Parceria entre monitores e empresas de tecnologia permite que participantes explorem trilhas com mais independência e segurança
Mayumi Kitamura
Publicado em 04/09/2025, às 12h30
Novos modelos de cadeiras de rodas adaptadas estão ampliando as possibilidades do ecoturismo para pessoas com mobilidade reduzida em Bertioga. Uma recente expedição na trilha de Guaratuba, organizada pela Teiu Ecoturismo, demonstrou na prática como essa tecnologia pode proporcionar mais autonomia em meio à natureza.
A iniciativa reuniu monitores, familiares e participantes, como o gerente de compras e produtor cultural Vinicius Cardoso Camargo Cruz, o Vina. Para ele, que é cadeirante e mora em Bertioga há 30 anos, a vivência foi marcante.
Já realizei outras trilhas quando mais jovem, porém com ajuda dos amigos, já que tem toda a dificuldade de realizar uma trilha com cadeira de rodas - e quando somos mais jovens topamos qualquer aventura. Mas fazer uma trilha que é acessível e poder se locomover o tempo todo sozinho, sim, foi a primeira experiência", conta.
Vina destaca a handbike da Adptrun, que lhe permitiu "pedalar com as mãos" em um equipamento adaptado para o terreno. "Foi uma experiência incrível. O sentimento é sempre de liberdade, transformação. Acho que a natureza traz esse sentimento, de sermos parte desse organismo vivo que é a natureza", afirma.
A acessibilidade em trilhas pode ser viabilizada por diferentes equipamentos. O monitor ambiental Rogério Jorge, que conduziu o passeio, explica que um dos modelos conhecidos, a cadeira Julietti, "requer de duas a quatro pessoas para o manuseio", o que pode tornar a atividade financeiramente inviável e menos inclusiva.
Ele explica que os modelos da Adptrun, como os testados no passeio, oferecem outra proposta. "Um triciclo foi conduzido por um monitor para o Assis, e outro, uma handbike, o próprio Vina, que tem os braços fortes, conseguiu pedalar com as mãos", detalha.
Rogério reforça que a segurança é primordial e que, em unidades de conservação, a presença de um monitor credenciado é obrigatória. "Temos treinamentos, todo ano reciclo meu [treinamento em] primeiros socorros. Sabemos como proceder caso aconteça um acidente", explica.
Ele também destaca o papel de parceiros como a gestão do Parque Estadual Restinga de Bertioga e o Sesc Bertioga. "São esses parceiros que fazem a diferença e nos fazem trabalhar com mais satisfação", completa.
Com os novos equipamentos, Rogério elenca as trilhas em Bertioga que se tornam ideais para os passeios acessíveis. "Itaguaré, a trilha da família Pinto, em São Lourenço, e a do Guaratuba. Creio que essas trilhas são as mais indicadas", aponta, mencionando que outras, como a Trilha d'Água, ainda precisam de adaptações.
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