Formação rochosa na Praia da Sununga esconde um fenômeno curioso e histórias fascinantes que atraem visitantes do mundo inteiro
Patrícia Oliveira
Publicado em 24/10/2026, às 13h05
Em meio às paisagens deslumbrantes da região sul de Ubatuba, um recanto em particular desperta o fascínio de viajantes, cientistas e amantes de boas histórias.
Situada no canto direito da Praia da Sununga, a famosa "Gruta que Chora" destaca-se como um dos pontos turísticos mais instigantes do litoral norte de São Paulo, combinando beleza natural, geologia e ricas tradições da cultura caiçara.
A estrutura rochosa possui constituição vulcânica e apresenta um espetáculo à parte.
O impacto das ondas fortes que invadem as fendas da caverna gera vibrações sonoras em seu interior. Esse eco faz com que a água de uma nascente situada no topo da formação pingue sem parar pelo teto, criando a mágica ilusão de que a rocha chora.
Se a explicação científica impressiona, o folclore popular enriquece ainda mais o passeio. A tradição oral conta que o espaço abrigava um monstro marinho que assustava os pescadores.
A lenda diz que o Padre José de Anchieta abençoou o espaço para afugentar a criatura, e as gotas que caem do teto seriam a própria água benta preservada na rocha. Outra versão poética narra que o gotejamento nasce das lágrimas de uma jovem após a partida de seu grande amor.
A inclinação acentuada da areia e o formato das ondas de tombo transformaram o trecho em um dos melhores pontos do planeta para a prática do skimboard (esporte de prancha onde a ação começa ainda na areia e mistura elementos do surfe, do skate e do snowboard).
O contraste entre o mar agitado, a vegetação preservada da Mata Atlântica e as rochas atrai fotógrafos e praticantes de caminhadas.
O acesso ao paraíso é simples. Quem vem de carro deve seguir pela Rodovia Rio-Santos (BR-101) até o km 63,8, entrando em uma via secundária bem sinalizada. Para quem gosta de caminhar, o trajeto a pé pelo canto esquerdo da vizinha Praia do Lázaro leva apenas alguns minutos.
Para garantir a preservação do meio ambiente e o bem-estar de todos, a prefeitura e os órgãos ambientais aplicam normas rígidas de uso da praia.
É permitido o uso de guarda-sóis familiares com até 3 metros de diâmetro. Por outro lado, a legislação proíbe o uso de caixas de som e equipamentos sonoros (com pena de aplicação de multas), a instalação de tendas ou gazebos particulares, churrasco, acampamento selvagem, tráfego de veículos e a permanência de animais na areia também não são permitidos. Ao planejar sua visita, lembre-se de levar sacolinhas para recolher o lixo e respeite as sinalizações do mar.