra também foi executada graças ao trabalho de dezenas de escravizados, que levaram as pedras usadas para o calçamento e as instalaram em terrenos extremamente íngremes.
Até então o transporte de cargas no lombo das mulas (mais resistentes para a tarefa do que os cavalos) e a passagem de pessoas eram feitos em trilhas estreitas, muito afetadas pelas chuvas frequentes. Viajantes costumavam levar dois, até três dias nesse trajeto. Com a finalização da calçada, cavaleiros experientes passaram a fazer o caminho em menos de 12 horas.
A figura mais célebre a percorrer essa via foi o então príncipe regente Pedro. No dia 5 de setembro de 1822, ele e sua comitiva viajaram de São Paulo para Santos. Dois dias depois, o monarca retornou: deixou a cidade litorânea por volta de 6h e chegou à região do Ipiranga, àquela altura distante do centro de São Paulo, no final da tarde. Foi o momento em que se proclamou a Independência do Brasil.
A calçada foi muito usada até os anos 1840, quando ocorreu a inauguração da Estrada da Maioridade, hoje mais conhecida como Estrada Velha de Santos
Durante a descida para Santos, na década de 1920, era necessário parar um pouco para descansar. Para isso, foi construída uma parada no meio da serra à qual se deu o nome de Rancho da Maioridade, em homenagem à antecipação da maioridade de D. Pedro II.
A casa em granito de dois andares possui paineis de azulejos pintados que ilustram figuras importantes para a evolução rodoviária da época e a Esfera Armilar, objeto de estudo astronômico, usado pelos navegadores da época como bússola. Dela se vê a Baixada Santista e o complexo industrial de Cubatão.
Com informações de Caminhos do Mar
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