Criminosos podem antecipar os passos de quem segue rotinas diariamente, ou que fica desatento em situações do cotidiano
Redação
Publicado em 19/03/2025, às 16h51
Em um mundo onde a violência urbana se reinventa, a segurança pessoal vai além de câmeras de vigilância ou aulas de defesa. Está nos detalhes do cotidiano: hábitos que parecem inofensivos, mas transformam milhões em alvos fáceis. A exposição excessiva, a rotina previsível e a falta de atenção ao entorno são brechas que criminosos exploram com precisão cirúrgica. E o pior: muitas vítimas nem percebem onde erraram, alerta Sandro Christovam Bearare, especialista em segurança e autor do livro Autodefesa e Antissequestro (2024).
Para o escritor, sair e voltar para casa no mesmo horário, estacionar sempre no mesmo local ou seguir trajetos idênticos são práticas que facilitam a vida de quem planeja crimes. “Criminosos não agem no impulso. Eles estudam padrões, identificam vulnerabilidades e só então atacam”, pontua. A solução? Pequenas variações. Trocar o caminho do trabalho, alternar horários de saída e até mudar onde estaciona o carro já dificultam a ação de observadores mal-intencionados. “Se o criminoso antecipa seus passos, ele controla o ambiente. A surpresa, que deveria ser sua vantagem, passa para as mãos dele”, destaca o especialista.
Compartilhar a localização em tempo real, postar fotos de viagens ou detalhar a rotina no Instagram e Facebook também são citados pelo autor, e definidos como um risco invisível. Esses dados alimentam crimes como sequestro-relâmpago e invasões residenciais. A dica é simples: nunca divulgue informações sensíveis durante eventos. “Poste apenas depois de deixar o local e evite expor detalhes como endereços ou horários fixos”, recomenda Bearare. O perigo, explica, está no que parece inofensivo: um story no shopping, um check-in no aeroporto ou até uma foto da janela do apartamento podem dar pistas valiosas a criminosos.
Outro ponto de vulnerabilidade destacada por Bearare é a transição entre ambientes, como garagens residenciais e estacionamentos, cenários comuns de abordagens. “A maioria dos ataques ocorre na transição entre locais seguros. São segundos críticos em que a vítima baixa a guarda”, explica Bearare, que oriente: “Antes de parar, observe o entorno, mantenha portas travadas e esteja pronto para reagir ou fugir”.
Sacar dinheiro à noite, usar caixas eletrônicos em áreas desertas ou acessar aplicativos bancários em redes públicas de Wi-Fi também são citados como erros frequentes. A exposição é ainda maior com golpes como skimmers (aparelhos que clonam cartões) ou celulares roubados com senhas salvas. Dentre as soluções indicadas estão transações digitais em ambientes seguros; sempre verificar o caixa antes de usar; e jamais compartilhar senhas.
Para encerrar, Bearare ressalta que criminosos são estratégicos, mas que a maioria das vítimas facilita o trabalho deles. “O que diferencia um alvo fácil de um difícil são hábitos bem estruturados. Autodefesa começa com prevenção: variar rotinas, moderar a exposição digital e manter atenção redobrada em momentos de vulnerabilidade”, enfatiza.
Para quem quer se aprofundar, Bearare oferece palestras pelo Brasil e estratégias práticas por meio da ProPoint, escola de segurança da qual é CEO. O objetivo é claro: transformar conhecimento em proteção. Afinal, em um cenário de riscos crescentes, a melhor defesa não está no que você carrega no bolso, mas no que pratica no dia a dia.
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