Relatório da Overhaul revela que, em 79% dos roubos de carga registrados na região, houve uso de arma de fogo e ameaça a motoristas e ajudantes
Lenildo Silva
Publicado em 16/05/2024, às 11h12
Os roubos de carga na Baixada Santista, região que abriga o maior complexo portuário da América Latina, cresceram cerca 200%, em 2023, em comparação com 2022, segundo aponta uma pesquisa divulgada pela Overhaul, empresa especializada em segurança no transporte de mercadorias. Em 2023, foram registrados 548 casos de roubos de carga na região, contra 184 no ano anterior, aumento de 197%. Esse crescimento representa 10,46% do total de ocorrências em todo o estado de São Paulo.
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Os dados da Overhaul revelam, ainda, que os roubos se concentram, principalmente, em áreas urbanas, com 70% dos casos nas cidades de Santos, Praia Grande, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Bertioga. O relatório também aponta que, em 79% das ocorrências, houve uso de arma de fogo e ameaça direta aos motoristas e ajudantes.
Crimes registrados às terças-feiras somam 24% das ocorrências, e o período mais recorrente é pela manhã (65%). Ainda de acordo com os dados Overhaul, os veículos mais visados pelos criminosos são os caminhões com carregamentos diversos, conhecidos como 'cargas mistas', que representam 43% das ocorrências; os produtos desejados são alimentos e bebidas, cargas agrícolas, bebidas alcoólicas e eletrônicos.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que não comenta pesquisas, cuja metodologia desconhece, entretanto, informou que as políticas públicas adotadas pela pasta registraram uma redução de 25,8%, no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior na região da Baixada Santista.
Conforme os dados divulgados pela SSP, nos primeiros três meses de 2024, a Baixada Santista registrou 92 roubos de carga; já os crimes desta natureza registrados no primeiro trimestre do ano anterior foram 124. A pasta informou, ainda, que o estado de São Paulo conta com o Programa de Prevenção de Furtos e Roubos (Pró-Carga), que atua no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento à criminalidade, em conjunto com as polícias Civil, Militar e outros órgãos de segurança pública.
O delegado Oswaldo Diez Júnior, responsável pelo Pró-carga, informou que o programa intensificou o trabalho de fiscalização e identificação dos envolvidos nessa modalidade de crime. Parte dos roubos de carga ocorridos no estado está concentrada na Baixada Santista e, para o delegado, "é um dado preocupante", por isso, estão sendo desenvolvidas ações específicas na região.
Disse ele: "Sabemos que, infelizmente, o crime organizado se instalou na Baixada Santista. Por esse motivo, que as operações do Pró-carga têm sido tão importantes. Estamos em contato com as delegacias da região, fazendo análises de inteligência e planejando ações. Com o trabalho de inteligência, conseguimos dar subsídios aos órgãos de execução, que colocam viaturas em locais estratégicos, em horários e pontos vulneráveis, além de descobrir o centro de operações dessas quadrilhas".
Um dos crimes de roubo de carga de grande repercussão, neste ano, foi registrado em 23 de janeiro, na rodovia Anchieta, uma das principais ligações entre o litoral e a capital paulista. Na ocasião, três suspeitos morreram, outros 17 foram presos e dois menores foram apreendidos, após o roubo de um caminhão que transportava uma carga avaliada em mais de R$ 7 milhões.
Segundo a SSP, o caminhoneiro levava uma carga de cigarros da Grande São Paulo até Praia Grande, mas foi rendido na altura de Cubatão pela quadrilha. Às autoridades, a vítima informou que foi feita refém pelos criminosos e liberada em uma cidade do Vale do Ribeira, a cerca de 130km do local. A carga foi recuperada e restituída à vítima, já os criminosos respondem pelos crimes de roubo de carga, corrupção de menores e associação criminosa.
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